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Braskem tem prejuízo de R$10,3 bilhões no 4º tri e fecha 2025 no vermelho

Perdas no trimestre apagam melhora do ano, enquanto dívida elevada, passivo de Alagoas e corte de investimentos expõem pressão estrutural.

By Brazil Stock Guide – A Braskem (BRKM5; BAK) registrou prejuízo líquido de R$10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o resultado acumulado e levando a companhia a fechar 2025 com perda de R$9,879 bilhões. O resultado do trimestre ficou próximo do maior prejuízo anual já registrado pela companhia, de R$11,32 bilhões em 2024, evidenciando a deterioração no fim do ano.

Parte relevante do prejuízo veio da reversão de ativos fiscais diferidos, que respondeu por mais da metade da perda no trimestre, após a companhia revisar a probabilidade de uso desses créditos no futuro. A reversão ocorre quando a empresa conclui que não deverá gerar lucro tributável suficiente para utilizá-los, levando ao reconhecimento de despesa de imposto de renda e reduzindo o resultado.

A piora se concentrou no fim do ano. O EBITDA recorrente caiu para R$589 milhões, ante R$810 milhões no trimestre anterior. A receita líquida recuou 7%, para R$16,1 bilhões. No acumulado de 2025, o EBITDA somou R$3,156 bilhões, enquanto o consumo de caixa atingiu R$5,8 bilhões, indicando desalinhamento entre geração operacional e estrutura de capital.

A companhia afirmou que segue focada em disciplina financeira e eficiência operacional, segundo comunicado de resultados.

Brasil perde tração

O principal mercado da Braskem continuou pressionado, com deterioração operacional no trimestre. A taxa de utilização caiu para 59%, refletindo parada programada na Bahia, menor disponibilidade de matéria-prima em São Paulo e ajuste à demanda mais fraca. As vendas de resinas recuaram 6%, enquanto os principais químicos caíram 15%, indicando contração mais forte nos produtos básicos.

Os preços acompanharam a queda dos spreads internacionais, pressionando margens. Com isso, o EBITDA da região ficou em R$772 milhões, uma queda de 30% frente ao trimestre anterior. Efeitos fiscais, como créditos de PIS/Cofins ligados ao REIQ, ajudaram a suavizar o impacto, mas não alteraram a tendência de enfraquecimento operacional.

A fragilidade operacional ocorre em meio a uma estrutura de capital pressionada. A companhia encerrou o período com alavancagem de 14,74 vezes, praticamente estável em relação às 14,76 vezes do trimestre anterior, mas ainda muito acima das 7,42 vezes registradas um ano antes — praticamente o dobro. A dívida bruta somou cerca de R$47 bilhões, enquanto o caixa ficou em aproximadamente R$10,5 bilhões, mantendo espaço limitado de liquidez. O fluxo de caixa segue negativo, com consumo de R$5,8 bilhões no ano, reduzindo a capacidade de desalavancagem.

No curto prazo, o perfil de vencimentos é administrável, mas relevante. A companhia tem cerca de R$5 bilhões em amortizações previstas para 2026, enquanto os vencimentos seguem distribuídos nos anos seguintes, exigindo acesso contínuo ao mercado para rolagem da dívida.

Exterior desigual

Fora do Brasil, o desempenho foi heterogêneo e segue ditado pelo ciclo global. Nos Estados Unidos e na Europa, a operação registrou EBITDA negativo de cerca de R$160 milhões, refletindo paradas programadas, menor disponibilidade de produto e spreads comprimidos em um ambiente de demanda fraca. A combinação de menor produção, volumes mais baixos e preços pressionados reduziu a rentabilidade das operações.

Já o México apresentou a principal melhora operacional do período. A taxa de utilização subiu para 85%, impulsionada pelo aumento da oferta de etano, insumo essencial para a produção petroquímica. Com maior disponibilidade de matéria-prima, a operação conseguiu retomar volumes e diluir custos fixos, permitindo a volta do EBITDA positivo, de cerca de R$60 milhões no trimestre.

Ainda assim, a melhora reflete normalização operacional, e não uma mudança estrutural do mercado. O avanço não foi suficiente para compensar integralmente as perdas em Estados Unidos e Europa, e a operação segue dependente da estabilidade no fornecimento de etano para sustentar a recuperação.

Passivo estrutural

O evento geológico em Alagoas segue como um dos principais riscos estruturais da companhia. As provisões encerraram 2025 em R$3,5 bilhões, após pagamentos e revisões ao longo do ano.

Desde o início do evento, a Braskem já provisionou R$18,0 bilhões, dos quais R$15,3 bilhões já foram desembolsados, evidenciando a dimensão financeira do caso. Os recursos foram destinados à realocação e compensação de moradores, fechamento e monitoramento das cavidades e medidas urbanísticas.

A companhia destacou ainda o acordo de R$1,2 bilhão com o Estado de Alagoas e o avanço na execução dos programas, aumentando a previsibilidade das obrigações. Ainda assim, o passivo remanescente continua relevante e com impacto recorrente no caixa.

O que está em jogo é a capacidade de atravessar o ciclo com múltiplas pressões simultâneas. Além da alavancagem elevada e da geração de caixa fraca, a companhia agora também sinaliza menor visibilidade sobre lucros futuros após a revisão dos ativos fiscais.

Para 2026, a companhia prevê capex de R$2,6 bilhões, cerca de 31% abaixo da média dos últimos seis anos — o menor nível do período, sinalizando postura defensiva para preservar caixa.

Com o resultado do quarto trimestre suficiente para apagar a melhora do ano, a companhia agora aguarda o desfecho da negociação com a IG4 Capital, que assinou acordo com a Novonor para a transferência de controle da Braskem.

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