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Santander Brasil tem queda de 1,9% no lucro, para R$ 3,8 bi

Banco melhora margem no trimestre e segura despesas, mas rentabilidade cai e inadimplência segue pressionada em pessoa física.

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By Brazil Stock Guide – O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado e recuo de 7,3% frente ao quarto trimestre. O resultado mostra um banco ainda rentável, mas operando em um ambiente em que crédito, juros altos e inadimplência continuam cobrando parte da conta do banco espanhol no Brasil.

A queda do lucro não decorreu de uma única linha. O Santander teve receita total praticamente estável, com alta de 0,9% em um ano, para R$ 21,2 bilhões, e conseguiu manter despesas sob controle. Mas a margem financeira recuou 0,7% na comparação anual, o retorno sobre patrimônio caiu para 16,0% e as provisões para devedores duvidosos seguiram elevadas. Na prática, o banco melhorou em algumas frentes, mas não o suficiente para compensar totalmente o custo de operar em um ciclo ainda difícil.

Margem mista

A margem financeira somou R$ 15,8 bilhões, alta de 3,1% contra o trimestre anterior, mas queda de 0,7% em 12 meses. No trimestre, a melhora veio principalmente da margem com mercado, beneficiada pela sensibilidade positiva à queda da taxa de juros e por resultados melhores de tesouraria. Em um ano, porém, o banco ainda sentiu a sensibilidade negativa ao nível elevado dos juros e menores resultados de tesouraria.

A margem com clientes teve desempenho mais favorável no comparativo anual. Ela cresceu 4,8% em 12 meses, apoiada em volume, mix e disciplina de preço, mas caiu 1,4% no trimestre, afetada por menos dias úteis e corridos. É um retrato típico de banco em recuperação gradual: o spread melhora, mas o crescimento ainda é administrado com cautela.

Serviços ajudam

As comissões foram um dos pontos positivos do balanço. A linha cresceu 5,8% em um ano, para R$ 5,4 bilhões, embora tenha caído 5,5% frente ao quarto trimestre por sazonalidade, especialmente em cartões. O avanço anual veio de cartões, seguros, administração de recursos, consórcios, fundos e previdência. Cartões cresceram 9,8% em 12 meses, seguros avançaram 12,2%, administração de recursos subiu 17,7% e fundos e previdência cresceram 20,9%.

Esse crescimento ajuda a explicar a estratégia do Santander. O banco tenta depender menos apenas da expansão da carteira de crédito e mais de uma base de receitas diversificada, com maior peso de serviços, relacionamento, cartões, seguros e investimentos.

Crédito seletivo

A carteira de crédito ampliada fechou março em R$ 705,6 bilhões, queda de 0,4% no trimestre, mas alta de 3,4% em 12 meses. O crescimento veio de forma seletiva. Financiamento ao consumo avançou 14,2% em um ano, crédito imobiliário subiu 10,6%, cartões cresceram 9,1% e PMEs avançaram 9,9%.

A leitura é importante: o Santander não está acelerando crédito de forma indiscriminada. O banco diz manter disciplina na alocação de capital, com foco em negócios estratégicos, gestão de risco e rentabilidade. Em um ambiente de famílias ainda endividadas, crescer menos pode ser parte da defesa do resultado futuro.

Risco ainda pesa

O principal ponto de atenção continua sendo crédito. O resultado de PDD ficou em R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% no trimestre, embora 0,7% menor do que um ano antes. O custo de crédito ficou em 3,73%, estável no trimestre e no ano, mas em nível ainda alto.

A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,3% em março, ante 3,1% em dezembro e 2,8% um ano antes. Em pessoa física, o indicador chegou a 4,9%, enquanto a inadimplência de 15 a 90 dias no segmento atingiu 5,2%. O próprio banco atribuiu essa pressão à sazonalidade do primeiro trimestre, ao cenário macroeconômico desafiador, especialmente na baixa renda, e à menor base da carteira de pessoa física.

Custos contidos

Do lado das despesas, o Santander conseguiu entregar uma defesa relevante. As despesas gerais ficaram estáveis no trimestre e subiram apenas 0,9% em 12 meses, abaixo da inflação. O índice de eficiência ficou em 37,7%, melhora de 1,1 ponto percentual contra o quarto trimestre, mas ainda 0,5 ponto pior que um ano antes.

Essa disciplina evitou uma queda maior do lucro. Em outras palavras, o banco não perdeu resultado por descontrole de custos. O problema está mais na combinação entre margem ainda pressionada no ano, provisões elevadas e retorno menor sobre capital.

Base maior

O Santander também continuou ampliando sua base de relacionamento. O banco informou crescimento de 6% no número total de clientes, para 75,2 milhões, e alta de 3% nos clientes ativos, para 34,2 milhões. A estratégia segue centrada em principalidade, transacionalidade, crédito e investimentos, com iniciativas como o Santander Rewards para reforçar cartões e relacionamento.

O balanço, portanto, tem duas mensagens. A primeira é positiva: o Santander está mais disciplinado, cresce em serviços, preserva capital e mantém custos controlados. A segunda é mais cautelosa: a recuperação da rentabilidade ainda não engrenou plenamente. O lucro caiu pouco em 12 meses, mas caiu. E, enquanto a inadimplência de pessoa física continuar pressionada, a melhora operacional pode seguir aparecendo mais lentamente no resultado final.

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