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Petrobras e IG4 indicam os novos conselheiros da Braskem

Chapa combina nomes da estatal, do fundo, ex-BNDES, turnaround e conselheiros independentes — sem indicação da Novonor.

By Brazil Stock Guide – A Braskem (BRKM5; BAK) convocou uma assembleia geral extraordinária para 28 de maio que deve formalizar a nova cara de sua governança. O acordo de acionistas entre Petrobras (PETR3; PETR4; PBR) e Shine I FIP, veículo ligado à IG4, já era conhecido em linhas gerais. A novidade mais concreta agora está nos nomes indicados para compor o novo conselho de administração — e no redesenho da diretoria estatutária que acompanhará essa mudança de poder.

A chapa proposta pela administração foi indicada pela Petrobras e pelo FIP, nos termos do novo acordo de acionistas. A Novonor, antiga Odebrecht, aparece no contexto da transação de venda de sua participação, mas não como indicadora da nova composição do conselho. O recado societário é claro: a Braskem começa a deixar para trás a antiga controladora em recuperação judicial e passa a operar sob um arranjo compartilhado entre a estatal e o fundo assessorado pela IG4.

A Petrobras indicou Magda Chambriard, presidente da estatal, como um dos nomes centrais da chapa. Também entram pelo lado da Petrobras William França da Silva, presidente do conselho da Transpetro; Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras; Olavo Bentes David, assessor da presidência da Petrobras e atual vice-presidente do conselho da Braskem; e Paulo Roberto Britto Guimarães, presidente da Bahiainveste, enquadrado como candidato independente.

Do lado do Shine I FIP, a chapa traz Hélio Baptista Novaes, sócio-diretor, CFO e diretor comercial do Grupo IG4; Walter Susini, senior adviser da IG4, da H&H Global e ex-marketing da Coca-Cola; Octavio Cortes Pereira Lopes, executivo com passagem pelo comando da Light, Tok&Stok e Magnesita; e Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, sócio-diretor da MTempo Capital e professor colaborador da Unicamp. O perfil sugere uma combinação de reestruturação, finanças, turnaround e experiência em empresas sob pressão.

Conselheiras independentes

A lista também inclui María Letícia de Freitas Costa, sócia da SLP Consultoria e conselheira de empresas como Mapfre, Dasa, Auren e Localiza, indicada pelo FIP e enquadrada como independente. Isabella Saboya de Albuquerque, conselheira da BrasilAgro e ex-conselheira de Vale, Klabin, BR Malls e IBGC, aparece como candidata independente por indicação conjunta de Petrobras e FIP.

Ao todo, a Braskem propõe um conselho com 11 titulares e mandato de dois anos, até a assembleia ordinária que deliberar sobre as demonstrações financeiras de 2027. A companhia informou que Paulo Guimarães, María Letícia e Isabella Saboya foram enquadrados como independentes, condição que ainda deverá ser deliberada pelos acionistas.

A composição mostra a lógica do novo equilíbrio de poder. A Petrobras leva para o conselho nomes ligados a energia, refino, finanças e estrutura estatal. O FIP leva nomes de private equity, reestruturação, mercado de capitais e gestão de crise. A Braskem, por sua vez, tenta transformar uma troca de controle em um novo desenho institucional.

Diretoria redesenhada

A assembleia também votará mudanças relevantes na diretoria estatutária. A proposta fixa oito cargos: CEO; diretor financeiro e de relações com investidores; diretor de assuntos corporativos; diretor de engenharia, tecnologia e inovação; diretor de governança e conformidade; diretor de mercado consumidor e logística; diretor de operações; e diretor jurídico.

A mudança mais importante é a redução do mandato da diretoria de três para dois anos. A administração pede autorização para que o conselho antecipe o encerramento do mandato atual, que iria até 2027, e inicie um novo ciclo de dois anos. O objetivo é alinhar o mandato da diretoria ao mandato do conselho eleito em 2026.

Na prática, a Braskem quer sincronizar conselho e diretoria dentro da nova estrutura de governança. O acordo de acionistas prevê equilíbrio entre Petrobras e FIP nas indicações para o conselho e para a diretoria estatutária, além da necessidade de consenso em decisões relevantes. A alteração estatutária leva esse pacto para dentro da mecânica formal da companhia.

Menos Novonor

A ausência de uma indicação da Novonor é simbolicamente relevante. Por décadas, a antiga Odebrecht foi o acionista que definiu o rumo da Braskem. O novo arranjo pode ajudar a destravar uma companhia que passou anos sob incerteza societária. A Petrobras é fornecedora estratégica de matéria-prima e acionista relevante. A IG4 chega com discurso de reestruturação e disciplina de capital. A combinação pode dar mais previsibilidade à Braskem em um momento de margens pressionadas, alto endividamento e competição global dura no setor petroquímico.

Leia mais: Petrobras abre mão do controle total da Braskem e divide poder com fundo


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