Por Brazil Stock Guide – A LATAM apresentou nesta terça-feira um pacote de anúncios que combinou resultados financeiros resilientes, melhora das projeções para 2026 e uma nova etapa de expansão no Brasil. Mesmo enfrentando um aumento de 93% nos custos de combustível no segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido de US$ 125 milhões, elevou seu guidance para o ano e detalhou a primeira fase da operação dos jatos Embraer E195-E2, que começarão a voar no país no fim de novembro.
A empresa anunciou que as vendas das passagens para as novas rotas começam nesta quarta-feira. A primeira fase da operação envolverá entre 12 e 14 aeronaves, que atenderão 42 rotas domésticas entre novembro de 2026 e março de 2027, incluindo oito novas rotas e quatro novos destinos: Cabo Frio, Ji-Paraná, Macaé e Rondonópolis.
“O que vocês estão vendo é o primeiro passo”, afirmou o CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier. “As vendas vão ser abertas a partir de amanhã, os voos vão se iniciar a partir da última semana de novembro e dali vão crescendo na medida em que a gente vai recebendo mais aeronaves.”
Mais do que novas rotas
Segundo Cadier, o Embraer E195-E2 não será usado apenas para abrir mercados menores, mas também para aumentar frequências e melhorar a conectividade da malha da companhia.
“É fundamental entender que o produto melhora na medida em que eventualmente você tem um voo diário em alguma cidade, que pode ser substituído por dois voos com o E2, um de manhã e outro à tarde”, afirmou. “São muitas rotas onde a gente amplia a nossa operação, fazendo mais voos diários, além dessas oito novas rotas.”
Como exemplo, o executivo citou Rondonópolis, em Mato Grosso. Hoje, um passageiro que sai da cidade rumo a Barcelona precisa fazer três voos e leva mais de 20 horas para chegar ao destino. Com a nova ligação da LATAM para Guarulhos, o trajeto passará a exigir apenas uma conexão e poderá ser realizado em menos de 15 horas.
A primeira fase também prevê novas ligações entre Brasília e Ribeirão Preto, Curitiba e Londrina, Curitiba e Cuiabá e Porto Alegre e Viracopos. A companhia ampliará ainda a oferta em rotas como Guarulhos-Cascavel, Galeão-Curitiba, Porto Alegre-Curitiba, Guarulhos-Uberaba, Guarulhos-Palmas e Guarulhos-Uberlândia.
Brasil continua no centro da estratégia
Cadier aproveitou a apresentação para defender que o mercado brasileiro ainda está longe do seu potencial. Segundo ele, o país registra cerca de 0,5 viagem aérea por habitante por ano, aproximadamente metade do índice chileno e muito abaixo dos níveis observados na Europa e nos Estados Unidos.
“A gente precisa entender que o Brasil pode duplicar o mercado em dez anos”, disse o executivo, defendendo um plano de longo prazo voltado para estabilidade regulatória, redução de custos operacionais e maior eficiência da aviação nacional.
Ele também voltou a criticar o aumento da carga tributária sobre o setor, os elevados custos do querosene de aviação, a judicialização e a insegurança regulatória como entraves ao crescimento da indústria.
Cadier afirmou que a reforma tributária poderá elevar significativamente os impostos incidentes sobre as passagens aéreas, embora a premissa original fosse manter a carga tributária. Também citou o Imposto de Renda sobre operações de leasing, o IOF e os custos aeroportuários, trabalhistas e de navegação.
Lucro apesar do choque do combustível
No segundo trimestre, a LATAM registrou receita de US$ 4,2 bilhões, alta de 27,6% sobre um ano antes. O lucro líquido foi de US$ 125 milhões, enquanto a margem operacional ajustada ficou em 5,4%.
O principal desafio do período foi o combustível. Segundo o CFO do grupo, Ricardo Bottas, os gastos com querosene aumentaram 93%, representando mais de US$ 800 milhões adicionais em apenas um trimestre.
“Esse foi o tamanho do desafio que nós enfrentamos nesse período e, mesmo assim, conseguimos entregar um EBITDA de US$ 713 milhões, um resultado operacional de US$ 227 milhões e um lucro líquido de US$ 125 milhões”, afirmou.
A capacidade consolidada cresceu 8,9%, enquanto a companhia transportou 21 milhões de passageiros. A taxa de ocupação ficou em 81,8%, queda de 1,7 ponto percentual, e a receita unitária de passageiros avançou 17,5%.
No mercado doméstico brasileiro, a capacidade aumentou 5,7%, para uma taxa de ocupação de 80,7%. A empresa transportou 9,5 milhões de passageiros no país durante o trimestre, enquanto a receita unitária de passageiros cresceu 23,7% em dólares e 12,2% em reais.
Guidance sobe com melhora no cenário do combustível
A companhia atualizou suas projeções para 2026 após revisar para baixo as premissas para o preço do querosene de aviação. A expectativa de EBITDA ajustado passou para uma faixa entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,4 bilhões, ante uma projeção anterior de US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões.
A empresa também voltou a divulgar o guidance completo, projetando crescimento da capacidade de passageiros entre 9% e 10% e receitas entre US$ 17,3 bilhões e US$ 17,7 bilhões neste ano.
O lucro operacional ajustado deverá ficar entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,3 bilhões, para uma margem entre 12% e 13%. A companhia espera ainda gerar mais de US$ 1,3 bilhão em fluxo de caixa livre alavancado.
As projeções consideram um preço médio do combustível de US$ 147 por barril no terceiro trimestre e de US$ 130 no quarto trimestre, além de uma taxa de câmbio de R$ 5,15 por dólar.
Caixa cresce e alavancagem permanece baixa
Apesar da pressão dos custos, a LATAM gerou US$ 476 milhões em fluxo de caixa operacional ajustado durante o trimestre.
Após investimentos líquidos de US$ 168 milhões, a companhia encerrou junho com US$ 2,65 bilhões em caixa, aumento de US$ 110 milhões em relação ao início do trimestre.
Considerando também as linhas de crédito disponíveis, a liquidez total alcançou US$ 4,23 bilhões, equivalente a 26,2% da receita dos últimos 12 meses. A alavancagem permaneceu em 1,5 vez o EBITDA ajustado, abaixo do limite de duas vezes previsto na política financeira da companhia.
A LATAM também aprovou um programa de recompra de ações equivalente a até 5% dos papéis em circulação, que poderá ser executado ao longo dos próximos cinco anos, a critério do conselho de administração.
Receita premium ganha peso
Outro destaque da apresentação foi a evolução da qualidade das receitas. Segundo Bottas, 29% da receita de passageiros já é proveniente de produtos premium. Essa receita cresceu nove pontos percentuais acima da cabine principal e apresenta maior resiliência em períodos de choque ou crise.
Além disso, 67% das receitas com passageiros são geradas por clientes vinculados ao LATAM Pass, que alcançou 56 milhões de membros. A base de clientes elite cresceu 26% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas do programa para parceiros avançaram 48%.
Segunda fase já está em estudo
Embora tenha anunciado apenas a primeira etapa da operação com o Embraer E195-E2, a LATAM afirmou que a expansão continuará.
Segundo Cadier, a companhia já avalia 18 potenciais destinos para a segunda fase da operação, prevista para começar a partir de abril de 2027.
“A gente está estudando praticamente 18 destinos. A gente não deve lançar 18 destinos novos, mas são 18 potenciais cidades que estão sendo estudadas”, afirmou.
A decisão levará em conta a demanda corporativa, o potencial turístico, a melhora da conectividade, a viabilidade econômica e as condições operacionais e de segurança dos aeroportos. A segunda fase deverá ser anunciada dentro de três a quatro meses.
Sobre as 50 opções adicionais de compra do E195-E2, Cadier afirmou que qualquer decisão dependerá da experiência operacional com as primeiras aeronaves.
“É difícil você decidir uma opção sendo que a gente nem começou a voar ainda”, disse. Ao fim da apresentação, Cadier classificou o anúncio como um marco para a companhia. “Hoje é um dia muito importante na história da LATAM Brasil”, afirmou. “Estamos muito orgulhosos de continuar investindo no país e continuar acreditando no país.”













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