Por Brazil Stock Guide — A Cosan, holding controlada pelo empresário Rubens Ometto, informou nesta terça-feira (20) que terminou sem acordo o período de negociações exclusivas com potenciais investidores interessados na aquisição de uma participação na Rumo, uma das maiores operadoras de logística ferroviária do Brasil.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a companhia afirmou que, apesar das propostas recebidas e das negociações realizadas, não foi possível chegar a condições consideradas estrategicamente e comercialmente adequadas para a venda de qualquer parcela de sua participação na empresa ferroviária.
O comunicado representa um revés na estratégia da Cosan de monetizar ativos para reduzir seu endividamento e simplificar sua estrutura de capital. A companhia, no entanto, não declarou encerrado definitivamente o processo de avaliação de alternativas envolvendo a Rumo.
As tratativas tiveram início formalmente em junho, quando a Cosan anunciou a contratação do BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar uma eventual alienação de participação na operadora ferroviária.
Em agosto, a holding informou que o processo havia avançado para a apresentação de propostas vinculantes por potenciais compradores. A etapa seguinte envolveu negociações em regime de exclusividade, agora encerradas sem a assinatura de um acordo.
A Cosan não revelou a identidade dos investidores envolvidos nessa fase, os valores oferecidos ou os pontos que impediram a conclusão de uma transação.
Compass pode ganhar prioridade
O anúncio ocorre no mesmo dia em que o UOL informou que a Cosan passou a concentrar esforços na venda de uma participação minoritária na Compass, empresa de gás e energia do conglomerado. Segundo a reportagem, o grupo estaria negociando com um investidor estrangeiro a venda de aproximadamente 20% da Compass, operação que poderia levantar cerca de R$ 4 bilhões, considerando uma avaliação de R$ 20 bilhões para a companhia.
A possível transação não foi mencionada no fato relevante divulgado pela Cosan nesta terça-feira. A tentativa de venda de uma fatia da Rumo havia atraído o interesse de grupos internacionais ligados ao agronegócio e à logística, incluindo Bunge e Cofco, segundo informações anteriormente publicadas na imprensa.
Pressão para reduzir dívida continua
O fim da exclusividade sem acordo mantém em aberto uma das principais questões da estratégia financeira da Cosan: como transformar participações em ativos relevantes em recursos para reduzir seu endividamento sem comprometer o valor de seu portfólio.
A Rumo ocupa uma posição estratégica nesse conjunto de negócios. Sua rede ferroviária conecta importantes regiões produtoras de grãos aos principais corredores de exportação brasileiros, tornando a empresa um ativo relevante para investidores financeiros e grupos que atuam no comércio de commodities agrícolas.
No fato relevante, a Cosan reiterou que continuará avaliando alternativas em todos os seus ativos para otimizar sua estrutura de capital, preservando o compromisso com a criação de valor para seus acionistas.
A companhia não estabeleceu um novo prazo para a eventual venda de participação na Rumo nem informou se pretende retomar negociações com outros investidores.













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