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Só 2% dos conselhos de administração no Brasil têm alguém com experiência em IA

Levantamento com as 336 companhias abertas mostra que apenas sete conselhos têm experiência executiva documentada na área.

By Brazil Stock Guide — Apenas sete dos 336 conselhos de administração das companhias abertas brasileiras com ações negociadas na B3, ou cerca de 2% do total, têm ao menos um integrante com experiência executiva documentada em inteligência artificial (IA), segundo levantamento da C&S Governança Corporativa Integrada. Em dados e analytics, a presença é ainda menor, restrita a quatro conselhos.

A despeito da disseminação das ferramentas de inteligência artificial, Os números mostram que a experiência diretamente ligada às novas tecnologias ainda é rara nos colegiados encarregados de supervisionar a estratégia das empresas. Cibersegurança aparece em apenas três conselhos, enquanto experiência em digital e inovação está presente em 16% e tecnologia, de forma mais ampla, em 15%.

O levantamento analisou as 336 companhias abertas brasileiras com ações na B3, cobrindo 2.171 cadeiras efetivas ocupadas por 1.838 pessoas. O estudo foi feito com informações públicas dos Formulários de Referência entregues à Comissão de Valores Mobiliários, além de dados da própria autarquia e da B3.

O contraste é grande com as áreas tradicionais de atuação dos conselhos. Cerca de 90% dos colegiados têm alguém com experiência em estratégia e execução, 75% em finanças e M&A e 62% em riscos, compliance e ESG. Em 87% há pelo menos um ex-CEO ou ex-diretor-geral.

Já a dimensão chamada pelo estudo de Tecnologia e Novas Fronteiras, que inclui tecnologia, transformação digital, inovação, dados e IA, aparece em apenas 28% dos conselhos. No total de cadeiras, somente 5% são ocupadas por pessoas com experiência nessa dimensão, ante 46% com trajetória em estratégia e execução.

Mesmo entre os conselhos com experiência tecnológica, o conhecimento costuma estar concentrado. Em 75 dos 94 colegiados que possuem esse repertório, ou 80%, ele depende de uma única pessoa, o que significa que uma substituição pode eliminar essa experiência do conselho.

A comparação entre 2022 e 2026 mostra que os conselhos mudaram mais na área regulatória do que na tecnológica. Entre as mesmas 317 companhias acompanhadas durante o período, a presença de experiência em Riscos, Compliance e ESG subiu de 54,6% para 61,8%, avanço de 7,3 pontos percentuais e a única variação estatisticamente significativa entre as cinco dimensões analisadas.

Tecnologia e Novas Fronteiras, por outro lado, passou de 28,7% para 28,4%, praticamente sem alteração. Pessoas e Organização recuou de 13,2% para 11,7%.

O avanço da agenda de riscos foi puxado principalmente pelas áreas jurídica e regulatória, cuja presença cresceu 7,6 pontos percentuais, e sustentabilidade e ESG, com alta de 5,7 pontos. O período também coincidiu com novas exigências de governança, independência, diversidade e divulgação de informações pelas companhias abertas, embora o estudo ressalte que os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito.

A pouca mudança em tecnologia ocorreu apesar de uma renovação relevante dos conselhos. Entre 2024 e 2026, 31% das 2.069 cadeiras analisadas trocaram de ocupante, e os novos integrantes apresentaram quase o dobro da incidência de experiência tecnológica dos que permaneceram – 7,5% contra 4,3%.

O efeito líquido, porém, foi pequeno. Trinta conselhos ganharam experiência em tecnologia e 27 a perderam, fazendo a cobertura subir apenas de 27,4% para 28,4% no período.

No conjunto, apenas 10 dos 336 conselhos, ou 3%, possuem experiência nas cinco dimensões consideradas pelo estudo. A combinação mais frequente reúne Estratégia, Finanças e Riscos, presente em 97 colegiados.

Ao mesmo tempo, 220 conselhos, cerca de dois terços do total, não têm ninguém com experiência executiva nem em tecnologia nem em gestão de pessoas. Apenas 16 contam com experiência nas duas áreas.

O estudo ressalva que mede experiência executiva declarada, e não conhecimento ou competência individual. Para que uma área seja contabilizada, o currículo informado pela companhia precisa mostrar cargo ou função executiva relacionada ao tema.

Assim, um conselheiro com conhecimento de inteligência artificial adquirido como investidor, professor, consultor ou integrante de um comitê pode não ser classificado nessa categoria. Formação acadêmica, cursos e certificações também ficam fora do levantamento.

A fotografia do estudo mostra que a incorporação de experiência em IA e outras tecnologias aos conselhos segue em ritmo bem mais lento do que o avanço dessas ferramentas sobre a estratégia e a operação das companhias brasileiras.


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