By Brazil Stock Guide – A Azzas 2154 anunciou nesta quarta-feira uma ampla reorganização que, na prática, desfaz a estrutura criada pela fusão entre Arezzo e Grupo Soma há pouco mais de dois anos.
A companhia será dividida em duas empresas abertas e independentes — Arezzo e Soma — enquanto a Farm Rio será colocada em uma sociedade separada, com participação dos dois grupos.
O movimento é resultado de um acordo vinculante entre os blocos de acionistas liderados por Alexandre Birman e Roberto Jatahy e encerra um período de divergências sobre governança, estrutura societária e estratégia da companhia.
É uma reversão relevante da estratégia anunciada em 2024, quando Arezzo e Soma combinaram seus negócios para criar a maior plataforma de marcas de moda da América Latina, com mais de R$ 12 bilhões em receita anual.
Agora, o conglomerado será novamente separado.
Birman fica com Arezzo; Jatahy, com Soma
Na nova estrutura, a Arezzo&Co ficará com o negócio de Shoes & Bags — incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas e Brizza — além de Hering, Carol Bassi e ZZ Mall.
A Somar reunirá Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Reserva e suas extensões, Oficina, Foxton e Off Premium.
As duas serão companhias abertas independentes, listadas no Novo Mercado da B3, com conselhos, estruturas de capital, estratégias, orçamentos e administrações próprias. A separação também formaliza a divisão de poder entre os dois principais grupos de acionistas.
Após uma permuta de ações, o Bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e 6,18% da SOMA. Já o Bloco Jatahy ficará com 25,95% da SOMA e deixará de ter participação na Arezzo&Co.
O free float será de 67,87% em ambas as companhias, em bases ex-tesouraria.
FARM Rio fica no meio
A peça mais valiosa — e potencialmente mais estratégica — da reorganização é a Farm Rio. A marca ficará em uma sociedade específica, controlada em 57,4% pela Arezzo&Co e 42,6% pela SOMA, com gestão e governança próprias.
Ao mesmo tempo, o grupo deixou aberta a possibilidade de uma operação futura envolvendo a Farm. A marca, que tem lojas no exterior, é vista como potencialmente o maior ativo do grupo, com potencial de valer mais de US$ 1 bilhão, segundo algumas análises.
A Arezzoe a SOMA continuarão avaliando alternativas estratégicas para a marca, em processo assessorado pelo Morgan Stanley. A Arezzo terá a liderança e coordenação do processo, mas uma eventual venda precisará ser aprovada pelas duas partes.
A companhia ressalvou que não existe, neste momento, decisão de venda nem acordo vinculante com terceiros.
Disputa termina
O acordo também coloca fim formalmente à disputa societária entre Birman e Jatahy. Os dois blocos concordaram em promover a extinção do procedimento arbitral e da medida cautelar atualmente em curso e assumiram compromisso de não litigar sobre fatos anteriores à conclusão da reorganização.
Esse ponto ajuda a explicar a dimensão da mudança. Em vez de tentar administrar dentro de uma mesma companhia as divergências sobre governança, estratégia e alocação de capital, os dois grupos decidiram dividir os ativos e voltar a comandar plataformas essencialmente independentes.
A própria Azzas reconheceu que houve “diferentes visões” sobre a estrutura societária, governança e os caminhos estratégicos da companhia.
Fim de uma experiência de dois anos
A fusão entre Arezzo e Soma havia sido apresentada em 2024 como uma combinação capaz de reunir dezenas de marcas, mais de 2 mil lojas e uma plataforma de moda com faturamento superior a R$ 12 bilhões.
Pouco mais de dois anos depois, a estratégia muda radicalmente. A nova tese é praticamente a oposta: menos complexidade, mais autonomia, decisões mais rápidas e estruturas de capital separadas. Em valor de mercado, a Azzas era avaliada pelo mercado em R$ 3 bilhões – uma queda de quase 70% em dois anos.
Para os acionistas minoritários, a companhia afirma que não haverá diluição. Inicialmente, cada investidor da Azzas receberá ações da Soma e terá a mesma participação percentual nas duas empresas. A troca de ações posterior ocorrerá apenas entre os blocos Birman e Jatahy.
A conclusão da operação ainda dependerá de aprovações societárias e regulatórias, incluindo o CADE, registro de companhia aberta, listagem no Novo Mercado e anuências de credores e parceiros contratuais.
A expectativa dos acionistas é concluir a separação ao longo do primeiro trimestre de 2027. O BTG Pactual assessorou exclusivamente o Bloco Birman, enquanto a G5 Partners trabalhou para o Bloco Jatahy.
O resultado será o fim, no formato atual, da AZZAS 2154 — e uma nova tentativa de destravar valor dividindo justamente os negócios que, em 2024, foram reunidos sob a promessa de ganhar escala.













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