By Brazil Stock Guide – A crise da Select Operadora de Plano de Saúde ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 22, com a decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de colocar a companhia sob direção fiscal após identificar “anormalidades econômico-financeiras e administrativas graves” capazes de colocar em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento aos beneficiários.
A medida foi aprovada pela diretoria colegiada da ANS e publicada no Diário Oficial da União, entrando em vigor imediatamente.
A decisão agrava uma situação que já vinha se deteriorando rapidamente. Na sexta-feira, o Brazil Stock Guide revelou que instituições financeiras citadas pela própria Select como participantes de uma nova fase de reorganização da companhia não estavam, de fato, envolvidas no processo.
A operadora havia mencionado BTG Pactual, Planner e Banco ABC Brasil em uma comunicação institucional apresentada como parte de sua reorganização financeira. Segundo apuração do Brazil Stock Guide, porém, os bancos não participavam da operação nos termos sugeridos pelo comunicado.
O BTG informou que não financiava a reorganização da Select. Após os questionamentos, a companhia retirou também as referências à Planner e ao Banco ABC e divulgou um esclarecimento dizendo ter reunido, em uma mesma comunicação, tratativas de “naturezas e estágios distintos”.
A nova decisão da ANS torna o quadro ainda mais delicado. Desde o início de setembro, a Select já estava sob direção técnica, instaurada depois que a agência identificou anormalidades administrativas e assistenciais graves que colocavam em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento aos beneficiários.
Agora, a ANS acrescenta uma segunda frente de intervenção ao reconhecer formalmente também a existência de graves problemas econômico-financeiros e administrativos. Com isso, a Select passa a enfrentar o grau de supervisão da agência sobre suas operações.
A direção fiscal é um dos mecanismos de intervenção previstos pela regulação dos planos de saúde para operadoras que apresentam desequilíbrios econômico-financeiros relevantes. Um diretor fiscal indicado pela ANS passa a acompanhar a situação da companhia e a cobrar medidas de saneamento, embora não assuma diretamente sua administração.
Reorganização sob pressão crescente
A Select vinha tentando apresentar ao mercado e aos beneficiários uma estratégia de reorganização de suas operações e passivos. Esse processo, entretanto, já havia encontrado obstáculos regulatórios importantes.
A ANS informou anteriormente que não havia reconhecido qualquer mudança de controle da operadora e que havia indeferido, em 31 de julho, um pedido de assunção de controle.
Embora o controle societário permaneça formalmente com o Hospital São Francisco de Assis, a operação da Select vinha sendo conduzida por executivos ligados à estrutura da Tiger, grupo com atuação em corretagem de seguros, por meio da Allcross, e administração de benefícios, por meio da Mount Hermon, segundo apurou o BSG.
A Select teve um crescimento vertiginoso nos últimos anos, ampliando sua atuação para inúmeras capitais brasileiras, contratando cerca de 100 mil beneficiários de planos de saúde. Nos últimos meses, o número de reclamações subiu vertinosamente.













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