Meta Pixel

SUS prepara R$ 1,5 bi por ano para canetas emagrecedoras e mira desconto de até 90%

Governo aposta em produção nacional, maior concorrência e poder de compra do sistema público para reduzir preços.

By Brazil Stock Guide — O governo brasileiro estima gastar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano para oferecer medicamentos contra obesidade da classe dos GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), numa iniciativa que transformará o Estado no maior comprador desses tratamentos.

O Ministério da Saúde afirma que a escala das compras públicas, combinada ao aumento da concorrência e à produção nacional, poderá permitir uma redução de 80% a 90% nos preços de aquisição. A incorporação, porém, ainda não foi aprovada e depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec.

A iniciativa ganhou também uma dimensão eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, prometeu, durante visita ao complexo industrial da Eurofarma em Montes Claros, Minas Gerais, que as canetas seriam oferecidas gratuitamente pelo SUS a pacientes com obesidade. A declaração transformou em promessa de campanha uma política que, segundo o Ministério da Saúde, já vinha sendo estudada desde 2025.

Desde então, o governo deu passos formais para tentar viabilizar a promessa. Em 24 de setembro, o Ministério da Saúde protocolou na Conitec o pedido de avaliação para a incorporação dos medicamentos ao SUS. Agora, apresentou uma primeira referência para o tamanho financeiro do programa: aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano.

Ainda não estão definidos, porém, pontos essenciais para determinar o custo efetivo da política, como quantos pacientes seriam atendidos, quais medicamentos seriam adquiridos, quanto tempo duraria o tratamento e quais critérios clínicos determinariam o acesso.

Concorrência derruba preços

O avanço do governo ocorre em meio a uma rápida transformação do mercado brasileiro de medicamentos contra obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, os preços das canetas nas farmácias caíram cerca de 70% em menos de um ano, movimento atribuído à entrada de novos produtos, maior concorrência e expansão da produção local.

Um chamamento realizado pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa para estimular fabricantes nacionais e estrangeiros a entrar no mercado resultou no registro de 16 novos produtos apenas em 2026, incluindo genéricos e similares. Pelo menos quatro deles são produzidos no Brasil.

O número de pessoas que utilizam as canetas também cresceu rapidamente. Dados da Anvisa citados pelo ministério indicam que o total passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil usuários por mês.

A aposta do governo é que o SUS possa provocar uma segunda rodada de redução de preços ao concentrar uma demanda muito maior em compras públicas. “Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A dimensão dessa economia ainda precisa ser demonstrada na prática. O governo não divulgou o preço por dose ou por paciente que sustenta a estimativa nem informou quantas pessoas poderiam ser tratadas dentro desse orçamento.

Uma conta que antes não fechava

O custo elevado vinha sendo um dos principais obstáculos à oferta dessas terapias pelo SUS. O novo pedido à Conitec sustenta que o cenário mudou com a queda dos preços, o aumento do número de fornecedores e a possibilidade de fabricação nacional. A comissão é responsável por avaliar evidências clínicas, custo-efetividade e impacto orçamentário antes da incorporação de novas tecnologias ao sistema público.

O governo também procura vincular a expansão do acesso à produção local. Desde 2025, Ministério da Saúde e Anvisa vêm trabalhando para estimular o registro de novos análogos de GLP-1 por empresas nacionais e estrangeiras.

A estratégia coloca o poder de compra do sistema público no centro da política. Em vez de adquirir medicamentos aos preços praticados atualmente no varejo, o governo aposta que volumes muito maiores, concorrência entre fornecedores e produção doméstica permitirão negociar valores significativamente menores.

Se o desconto de até 90% se confirmar, isso também poderá alterar a dinâmica competitiva de um dos segmentos de crescimento mais rápido da indústria farmacêutica.

Não será uma distribuição indiscriminada

O Ministério da Saúde afirma que uma eventual incorporação não significará disponibilizar as canetas para uso estético ou sem acompanhamento médico. A proposta é definir um protocolo clínico para identificar pacientes nos quais o tratamento da obesidade possa gerar benefícios relevantes e reduzir complicações futuras.

O governo vem testando essa abordagem no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, onde 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições estão sendo acompanhados com uso de semaglutida.

Entre os objetivos está avaliar se o tratamento pode evitar procedimentos de maior complexidade, como cirurgias bariátricas, e reduzir problemas cardiovasculares e outras complicações associadas à obesidade.

O argumento econômico do governo é que, portanto, o impacto fiscal não deve ser medido apenas pelo gasto com medicamentos.

“Não estamos falando de incorporar um milagre estético”, disse Padilha. Segundo o ministro, o uso combinado com alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico poderá reduzir despesas futuras com cirurgias e internações. A obesidade atingia 25,7% da população brasileira em 2024, ante 11,8% em 2006, segundo dados citados pelo Ministério da Saúde.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo