Meta Pixel

Update: PicPay nega irregularidades em descontos na folha de servidores do DF

Operação do Ministério Público do Distrito Federal mira BRB, GDF e fintech em investigação sobre antecipação salarial.

PicPay monetização da base em nova fase de crescimento e lucro, segundo relatório do BTG Pactual

By Brazil Stock Guide — O PicPay, por meio de seu veículo listado na Nasdaq, a PicS N.V. (Nasdaq: PICS), negou irregularidades e rejeitou a alegação de cobrança indevida em operações de antecipação salarial oferecidas a servidores públicos do Distrito Federal, depois que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou a Operação Juro Zero para apurar um suposto esquema de fraudes envolvendo agentes públicos e privados.

O MPDFT informou que as investigações apontam a prática de crimes graves e prejuízo estimado em mais de R$ 81 milhões. Segundo o órgão, o caso envolve descontos realizados nas folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal e também apura a participação de Ney Ferraz Júnior, então secretário de Economia do DF, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB.

O PicPay afirmou que seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a mecanismos de controle e supervisão. A empresa disse ainda que o valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, após solicitação feita pelo usuário no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.

O MPDFT informou que foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e em Curitiba. As medidas foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. São Paulo é onde fica a sede do PicPay. Segundo o MPDFT, não houve prisões durante a operação.

O MPDFT informou ao Brazil Stock Guide que o processo relacionado à Operação Juro Zero tramita sob sigilo.

A operação é coordenada pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Segundo o MPDFT, as diligências têm o objetivo de preservar provas, identificar a participação dos envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

Entre os possíveis crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, lavagem de dinheiro, crimes contra a economia popular, crimes contra as relações de consumo e organização criminosa.

A investigação está dividida em duas frentes.

A primeira envolve o produto denominado “antecipação salarial, sem ônus para o Distrito Federal”, ofertado pela Conta PicPay e pelo Cartão Benefício. De acordo com o MPDFT, há indícios de que a modalidade tenha funcionado como operação de crédito com cobrança de encargos financeiros, embora tenha sido apresentada como serviço sem juros.

Os descontos vinculados ao produto ultrapassaram R$ 80 milhões, segundo o MPDFT. Em 2024, os valores dos empréstimos a título de “antecipação salarial” descontados em folha somaram R$ 11,7 milhões. Até agosto de 2025, a cifra saltou para mais de R$ 70 milhões, de acordo com o órgão, mediante cobrança de juros.

O MPDFT afirmou que a modalidade foi implementada sem estudos prévios sobre impactos econômico-financeiros para os servidores, sem definição de limites para as cobranças e sem mecanismos adequados de fiscalização. Para o Ministério Público, os percentuais cobrados teriam alcançado, em alguns casos, taxa efetiva anualizada superior a 261% ao ano.

A segunda frente investigada envolve descontos realizados em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal, a ASDF, e de empresas a ela relacionadas, entre elas a JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda., conhecida como CBBrazil; a Peak Sociedade de Empréstimo entre Pessoas S.A.; e a Vemcard.

Conforme as investigações, essas empresas ofereciam operações de crédito a servidores públicos por meio de descontos em folha vinculados a códigos destinados a benefícios associativos e de saúde. O MPDFT apura possíveis irregularidades na utilização dessas rubricas e a existência de cobranças sem autorização válida dos servidores ou em desacordo com a finalidade declarada.

Segundo o MPDFT, a arrecadação da ASDF registrou crescimento superior a 48.000% em menos de dois anos.

As consignações em folha foram operacionalizadas por meio do sistema Consigserv, utilizado pelo BRB, pela BRB Serviços S.A. e pela Neoconsig Tecnologia S.A., de acordo com o Ministério Público.

Entre os nomes citados em reportagens locais como alvos da operação estão Ney Ferraz Júnior; Paulo Henrique Costa; e Eduardo Chedid Simões, CEO do PicPay. Chedid está no comando do PicPay desde 2022 e, em 2024, passou também a liderar a holding internacional do grupo. Com mais de três décadas de experiência no setor de meios de pagamento, foi CEO da Elo, vice-presidente comercial da Cielo, vice-presidente da Visa e diretor da Credicard. Também integrou o conselho da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços entre 2015 e 2021.

A Secretaria de Economia do Distrito Federal informou, em nota, que está colaborando com as autoridades e garantindo acesso às instalações e aos materiais solicitados. A pasta afirmou ainda que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos, e não a atuação institucional da Secretaria.

A Operação Juro Zero amplia o escrutínio sobre o modelo de consignações e antecipações salariais vinculadas à folha pública do Distrito Federal, um mercado sensível por envolver acesso direto aos contracheques de servidores e autorização estatal para descontos automáticos.

O caso ainda está em fase investigativa. Não há conclusão judicial sobre a existência de fraude ou responsabilidade dos citados.

Leia a íntegra da nota da PicPay:

“O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.

A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.

O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.

O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.

A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.”


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo