By Brazil Stock Guide — A Sinovac pretende ampliar sua presença internacional por meio de produção local e transferência de tecnologia, uma estratégia que inclui o Brasil, onde a fabricante chinesa de vacinas planeja construir uma fábrica própria no interior de São Paulo.
A empresa ainda não definiu o município que receberá a unidade brasileira.
A estratégia de expansão foi detalhada por executivos da Sinovac durante a 27ª Reunião Anual da Developing Countries Vaccine Manufacturers Network (DCVMN), realizada em Pequim, que reúne fabricantes de vacinas de países em desenvolvimento.
Yin Weidong, chairman e CEO da Sinovac, disse que a companhia pretende ampliar não apenas o acesso a vacinas, mas também às tecnologias necessárias para produzi-las.
Segundo o executivo, transferência de tecnologia, treinamento de profissionais e desenvolvimento de capacidade produtiva regional serão importantes para que diferentes países construam estruturas próprias de pesquisa, desenvolvimento e fabricação.
O movimento marca uma nova etapa da internacionalização da indústria chinesa de vacinas, que ganhou escala durante a pandemia de Covid-19.
Fabricantes chineses, incluindo a Sinovac, forneceram mais de 2,3 bilhões de doses de vacinas contra a Covid-19 para mais de 120 países e organizações internacionais, segundo Yin.
Agora, a estratégia busca avançar além da exportação de doses.
Representantes da indústria chinesa disseram durante o encontro que a expansão internacional pode envolver produção nos mercados locais, transferência de tecnologia, pesquisa clínica e relações de longo prazo com governos e parceiros estratégicos.
No Brasil, a Sinovac pretende instalar uma fábrica própria no interior paulista. A localização ainda está em estudo.
A companhia também mantém uma frente de transferência de tecnologia no país em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), separada do projeto da futura fábrica própria.
China amplia capacidade
A expansão internacional se apoia na escala construída pela indústria chinesa nas últimas décadas.
A China tem mais de 40 fabricantes de vacinas, com produção anual superior a 1 bilhão de doses de imunizantes de rotina, segundo dados apresentados no encontro. Durante a pandemia, a produção superou 5 bilhões de doses. Mais de 95% das vacinas utilizadas no programa nacional de imunização são fornecidas por fabricantes chineses.
Shen Hongbing, administrador da Administração Nacional de Controle e Prevenção de Doenças e vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, disse que produção conjunta, transferência de tecnologia e capacitação profissional podem ajudar a ampliar a capacidade de fabricação de vacinas nos países em desenvolvimento.
A inovação também faz parte dessa estratégia. Yin citou o uso de inteligência artificial em pesquisa e desenvolvimento, fabricação, serviços de imunização e comunicação em saúde.
Executivos presentes no encontro também apontaram vacinas combinadas, novas formas de administração, adjuvantes avançados e o desenvolvimento de novos imunizantes entre as tendências que devem influenciar o próximo ciclo do setor.
A futura fábrica brasileira colocará o país dentro dessa estratégia de internacionalização da produção da Sinovac. A próxima definição será a escolha do município do interior paulista que receberá a unidade.













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