By Brazil Stock Guide – O Bradesco (B3: BBDC4; NYSE: BBD) registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% sobre um ano antes e de 3,5% na comparação trimestral. Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do resultado.
O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio, ou ROAE, chegou a 16,2%, ante 15,8% no primeiro trimestre e 14,6% um ano antes, reforçando a recuperação gradual da rentabilidade do banco.
O principal destaque qualitativo foi a chamada alavancagem operacional positiva: as receitas totais cresceram 10,3%, para R$ 37,6 bilhões, enquanto as despesas operacionais avançaram apenas 3,4%. A margem financeira aumentou 15,7%, sustentada pela expansão do crédito e pelo desempenho da tesouraria.
“Reafirmamos o nosso compromisso de aumentar o nosso lucro, step by step”, disse o CEO Marcelo Noronha. Segundo ele, as iniciativas de transformação do banco começaram a elevar a competitividade e a tornar as receitas mais diversificadas e resilientes ao cenário macroeconômico.
No segundo trimestre, o lucro contábil coincidiu com o recorrente, em R$ 7,05 bilhões. A comparação sequencial contábil, porém, é favorecida por uma despesa não recorrente de R$ 1,78 bilhão reconhecida no primeiro trimestre, ligada à adesão a programas de regularização fiscal. Excluído esse efeito, o avanço trimestral do lucro foi de 3,5%, e não de 40,2%.
No primeiro semestre, o lucro recorrente acumulou R$ 13,86 bilhões, crescimento de 16,2%. O lucro contábil somou R$ 12,08 bilhões, alta de apenas 1,8% devido ao efeito fiscal registrado no início do ano.
Margem cresce mais que as despesas
A margem financeira total alcançou R$ 20,87 bilhões. A margem com clientes avançou 13,8%, refletindo o aumento do volume médio de crédito e a melhora da remuneração dos passivos. A margem com mercado mais que dobrou, para R$ 673 milhões, com ganhos em derivativos, produtos estruturados e gestão de ativos e passivos.
Mesmo após as provisões para perdas com crédito, a margem financeira líquida cresceu 9,9%, para R$ 10,89 bilhões.
As receitas de prestação de serviços tiveram desempenho mais moderado, com alta de 1,7%, para R$ 10,49 bilhões. Administração de fundos, consórcios, custódia e corretagem compensaram a fraqueza das tarifas de conta-corrente, das operações de crédito e da assessoria em mercado de capitais.
O índice de eficiência operacional caiu para 46,5%, de 49,9% um ano antes. O avanço reflete, entre outros fatores, a redução da rede física e o maior uso dos canais digitais. O Bradesco encerrou junho com 4.107 pontos de atendimento, 1.119 a menos do que um ano antes, e mais de 30 milhões de clientes totalmente digitais.
Os investimentos em tecnologia, porém, continuam crescendo. As despesas com processamento de dados e comunicação aumentaram 26,4%, enquanto os gastos com instalações caíram 8,6%.
Crédito continua sendo o ponto de atenção
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em 12 meses. A expansão foi mais forte nas empresas, com alta de 14,1%, enquanto o crédito às pessoas físicas avançou 8,4%.
O banco continuou a alterar o mix da carteira em direção a produtos com garantias, que passaram a representar 61% do total, aumento de 2,5 pontos percentuais em um ano. Entre os destaques estão financiamento de veículos, crédito consignado privado, capital de giro com garantias e crédito rural.
A expansão veio acompanhada, contudo, de maior custo de risco. As despesas de provisão ampliada somaram R$ 9,99 bilhões, avanço de 22,6% sobre o segundo trimestre de 2025. O custo do crédito permaneceu em 3,5% na comparação trimestral, mas segue pressionado pelas operações do segmento massificado.
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%, ante 4,2% em março e 4,1% um ano antes. A deterioração ficou concentrada em pessoas físicas e pequenas e médias empresas, enquanto o indicador de grandes companhias permaneceu em 0,2%.
Outros indicadores mostram uma fotografia menos negativa. A participação dos créditos classificados no estágio 3 caiu para 7,2%, de 7,9% em junho de 2025, e o saldo de ativos problemáticos recuou R$ 5,5 bilhões em um ano.
“Em cenário de guerra e às vésperas de eleições, seguiremos com moderação em nosso apetite ao risco”, afirmou Noronha.
Seguros e capital reforçam o balanço
O Grupo Bradesco Seguros registrou lucro líquido de R$ 2,94 bilhões, crescimento de 28,3% em 12 meses, com ROAE de 22,8%. O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização avançou 8,3%, para R$ 6,12 bilhões.
Noronha também destacou a criação da Bradsaúde (B3: SAUD3), que reuniu os ativos de saúde do grupo em uma companhia listada no Novo Mercado. Após a reorganização, o Bradesco passou a controlar 91,35% do capital da empresa.
O índice de capital principal do conglomerado prudencial subiu para 11,3%, ante 10,2% em março, enquanto o índice de Basileia total ficou em 15,5%. Considerando o aumento de capital de até R$ 10 bilhões aprovado após o fechamento do trimestre e os efeitos complementares da reorganização da Bradsaúde, o capital principal chegaria a 13,6% em termos pro forma.
O Bradesco manteve todas as projeções para 2026. O banco espera crescimento de 8,5% a 10,5% da carteira de crédito, margem financeira líquida entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões, alta de 3% a 5% nas receitas de serviços e expansão de 6% a 8% tanto nas despesas operacionais quanto no resultado de seguros.
A manutenção das faixas, apesar do ritmo mais forte apresentado por algumas linhas no primeiro semestre, sinaliza que o banco não pretende extrapolar a melhora recente diante dos riscos de crédito e das incertezas macroeconômicas.












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