By Brazil Stock Guide – Apenas quatro das 347 ações da B3 com histórico de negociação e liquidez suficientes superaram o CDI em cada uma das cinco janelas de 12 meses encerradas em 27 de julho, de 2022 a 2026, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Sabesp (B3: SBSP3), Copel (B3: CPLE3), Cemig (B3: CMIG4) e TIM (B3: TIMS3) foram as únicas ações que venceram o principal referencial da renda fixa brasileira em todos os períodos analisados.
A Sabesp apresentou o melhor desempenho acumulado nos cinco anos, com valorização de 375,06%. Na sequência vieram Copel, com 297,23%; Cemig, com 186,16%; e TIM, com 162,86%. No mesmo intervalo, o CDI acumulou retorno de 78,64%, enquanto o Ibovespa avançou 40,70%.
O resultado ilustra o desafio enfrentado pela renda variável em um período marcado por juros elevados. O próprio Ibovespa superou o CDI em apenas duas das cinco janelas anuais: as encerradas em julho de 2023 e julho de 2026.
Na janela terminada em julho de 2022, por exemplo, o índice caiu 18,60%, enquanto o CDI rendeu 9,37%. A bolsa também ficou atrás da renda fixa nos períodos encerrados em 2024 e 2025. Neste último, o Ibovespa avançou 4,73%, ante retorno de 12,44% do CDI.
As quatro vencedoras atuam em setores associados à geração recorrente de caixa e à demanda relativamente previsível. Mas o caráter defensivo dos negócios explica apenas parte do desempenho. Ao longo do período, essas empresas também passaram por mudanças capazes de alterar as expectativas de eficiência, lucros e remuneração aos acionistas.
Os casos mais evidentes foram os de Sabesp e Copel. A companhia paulista de saneamento foi privatizada em julho de 2024, depois de uma valorização que já incorporava a expectativa da operação. Um ano antes, o Paraná havia transformado a Copel em uma companhia de capital disperso, sem acionista controlador. Nos dois casos, o mercado passou a precificar menor interferência política, redução de custos e maior disciplina na alocação de capital.
A Cemig permaneceu sob controle do governo de Minas Gerais, mas avançou em uma recuperação operacional baseada na venda de ativos não estratégicos, na melhoria da arrecadação e do controle de perdas, na expansão dos investimentos em distribuição e no pagamento de dividendos. A possibilidade recorrente de uma futura privatização também ajudou a sustentar o interesse do mercado, embora nunca tenha avançado como nos casos de Sabesp e Copel.
Fora das utilities, a TIM se beneficiou da consolidação do mercado brasileiro de telefonia móvel. A compra de parte dos ativos da Oi, concluída em 2022, acrescentou clientes, espectro e infraestrutura e contribuiu para reduzir de quatro para três o número de grandes operadoras nacionais. As sinergias da integração, combinadas à eliminação de estruturas sobrepostas e à maior geração de caixa, ampliaram a capacidade de remuneração aos acionistas.
O desempenho, portanto, resultou da combinação entre negócios previsíveis e eventos específicos de criação de valor. Sabesp e Copel foram reprecificadas pela privatização; a Cemig, pela recuperação operacional e pela disciplina de capital; e a TIM, pela consolidação do setor de telecomunicações.
O levantamento considerou apenas a variação dos preços das ações, sem incluir dividendos ou outros proventos. Como as quatro empresas distribuíram dividendos no período, o retorno total efetivamente obtido pelos acionistas teria sido superior ao apresentado no estudo.
A comparação com o Ibovespa exige uma ressalva adicional. O índice é calculado com base no retorno total, incorporando o reinvestimento dos proventos pagos pelas empresas de sua carteira. Já os retornos individuais calculados pela Elos Ayta refletem somente a valorização das ações. Os resultados históricos, porém, não garantem que Sabesp, Copel, Cemig e TIM continuarão superando o CDI nos próximos períodos.












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