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Copasa: entre dois polos

Venda de 30% cria investidor âncora, mas minoritário relevante e golden share do Estado limitam o controle pleno.

A Copasa entrou na fase decisiva de sua privatização ao abrir a janela de inscrição até o dia 8 de maio para investidores interessados em se tornar sócios estratégicos da empresa de saneamento de Minas Gerais. O processo prevê a venda, via oferta de ações, de cerca de 30% do capital — o que pode movimentar aproximadamente R$ 7 bilhões ao valor de mercado atual na Bolsa.

O formato em si não é novo. Assim como ocorreu na Sabesp, o Estado não vende tudo: escolhe um investidor de referência para assumir um bloco relevante e liderar a estratégia de universalização dos serviços, mantendo para si uma golden share e cerca de 5% das ações. Em tese, isso combina capital privado com algum grau de influência pública. Na prática, o sucesso do modelo depende de quão claras são as regras do jogo — e de quem mais está sentado à mesa.

A Copasa chegará à oferta — se sair mesmo — com um detalhe que complica o roteiro: já existe um acionista privado com cerca de 15% do capital, a Perfin, uma gestora que tem o BTG Pactual entre seus sócios. Isso não impede a privatização, mas altera sua natureza. O investidor que comprar os 30% não estará diante de uma base pulverizada, e sim de outro bloco relevante já posicionado. O controle, portanto, deixa de ser automático e passa a depender de alinhamento entre acionistas relevantes.

Os documentos divulgados até aqui pela Copasa explicam como o investidor entra na operação, mas ainda deixam em aberto como o poder será exercido depois. A lei prevê um poder de veto do Estado por meio da golden share, mas com escopo restrito — concentrado em aspectos institucionais e na preservação de regras de governança, como eventuais limites ao direito de voto.

Ainda assim, faltam detalhes sobre sua aplicação prática, assim como sobre a eventual existência de mecanismos típicos de mercado, como gatilhos de oferta pública em caso de aumento de participação. Há muitas dúvidas que dependem também das sugestões a serem tratadas e incorporadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e da quantidade de municípios que farão adesão ao plano de universalização. Até agora, apenas Belo Horizonte tem um contrato de longo prazo refeito com a Copasa.

Sem essas definições, o risco para grupos não alinhados pode ser tanto político quanto de governança. A Copasa pode não estar vendendo controle pleno, mas algo mais sutil: um assento relevante em uma mesa já ocupada. Em leilões de privatização, isso raramente sai pelo preço cheio.

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