Se o real de fato entrar em um patamar de valorização mais duradouro, qual será o efeito sobre algumas das maiores exportadoras brasileiras? Nos últimos anos, Vale e Suzano se beneficiaram de receitas em dólares enquanto boa parte dos custos permaneceu em reais. Gerdau construiu uma operação cada vez mais internacional. Esse desenho funcionou como proteção contra o mais recente ciclo doméstico adverso. Com uma moeda brasileira mais forte, parte desse amortecedor tende a desaparecer.
O efeito potencial é relevante. O BTG estima que uma valorização de 10% do real reduziria o EBITDA da Vale em cerca de 5% a 6% e o da Suzano em aproximadamente 15%. Isso ajuda a explicar por que o rally visto nesta semana pode favorecer mais empresas domésticas do que exportadoras. Juros menores, crédito mais barato e moeda forte tendem a melhorar diretamente a economia de bancos, varejistas e companhias mais ligadas à demanda local. Para as exportadoras, parte desse benefício é compensada pela conversão cambial menos favorável.
Aço e petroquímica enfrentam uma questão adicional. Gerdau, CSN, Usiminas e Braskem ainda dependem de uma melhora mais consistente do ciclo global – oferta excessiva de China. Um real mais forte reduz ainda mais a paridade de importação do aço e pode aumentar a pressão competitiva sobre produtores locais. Na Braskem, que já atravessa a reestruturação de sua dívida, o principal gatilho continua sendo uma recuperação dos spreads petroquímicos e do equilíbrio global de oferta e demanda, não apenas o câmbio brasileiro.
Nada disso significa que um real valorizado seja necessariamente ruim para essas empresas. Mas significa que o próximo ciclo de alta terá de depender mais de preço, volume, produtividade e recuperação global — e menos da ajuda do câmbio. Se o real continuar forte, a vantagem competitiva terá de vir mais das empresas — e menos do câmbio.













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