By Brazil Stock Guide – A Perfin ampliou sua aposta na Copasa (CSMG3) e passou a deter direitos superiores a 20% do capital da companhia mineira de saneamento. O movimento coloca a gestora fundada por Ralph Rosenberg no centro da nova governança da empresa, em um momento em que a privatização abre espaço para investidores privados disputarem influência sobre um ativo regulado, lucrativo e politicamente sensível.
Os fundos da Perfin compraram mais 1,08 milhão de ações ordinárias da Copasa. A posição direta passou a 48,5 milhões de ações, ou 12,76% do capital. Porém, ao incluir collars, contratos a termo e ações emprestadas com direitos políticos preservados, a exposição chega a 76,5 milhões de ações, totalizando 20,11% do capital. Antes, a Perfin já aparecia entre os investidores relevantes da companhia, com cerca de 15%.
Em comunicado publicado pela Copasa, a gestora diz que a participação tem caráter de investimento e não busca alterar o controle da companhia. Mas o tamanho da posição muda a leitura do mercado. A Perfin também afirma que indicou e pretende continuar indicando membros para o conselho de administração da empresa recém-privatizada.
A Perfin é uma gestora de perfil discreto, mas aumentou fortemente sua presença no mercado nos últimos anos. Em 2025, a casa ganhou destaque ao participar, ao lado do BTG Pactual (BPAC11) e da Aguassanta, da capitalização da Cosan (CSAN3), a holding de Rubens Ometto. A operação ajudou a desalavancar a companhia e levou a Perfin a integrar o novo acordo de acionistas da empresa.
“Em 2024, a Perfin Infra avançou na ambição de gerar impacto real por meio de investimentos em saneamento, transmissão, logística e soluções climáticas baseadas na natureza.”
A frase é de Ralph Gustavo Rosenberg, gestor da Perfin Infra, no relatório de sustentabilidade de 2024 da casa. Ela ajuda a explicar o timing da Copasa. A gestora não está apenas comprando uma ação líquida após uma privatização. Está aumentando exposição a um setor que já aparece no centro de sua estratégia de infraestrutura.
Uma gestora com tese em ativos regulados
Criada em 2007, a Perfin se apresenta como uma combinação de três gestoras independentes: Perfin Infra, Perfin Equities e Perfin Wealth Management. No fim de 2024, tinha mais de R$ 36 bilhões sob gestão, distribuídos entre infraestrutura, gestão patrimonial e ações.
A Perfin Infra é a parte mais relevante para a Copasa. A vertical tinha R$ 15 bilhões sob gestão no fim de 2024, contra R$ 12 bilhões um ano antes. A casa diz que investe em projetos privados e ações listadas, sobretudo nos setores de geração, transmissão, saneamento, rodovias, logística e carbono.
Esse histórico importa porque saneamento exige capital paciente. Também exige leitura regulatória, capacidade de lidar com municípios e presença em conselhos. Não é uma tese de curto prazo. É uma disputa sobre base de ativos, tarifas, capex, universalização e governança.
Nos últimos anos, a Perfin Infra diz ter implantado cerca de R$ 16 bilhões em capex. Também afirma ter devolvido, ou acordado distribuir, mais de R$ 8 bilhões em menos de três anos. Segundo a gestora, o menor retorno entregue aos cotistas dos fundos da Perfin Infra foi de 22% ao ano desde o início das atividades.
Esses números ajudam a explicar por que a posição na Copasa chama atenção. A Perfin não chega como investidor passivo. A casa tem histórico em infraestrutura, trabalha com parceiros estratégicos e diz atuar com disciplina de capital, alinhamento de interesses e visão de longo prazo.
Na Copasa, essa postura fica explícita. Embora diga que não pretende alterar o controle da companhia, a Perfin afirma que indicou e pretende continuar indicando membros para o conselho de administração. A gestora está comprando exposição econômica, mas também preservando voz política.
O operador e o cobrador
A Equatorial Energia (EQTL3) seguirá como o nome operacional da privatização da Copasa. A companhia aceitou comprar 30% da empresa de saneamento de Minas por R$ 5,59 bilhões, ou cerca de US$ 1,1 bilhão. A Perfin entra como investidor de infraestrutura com peso suficiente para fiscalizar, cobrar e influenciar decisões.
A diferença entre os papéis pode definir a nova Copasa. A Equatorial quer eficiência, redução de custos e retorno regulado. A Perfin quer exposição a um ativo de saneamento com base protegida, WACC elevado e potencial de reprecificação. O Estado de Minas Gerais, ainda com golden share, continuará com poder político sobre temas sensíveis.
Essa combinação cria uma governança mais complexa do que uma simples privatização. A Copasa terá um acionista de referência, um investidor financeiro forte, um Estado com vetos e municípios que precisam aderir ao novo modelo. O valor da tese dependerá da convivência entre esses atores.
Na Cosan, a Perfin entrou em uma operação de estabilização financeira. Na Copasa, entra em uma tese de transformação regulada. Em ambos os casos, a gestora aparece quando capital, governança e controle passam a decidir valor.
O risco é que o mercado trate a Perfin como coadjuvante da Equatorial. A gestora diz que não busca controle. Mas, em empresas reguladas, influência nem sempre depende de controle formal. Às vezes, basta capital, conselho e paciência.







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