By Brazil Stock Guide — O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado e de 0,8% sobre o trimestre anterior. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 16,1%, desconsiderando o efeito do recente aumento de capital.
O desempenho foi sustentado pela expansão da margem financeira, pelo crescimento das receitas de serviços e pelo controle das despesas operacionais.
As receitas totais alcançaram R$ 38 bilhões, alta de 8,4% na comparação anual. O índice de eficiência operacional recuou para 45,4%, uma melhora de 4,7 pontos percentuais em 12 meses, refletindo a evolução das receitas em ritmo superior ao das despesas.
A margem financeira total somou R$ 21,4 bilhões, crescimento de 14,2% sobre o terceiro trimestre de 2025. A margem com clientes avançou 10,1%, para R$ 20,5 bilhões, enquanto a margem com mercado alcançou R$ 875 milhões, ante R$ 99 milhões um ano antes, impulsionada pelo desempenho da tesouraria e pela gestão de ativos e passivos.
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,15 trilhão ao final de setembro, crescimento de 11,1% em 12 meses. As operações com pessoas jurídicas avançaram 14,1%, para R$ 664,7 bilhões, enquanto os financiamentos a pessoas físicas cresceram 7,4%, para R$ 484,9 bilhões. Segundo o banco, a estratégia comercial permanece concentrada em operações com garantias e rentabilidade ajustada ao risco.
As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 10,9 bilhões, aumento de 4,2% em relação ao segundo trimestre e de 3,1% na comparação anual. O desempenho foi favorecido pelas operações com cartões, administração de fundos, consórcios e atividades de mercado de capitais e assessoria financeira.
Do lado dos custos, as despesas operacionais somaram R$ 16,3 bilhões, redução de 1% em 12 meses. As despesas de pessoal e administrativas, consideradas em conjunto, alcançaram R$ 13,1 bilhões, crescimento anual de 1,8%, abaixo da inflação do período. O resultado reflete a disciplina de custos adotada pelo banco, mesmo com a manutenção dos investimentos em tecnologia e digitalização.
Os indicadores de crédito apresentaram elevação no trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias chegou a 4,6%, ante 4,3% em junho. As despesas com provisões para perdas de crédito atingiram R$ 10,6 bilhões, crescimento de 6,6% na comparação trimestral.
O Bradesco atribuiu parte desse movimento ao aumento dos atrasos em operações de capital de giro de pequenas e médias empresas com garantias de fundos federais, além de efeitos sazonais em determinadas carteiras.
O Grupo Bradesco Seguros manteve sua contribuição para os resultados consolidados, com lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no trimestre, crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025. O ROAE do negócio segurador alcançou 22%. Na operação de saúde, o lucro atingiu R$ 982 milhões, avanço anual de 11,2%.
O Bradesco também concluiu um aumento de capital de R$ 10 bilhões, aprovado pelo Banco Central em outubro, destinado a fortalecer sua estrutura patrimonial e sustentar investimentos estratégicos. O índice de capital principal alcançou 12,1% em setembro, enquanto o índice de Basileia total chegou a 16%.
Nos primeiros nove meses de 2026, o lucro líquido recorrente acumulado atingiu R$ 21 bilhões, crescimento de 15,6% sobre igual período de 2025. O lucro contábil somou R$ 19,2 bilhões, após efeitos não recorrentes relacionados principalmente a questões fiscais.
O resultado do terceiro trimestre dá continuidade à trajetória de expansão dos lucros e de melhora da eficiência operacional do Bradesco. Para os próximos períodos, o banco mantém uma estratégia de crescimento seletivo do crédito, diversificação das receitas e investimentos em tecnologia, com atenção à evolução das condições econômicas e dos indicadores de risco.













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