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EXCLUSIVO: IG4 define novo CFO e jurídico da Braskem antes de assumir o controle

Movimento reforça influência da IG4 antes da transferência de controle, esperada para maio; nome de Helcio Tokeshi como CEO já havia sido antecipado em dezembro

Braskem new CFO and general counsel set ahead of IG4 takeover

By Brazil Stock Guide – A Braskem (BRKM5, BRKM3; BAK) deve nomear Carlos Brandão como CFO e Camilla Tápias como responsável pela área jurídica, segundo apurou Brazil Stock Guide, à medida que a IG4 Capital avança para moldar a liderança da petroquímica antes da provável mudança de controle.

A expectativa no mercado é que a IG4 assuma o controle da companhia em maio, no âmbito da negociação para aquisição da participação da Novonor (ex-Odebrecht), o que já exige a preparação antecipada da nova estrutura de gestão.

Os nomes dos dois executivos se somam à indicação de Helcio Tokeshi como CEO — antecipada pelo Brazil Stock Guide em dezembro, antes de ganhar tração no mercado.

Procurada, a IG4 informou que não irá se pronunciar.

Montagem do núcleo executivo

Os nomes indicam que a IG4 está estruturando o núcleo duro da gestão com foco em disciplina financeira, reestruturação e governança.

Carlos Brandão, managing partner e head de operações da IG4, traz experiência em transformações complexas e gestão de estrutura de capital. Ele passou cerca de 15 anos na Oi, incluindo uma passagem como CFO durante um período marcado por reestruturação e forte pressão no balanço da operadora de telefonia. Foi também CEO da Iguá Saneamento, empresa gerida pela IG4.

Já Camilla Tápias acumula mais de duas décadas de experiência em temas regulatórios e jurídicos, com carreira de mais de 25 anos no grupo Telefônica/Vivo, onde ocupou posições de liderança em assuntos regulatórios e corporativos. Ela deixou a companhia em maio de 2025. Seu perfil indica reforço na condução de temas regulatórios, societários e de contingências em um momento ainda sensível para a Braskem.

Mais do que mudanças pontuais, as indicações sugerem a formação coordenada de uma equipe alinhada a uma agenda de reestruturação.

Transição já em curso

Mesmo antes da formalização do controle, a transição já começou nos bastidores. Segundo apuração do Brazil Stock Guide, executivos ligados à IG4 vêm participando de reuniões com o atual time da Braskem e já se apresentaram a lideranças internas nas últimas semanas, em um movimento que sinaliza a preparação para a mudança de comando.

O processo reforça a percepção de que a nova gestão começa a se consolidar antes mesmo do closing da operação. Há discussões preliminares sobre um possível sistema de rodízio na liderança executiva com a Petrobras, embora o tema ainda não esteja claramente definido.

Controle via dívida

Além disso, a Comissão Europeia aprovou sem restrições nesta terça-feira (dia 7 de abril) a transação, encerrando um dos últimos risco regulatório do negócio. Com a decisão em Fase 1 e via procedimento simplificado, o caminho fica livre para o fechamento do acordo.

A transação em curso entre a IG4 e a Novonor não segue o modelo tradicional de venda de participação, mas uma transferência de controle estruturada a partir da dívida da petroquimica.

Na última década, a Novonor acumulou passivos relevantes e deu suas ações da Braskem como garantia a credores, criando um impasse entre a família Odebrecht e os bancos. A solução encontrada foi a criação do fundo Shine I FIDC, veículo que consolidou cerca de R$21,7 bilhões em ativos e passivos ligados à companhia — volume que evidencia a escala da reestruturação e o grau de alavancagem envolvido na operação.

Nesse arranjo, um fundo de participação ligado à IG4 entra como investidor de equity, assumindo a posição econômica e substituindo a Novonor no bloco de controle, ao lado da Petrobras, que permanece como sócia relevante e principal fornecedora de nafta da companhia.

Entre os principais credores envolvidos estão Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES — instituições centrais na negociação da dívida e na reconfiguração do controle.

Na prática, trata-se de uma operação em que a dívida — e não a compra direta de ações — é o instrumento para viabilizar a transição, transformando um passivo problemático em uma nova estrutura de governança. A recomposição ocorre em um momento crítico para a Braskem, que ainda enfrenta um balanço pressionado, passivos relevantes e um ciclo global desafiador para petroquímicas.

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