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ANS expurga Hapvida e limita reajuste de planos a 5,11%

Regulador confirmou que a VDA da operadora foi tratada como outlier, afastando o risco de um reajuste mais alto para planos individuais e familiares.

ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, health regulator

By Brazil Stock Guide – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou em 5,11% o teto de reajuste dos planos de saúde individuais e familiares para o ciclo 2026/2027 após expurgar a Variação das Despesas Assistenciais da Hapvida da base de cálculo, segundo confirmação da própria agência ao Brazil Stock Guide.

O índice é o menor já definido pela ANS, com exceção de 2021, quando houve reajuste negativo em razão da queda no uso dos serviços de saúde durante a pandemia. A decisão atinge não só os beneficiários da Hapvida mas todoso os cerca de 7,7 milhões de pessoas portadoras de planos individuais e familiares, ou 14,5% dos 52,9 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil, segundo dados de março de 2026.

Possibilidade antecipada

O Brazil Stock Guide já havia apontado, em reportagem publicada em março, que o reajuste dos planos individuais poderia variar de forma relevante a depender do tratamento dado pela ANS à Hapvida. Na ocasião, cálculos do BTG Pactual indicavam que o índice poderia ficar perto de 5,4% em um cenário-base, mas chegar a cerca de 7,8% caso a operadora fosse incluída integralmente na amostra.

A confirmação da ANS mostra que a hipótese central daquela análise se materializou: a Hapvida foi tratada como um dado fora do padrão no cálculo da Variação das Despesas Assistenciais, a VDA, e sua informação não entrou no cálculo final do reajuste.

Hapvida fora da conta

Em resposta ao Brazil Stock Guide, a agência afirmou que, para calcular a VDA, usa um método que descarta valores muito distantes da média do mercado, os chamados outliers, para evitar distorções no resultado. “Neste ano, o valor da VDA da Hapvida entrou nessa categoria de valores fora do padrão e, por isso, não foi incluído no cálculo final”, informou a ANS.

A VDA da Hapvida ficou fora do padrão não apenas por pressão operacional, mas também por um possível efeito de base, segundo fontes do setor de saúde que acompanham o processo. O dado de 2024 teria sido favorecido por um reconhecimento contábil ligado ao Desenrola/SUS, depois questionado pela própria ANS. Com uma base regulatória mais baixa no ano anterior, a variação de 2025 acabou parecendo ainda mais distante da média do mercado.

Na prática, isso significa que a operadora ficou fora de uma das partes mais relevantes da fórmula que definiu o teto de 5,11%. A VDA integra o IVDA, o Índice de Valor das Despesas Assistenciais, que tem peso de 80% no cálculo do reajuste. Os outros 20% vêm do IPCA, excluído o subitem de plano de saúde.

Alívio ao consumidor

Ao tratar a Hapvida como outlier, a ANS preservou a lógica estatística da metodologia e evitou que um comportamento considerado fora do padrão puxasse o reajuste de todo o mercado. Para o consumidor, o resultado é um teto menor no boleto em um ano de juros altos, inflação ainda incômoda e pressão política típica de ciclo eleitoral. Para as operadoras, é menos espaço para recompor custos em um segmento regulado e com baixa flexibilidade de preço.

“Esse é o reajuste mais baixo já definido pela ANS, o que traz alívio para o cidadão que se esforça para manter um plano de saúde para sua família”, afirmou Wadih Damous, diretor-presidente da agência, no comunicado oficial. Segundo ele, o objetivo é buscar equilíbrio entre sustentabilidade do setor e capacidade de pagamento dos beneficiários.

Custo médico

O número baixo não significa ausência de pressão. A própria ANS informou que as despesas assistenciais per capita dos planos individuais regulamentados cresceram 8,32% em 2025 ante 2024. Essa variação reflete aumento nos preços de serviços e insumos médicos, maior frequência de utilização, envelhecimento da base de beneficiários e incorporações no rol de procedimentos da saúde suplementar.

A diferença entre a alta de 8,32% nos custos assistenciais e o reajuste final de 5,11% mostra como a fórmula da ANS atua para suavizar o repasse ao consumidor. Além da variação das despesas, o cálculo considera ajustes por faixa etária e ganhos de eficiência, evitando que todo o aumento de custo seja transferido automaticamente para as mensalidades.

“O resultado é reflexo de uma metodologia baseada no comportamento do setor, considerando tanto o aumento dos custos assistenciais quanto a frequência de utilização dos serviços”, disse Lenise Secchin, diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, também em comunicado. Segundo ela, a fórmula busca evitar aumentos excessivos para o consumidor sem comprometer a continuidade da assistência.

Pressão nas margens

Para a Hapvida, o desfecho é particularmente sensível. A operadora é a maior exposição do setor a planos individuais, com cerca de 1,6 milhão de beneficiários nessa carteira, ou 18% de sua base total, segundo dados da ANS.

A aplicação do índice só pode ocorrer no mês de aniversário do contrato. Para contratos com aniversário em maio e junho, a cobrança começará em julho ou, no máximo, em agosto, com retroatividade ao mês de aniversário.

O reajuste de 5,11% encerra uma discussão que vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado. A dúvida era se a Hapvida puxaria o índice para cima. Ao classificar a VDA da operadora como outlier, a agência impediu que um dado fora da curva virasse reajuste para milhões de consumidores. Procurada, a Hapvida não respondeu de imediato o pedido de entrevista.


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