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Aço com fôlego curto

Preços e demanda reagem após tarifas antidumping, mas o setor enfrenta desafios.

A indústria de aço brasileira parece finalmente tirar a cabeça acima da água. Em abril, os preços subiram até 6% — com a bobina a quente avançando cerca de 3% e o vergalhão 6% — enquanto a demanda doméstica reagiu após um início fraco de 2026. Em março, as vendas no mercado interno cresceram entre 5% e 6% na comparação anual, um sinal relevante para um setor que vinha operando com margens próximas das mínimas de uma década.

Mas essa melhora tem uma origem clara. Em fevereiro, o Brasil elevou de forma agressiva sua proteção comercial, com tarifas antidumping que chegam a até $709 por tonelada sobre produtos como aço galvanizado e laminado a frio, válidas por até cinco anos. O efeito foi imediato: as importações de aço plano caíram cerca de 30% no mês seguinte, reduzindo a penetração de importados de 33% para 23%. Ainda elevada, mas na direção certa.

Os números sugerem recuperação. Mas refletem, sobretudo, uma intervenção deliberada — o efeito de uma política comercial ativa.

O problema estrutural, no entanto, permanece. O excesso global de aço — liderado pela China — segue sem solução, com exportações elevadas e pouca evidência de cortes relevantes de produção. No Brasil, o aço longo ainda enfrenta aumento de capacidade e competição doméstica, enquanto custos mais altos — de sucata, carvão e frete — sustentam preços mais por necessidade do que por força de demanda. Mesmo com a melhora recente, o poder de precificação segue limitado.

O que essas medidas de proteção comercial realmente compram é tempo.

E tempo, em setores cíclicos, é um teste. O horizonte de até cinco anos de proteção cria uma janela rara para recompor margens e disciplinar oferta. Mas também reduz o senso de urgência. Parte do mercado já começa a precificar uma normalização de rentabilidade quando o setor ainda depende de barreiras para sustentar preços.

Por enquanto, o setor respira melhor. A questão é o que fará com esse tempo para elevar a produtividade. Em outras palavras, saber se aprendeu a nadar nessa travessia de cinco anos — ou se apenas encontrou um bote salvavidas para não voltar a afundar.


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