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Itaú lucra R$ 12,4 bi com avanço do crédito e corta projeção de serviços

Resultado cresce 7,8% e ROE fica em 24,3%; inadimplência acima de 90 dias segue em 1,9%, mas atrasos curtos e formação de NPLs avançam.

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By Brazil Stock Guide – O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,41 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com a expansão do crédito e da margem financeira compensando o aumento das provisões e o desempenho mais fraco das receitas de serviços.

O resultado avançou 1% em relação ao primeiro trimestre e ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado. O lucro veio 0,5% abaixo do consenso de R$ 12,47 bilhões compilado pelo banco.

O retorno recorrente anualizado sobre o patrimônio líquido, o ROE, atingiu 24,3%, ante 23,3% no segundo trimestre de 2025 e 24,8% nos três primeiros meses deste ano.

“A consistência dos nossos resultados reflete a clareza de uma estratégia orientada para o longo prazo”, afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho. “Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia.”

As operações brasileiras responderam por 94,6% do resultado recorrente do trimestre. O lucro no Brasil cresceu 8,9% em um ano, para R$ 11,73 bilhões, com retorno de 25,7% sobre o capital alocado.

Na América Latina, o resultado recorrente recuou 8% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 674 milhões, embora tenha aumentado 2,2% na comparação trimestral. O retorno sobre o capital alocado na região ficou em 12,3%.

Itaú corta projeção para serviços e seguros

O Itaú reduziu sua projeção para o crescimento combinado das receitas de serviços e do resultado de seguros em 2026. A nova estimativa prevê alta entre 2% e 5%, ante uma faixa anterior de 5% a 9%.

Segundo o banco, a revisão decorre principalmente de uma volatilidade no mercado de capitais maior do que a projetada no início do ano.

As receitas combinadas de serviços e seguros somaram R$ 14,09 bilhões, crescimento de apenas 0,4% em relação ao primeiro trimestre e de 3,6% na comparação anual.

O desempenho entre as diferentes linhas foi desigual. As receitas de serviços de conta corrente de pessoas físicas caíram 21,2% em um ano, enquanto os ganhos com pagamentos e recebimentos recuaram 7,5%.

As receitas com administração de recursos aumentaram 7,3%. Já os ganhos com assessoria econômico-financeira e corretagem avançaram 32,5%, sustentados pela maior atividade do banco de investimento. O resultado de seguros cresceu 8,7%, impulsionado pelo aumento dos prêmios ganhos.

As demais projeções para 2026 foram mantidas. O Itaú continua esperando crescimento de 5,5% a 9,5% na carteira total de crédito, com expansão entre 6,5% e 10,5% no Brasil.

A margem financeira com clientes deverá crescer entre 5% e 9%, enquanto a margem financeira com o mercado deverá ficar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

A projeção para o custo do crédito foi mantida entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões. As despesas não decorrentes de juros deverão crescer entre 1,5% e 5,5%.

O banco informou ainda que passou a considerar, a partir de agosto, um custo de capital de aproximadamente 14,75% ao ano na gestão de seus negócios.

Carteira de crédito chega a R$ 1,52 trilhão

A carteira total de crédito atingiu R$ 1,52 trilhão, crescimento de 2,7% no trimestre e de 9,6% em 12 meses.

O crédito para pessoas físicas no Brasil aumentou 1,6% no trimestre, para R$ 487,1 bilhões. A carteira imobiliária avançou 3,9% na comparação trimestral e 13,3% em um ano, enquanto o crédito consignado cresceu 3,5% e 11,7%, respectivamente.

O consignado privado, produto recentemente ampliado no Brasil, registrou expansão de 14,3% no trimestre.

A carteira de micro, pequenas e médias empresas cresceu 11,6% em um ano, para R$ 307,4 bilhões. O crédito para grandes empresas avançou 10,1%, para R$ 474,9 bilhões, com destaque para clientes dos setores de infraestrutura e energia.

A margem financeira com clientes aumentou 3,3% no trimestre e 5,1% em um ano, para R$ 32,56 bilhões. A taxa média permaneceu em 9,1%, enquanto a margem ajustada ao risco subiu para 6,2%, ante 6,1% no trimestre anterior.

A margem financeira com o mercado avançou 13,6% na comparação trimestral, para R$ 931 milhões. O resultado foi favorecido pelo melhor desempenho da mesa de banking, que compensou a receita mais fraca da mesa de trading.

Inadimplência longa fica estável, mas formação de NPLs aumenta

O índice consolidado de inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo.

Os indicadores subjacentes, entretanto, mostraram alguma normalização. O índice de atrasos entre 15 e 90 dias aumentou para 1,8%, ante 1,7% no primeiro trimestre, refletindo principalmente a América Latina e a carteira de pequenas e médias empresas no Brasil.

Entre as pessoas físicas no Brasil, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,7%, ante 3,6%. Nas micro, pequenas e médias empresas, o indicador aumentou de 1,9% para 2%.

O Itaú atribuiu os movimentos à migração sazonal de parte dos atrasos curtos e ao fim das carências de programas governamentais de crédito.

A formação de créditos inadimplentes, o chamado NPL creation, aumentou para R$ 10,66 bilhões, ante R$ 9,69 bilhões no primeiro trimestre. Em relação à carteira, o indicador passou de 0,7% para 0,8%.

A carteira de créditos renegociados cresceu 4,6% no trimestre, para R$ 36,3 bilhões, correspondentes a 2,6% da carteira total.

O Itaú informou ter renegociado aproximadamente R$ 1,1 bilhão por meio do programa Desenrola, envolvendo mais de 300 mil clientes. Após os descontos e a renegociação, o saldo remanescente ficou em R$ 275 milhões.

Segundo o banco, o programa teve impacto imaterial sobre os indicadores de qualidade e o custo do crédito.

Custo do crédito permanece em 2,7%

O custo do crédito somou R$ 10,14 bilhões, aumento de 1,9% no trimestre e de 7,4% em um ano. A relação anualizada entre o custo do crédito e a carteira média permaneceu estável em 2,7%.

As despesas com perdas esperadas aumentaram 8,4% em um ano, para R$ 10,48 bilhões. A recuperação de créditos anteriormente baixados como prejuízo cresceu 20,2% no trimestre, para R$ 1,49 bilhão, parcialmente influenciada pelo Desenrola.

O varejo gerou resultado recorrente de R$ 5,49 bilhões, estável no trimestre e 11,1% superior ao registrado um ano antes.

No atacado, o lucro recorrente recuou 0,6% na comparação trimestral, para R$ 5,61 bilhões, mas cresceu 4,1% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Posição de capital fica mais forte

As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 16,73 bilhões, alta de 3,3% no trimestre e de 3,1% em um ano.

O aumento dos gastos com pessoal, tecnologia, marketing e operações foi parcialmente compensado pela continuidade da redução da estrutura física do banco.

O Itaú encerrou junho com 90.429 funcionários, ante 95.714 um ano antes. O número de agências e postos de atendimento caiu de 2.738 para 2.210 no mesmo período.

O índice de eficiência consolidado melhorou para 37,4%, ante 38% no segundo trimestre de 2025. Nas operações brasileiras, o indicador ficou em 35,5%.

O índice de capital principal, o CET1, aumentou de 12% em março para 12,3% em junho. O índice de Basileia passou de 14,8% para 15,4%.

O índice de liquidez de curto prazo, o LCR, atingiu 202%, enquanto o indicador de liquidez de longo prazo, o NSFR, ficou em 122,1%.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro recorrente gerencial cresceu 9,1%, para R$ 24,69 bilhões. O ROE atingiu 24,5%, ante 22,8% no mesmo período do ano anterior.


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