O Banco do Brasil ainda paga a conta da crise de crédito no agro. O lucro subiu 13,9% no segundo trimestre, para R$ 3,9 bilhões, mas o ROE ficou em 8,3% e o custo do crédito em R$ 18,5 bilhões. A melhora dos novos NPLs sugere alguma estabilização, mas o banco entra na segunda metade de 2026 ainda carregando os efeitos do último ciclo ruim justamente quando um El Niño potencialmente forte aumenta o risco de novos choques no campo.
O problema do crédito rural é conhecido. A MP 1.314 criou linhas para alongar dívidas de produtores, e o BB já reestruturou R$ 39,3 bilhões. Mesmo assim, a perda esperada dessa carteira segue em 10,9%. Há alguma melhora: o fluxo de novos NPLs do agro caiu para 1,37% no segundo trimestre. Mas o custo do crédito ainda chegou a R$ 37,3 bilhões no semestre, alta de 43,3%, pressionado sobretudo por agro e pessoas físicas.
É aí que o próximo El Niño ganha peso. A proteção contra o risco agrícola caiu: a parcela do custeio com mitigadores recuou de pouco mais da metade para pouco mais de um terço em duas safras. Menos seguro e menos proteção deixam mais risco com o produtor e, no fim, com o banco. Esse é o ponto que sucessivas renegociações não resolvem. O Brasil ficou melhor em tratar o problema depois que ele aparece, mas não necessariamente em dividi-lo antes da perda.
Para o BB, isso é estrutural. O banco responde por 49,1% do financiamento ao agronegócio e por 56% do crédito direto ao produtor rural pessoa física. Quando o ciclo vira, sua escala o transforma no principal amortecedor financeiro do setor. A queda dos novos NPLs mostra que a carteira pode estar estabilizando, mas a margem de segurança continua estreita. Refinanciar ajuda, alongar prazos ajuda e reforçar garantias ajuda. Nenhuma dessas medidas faz chover. Se o próximo El Niño vier forte, o teste será de um modelo ainda mais preparado para refinanciar o risco do que para reparti-lo antes que a safra dê errado.













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