By Brazil Stock Guide — A Bradsaúde (SAUD3) espera que a Atlântica Hospitais, seu braço de investimentos em serviços hospitalares, passe a responder por uma parcela de dois dígitos do lucro consolidado do grupo no médio prazo. A expectativa foi apresentada pelo CEO Carlos Marinelli nesta quinta-feira (22), durante coletiva sobre os resultados do terceiro trimestre de 2026.
A Atlântica respondeu por aproximadamente 4% do lucro consolidado da Bradsaúde nos primeiros nove meses de 2026, ante 1% no mesmo período do ano anterior. Marinelli afirmou que a expectativa é de crescimento contínuo dessa participação.
“Não vou afirmar de curto tempo, mas de médio tempo”, disse o executivo, ao projetar que a contribuição da Atlântica para o lucro do grupo “atinge aí o duplo dígito e ele permaneça crescendo”. O CEO não estabeleceu uma data específica nem apresentou uma meta formal de resultados.
Historicamente concentrada em planos de saúde e planos odontológicos, a Bradsaúde vem ampliando sua presença direta na prestação de serviços médicos. Para Marinelli, os resultados da Atlântica demonstram o potencial dessa diversificação e justificam novos investimentos.
A Atlântica registrou lucro líquido de R$ 53,3 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 191% na comparação anual. Nos 12 meses encerrados em setembro, o resultado alcançou R$ 139 milhões, ante aproximadamente R$ 4 milhões no período equivalente anterior.
A Atlântica Hospitais mantém um portfólio de 23 hospitais, em operação ou desenvolvimento, distribuídos entre a parceria com a Rede D’Or, os investimentos no Grupo Santa e dois projetos próprios na cidade de São Paulo. Quinze já estão em operação, e o grupo prevê alcançar uma capacidade total de 4.449 leitos até 2030.
Marinelli afirmou que os hospitais inaugurados nos últimos anos têm apresentado um ritmo de maturação superior à média histórica observada pelos parceiros da Atlântica em outros empreendimentos. Segundo ele, esse desempenho reforça a tese de investimento da Bradsaúde em infraestrutura hospitalar, com retornos que a administração considera superiores à média do mercado.
Entre os projetos de expansão estão a construção de um hospital em Jundiaí, no interior paulista, e a incorporação do Hospital Biocor, em Nova Lima (MG). As iniciativas integram a Atlântica D’Or, parceria na qual a Rede D’Or detém 50,01% de participação e é responsável pela operação hospitalar, enquanto a Atlântica possui os 49,99% restantes. A parceria reúne 12 unidades, sendo sete em operação e cinco em desenvolvimento.
A oncologia também ocupa posição relevante nessa estratégia. Marinelli destacou o crescimento da Croma, operação desenvolvida em parceria com o Grupo Fleury e a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que já conta com quatro unidades em funcionamento. O executivo explicou que negócios desse tipo enfrentam custos elevados na fase inicial, enquanto constroem reputação e ampliam o volume de atendimentos, podendo registrar prejuízos antes de atingir escala.
A expansão hospitalar ocorre em um momento em que a Bradsaúde busca conciliar novos investimentos com a remuneração de seus acionistas. A companhia anunciou R$ 1 bilhão em dividendos referentes ao terceiro trimestre, elevando para R$ 1,48 bilhão os proventos aprovados em 2026. Durante a coletiva, a administração reiterou a intenção de manter distribuições recorrentes, respeitando as exigências de solvência das empresas reguladas e as necessidades de capital para expansão.













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