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Usiminas cobra mais proteção contra aço asiático além da China

Importações sobem até 78% fora do país asiático, antidumping ainda não surte efeito e empresa vê risco estrutural no fluxo global.

Cade fines CSN

By Brazil Stock Guide – A Usiminas (USIM5) elevou o tom por mais proteção comercial no Brasil ao afirmar, durante a teleconferência de resultados do 1T26, que a pressão das importações de aço permanece elevada — e mudou de geografia. Mesmo após medidas antidumping contra produtos chineses, a companhia alertou que o fluxo segue intenso via países asiáticos como Coreia do Sul e Vietnã, colocando em risco a recuperação recente das margens.

Margem volta, mas sob pressão

A siderúrgica reportou EBITDA consolidado de R$ 653 milhões, alta de 56% frente ao trimestre anterior, sustentado por uma estratégia de priorização de rentabilidade. A empresa reduziu volumes, mas elevou a qualidade do mix, com maior exposição ao setor automotivo. “O EBITDA mostra um aumento significativo frente ao trimestre anterior, reflexo de um melhor mix de produtos em siderurgia”, disse o CFO, Diego Garcia.

Os despachos de aço caíram cerca de 7%, enquanto a receita por tonelada subiu quase 5%, levando a margem da siderurgia de volta a níveis de dois dígitos.

Importações aceleram e mudam de origem

O avanço das importações foi um dos principais pontos de atenção do call. Segundo a companhia, o volume total importado cresceu cerca de 30% no 1T26 frente ao trimestre anterior, impulsionado por uma corrida antecipada antes da entrada em vigor das tarifas.

Mais relevante foi a mudança de origem. As importações de países asiáticos fora da China avançaram 78% na comparação anual, com destaque para Coreia do Sul, Vietnã e outros países do Sudeste Asiático, além do Egito, que quadruplicou volumes. “Certamente as importações do primeiro trimestre foram excessivamente elevadas”, afirmou o vice-presidente comercial, Miguel Camejo.

Segundo ele, o fenômeno reflete um problema maior. “Essa situação gera um impacto indireto, com esses países derivando material excedente de seus mercados internos para o Brasil.”

Fluxo estrutural, não episódico

Para a Usiminas, esse movimento não é pontual. Ainda que o pico recente tenha sido amplificado por antecipação de compras, inflando estoques ao longo da cadeia, a leitura da companhia é que o fluxo tende a persistir.

A lógica é de desvio de comércio. À medida que o Brasil restringe o aço chinês, produtores de outras regiões passam a ocupar esse espaço, muitas vezes sob condições comerciais semelhantes. Com estoques elevados, o segundo trimestre pode mostrar uma acomodação técnica. Mas o risco relevante está no médio prazo, quando a pressão competitiva pode retornar com força caso não haja reforço das medidas de defesa comercial.

Antidumping ainda não apareceu

Apesar das tarifas sobre laminados a frio e revestidos, a empresa reconhece que o efeito ainda não chegou ao mercado. “É um fato que ainda não vemos esse impacto das medidas definidas no início do ano”, disse Camejo. A explicação está no timing. Importadores anteciparam compras em fevereiro e março, elevando estoques e atrasando a normalização da demanda doméstica. A expectativa é que esse ajuste ocorra apenas no segundo semestre de 2026.

Laminado quente é o próximo teste

Diante desse cenário, a investigação sobre laminados a quente da China, com decisão esperada para julho, ganha centralidade. “É muito relevante a implementação definitiva das medidas antidumping para bobina quente”, afirmou Camejo. A companhia ainda não observa queda nas importações desse segmento e vê risco de repetição do ciclo de antecipação.

Custos sobem, preços tentam acompanhar

O ambiente de custos também piora. A empresa projeta alta em placas, carvão, coque, energia e fretes, pressionados pelo aumento do petróleo e do gás.

“Praticamente todas as matérias-primas vão sofrer aumento”, disse Garcia. Para compensar, a Usiminas implementou reajustes de cerca de 5% nos preços a partir de abril no mercado spot e de distribuição, mantendo foco em rentabilidade.

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