By Brazil Stock Guide – By Brazil Stock Guide – A Rede D’Or São Luiz (B3: RDOR3) vê a oncologia cada vez mais como um de seus principais motores de crescimento, com a receita do segmento avançando a um ritmo superior ao dobro do registrado pelo negócio hospitalar no segundo trimestre.
A receita com oncologia, infusões e terapias cresceu 22,3% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 1,15 bilhão, impulsionada por um aumento de 15,2% no volume e de 6,1% no ticket médio. No primeiro semestre, a receita do segmento chegou a R$ 2,22 bilhões, alta de 23%.
O desempenho se compara a um crescimento de 9,9% da receita bruta dos serviços hospitalares no trimestre e reforça a crescente importância da oncologia dentro da estratégia de expansão da Rede D’Or.
“Continuamos vendo a oncologia como uma avenida de crescimento importante, uma grande oportunidade à nossa frente de continuar crescendo forte”, afirmou o presidente da Rede D’Or, Paulo Moll, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre.
A oncologia ainda é significativamente menor que a operação hospitalar da Rede D’Or, que gerou R$ 9,87 bilhões em receita bruta no trimestre, mas já se tornou um dos negócios de saúde que mais crescem dentro do grupo.
Cuidado integrado é o principal diferencial
A Rede D’Or considera que sua principal vantagem competitiva em oncologia está na integração dos serviços de tratamento do câncer com sua rede hospitalar.
O paciente pode passar por diagnóstico, quimioterapia, radioterapia, cirurgia e radiologia intervencionista dentro do mesmo ecossistema de saúde, permitindo ao grupo participar de uma parcela maior de toda a jornada de tratamento.
“Essa integração, a gente diria que é o grande diferencial que a gente consegue oferecer para os médicos e, principalmente, para os pacientes”, afirmou Moll.
O executivo também destacou a equipe de oncologia liderada pelo médico Paulo Hoff e disse que o negócio construiu uma relação de forte confiança com as operadoras em torno da qualidade clínica e dos protocolos de tratamento.
“A gente tem uma equipe aqui de oncologia fantástica”, disse Moll. “Tem uma respeitabilidade muito grande, uma confiança muito grande das operadoras no tipo de serviço, na seriedade, na qualidade e também na eficácia dos protocolos que a gente preconiza.”
O modelo também reforça uma mudança mais ampla do mix da Rede D’Or em direção a procedimentos de maior complexidade, à medida que mais tratamentos oncológicos e procedimentos relacionados são realizados dentro dos hospitais do grupo.
Oncoclínicas entra no debate dos investidores
O ambiente competitivo ganhou espaço durante a teleconferência quando o analista Maurício Cepeda, do Morgan Stanley, perguntou se o enfraquecimento da rival Oncoclínicas (B3: ONCO3) estaria ajudando a Rede D’Or a capturar volumes adicionais em oncologia.
Moll evitou endossar diretamente essa interpretação.
Em vez disso, afirmou que a maior parte do crescimento da Rede D’Or em oncologia deverá vir de uma maior penetração entre as operadoras que já mantêm relacionamento com o grupo, e não de uma transferência relevante de participação de mercado vinda de um único concorrente.
“A maior parte do nosso crescimento vai vir do portfólio de operadoras que a gente já se relaciona”, disse Moll.
O executivo reconheceu que novas operadoras podem passar a trabalhar com a Rede D’Or, mas indicou que essa deverá ser uma fonte secundária de expansão.
A mensagem da companhia é que sua estratégia em oncologia não depende das dificuldades de um concorrente. A administração considera que sua própria rede hospitalar e as relações já estabelecidas com fontes pagadoras oferecem espaço suficiente para sustentar o crescimento orgânico do segmento.
Rede D’Or não pretende assumir risco atuarial
Moll também estabeleceu um limite claro para a adoção de modelos alternativos de remuneração em oncologia.
Questionado sobre a possibilidade de a Rede D’Or adotar modelos de compartilhamento de receita ou de risco para ampliar sua presença em planos de saúde mais acessíveis, o executivo afirmou que o grupo está aberto a diferentes formatos comerciais com as operadoras, mas não pretende assumir o risco atuarial do tratamento oncológico.
“Dizer que a gente aqui, como prestador de serviço, vai tomar o risco atuarial da parte oncológica, a resposta seria não”, afirmou Moll. “A gente entende que o risco atuarial não faz parte do tipo de risco que uma operação de prestação de serviço deveria tomar.”
A Rede D’Or pretende continuar discutindo com as operadoras preços, protocolos de tratamento e outras estruturas comerciais, mantendo o risco de seguro com a fonte pagadora.
Crescimento vem acompanhado de maior complexidade
A expansão da oncologia também faz parte de uma mudança mais ampla no mix hospitalar da Rede D’Or.
O volume de cirurgias cresceu mais de 10% no segundo trimestre, enquanto as cirurgias eletivas avançaram mais de 11%.
O aumento da complexidade dos procedimentos está ajudando a elevar a receita por paciente. O ticket médio hospitalar cresceu 11,2% em relação ao ano anterior, mesmo com a administração afirmando que os reajustes cobrados das operadoras continuam apenas modestamente acima da inflação.
“A gente está vendo o ticket andar mais, mas isso não é por reajustes de dois dígitos”, disse Moll. “Isso está muito mais ligado ao mix. A gente vem fazendo mais cirurgias, mais cirurgias complexas.”
A oncologia reforça essa dinâmica. O tratamento do câncer normalmente combina medicamentos, exames, procedimentos e infraestrutura hospitalar, tornando o segmento uma parte cada vez mais relevante da estratégia da Rede D’Or de avançar em medicina de maior complexidade.













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