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Acelen fecha pacote de US$ 1,1 bilhão para SAF na Bahia

Estrutura reúne bancos de desenvolvimento, bancos comerciais, debêntures locais e cartas de crédito para viabilizar biorrefinaria de 20 mil barris por dia.

By Brazil Stock Guide – A Acelen fechou um pacote de financiamento e garantias de mais de US$1,1 bilhão para viabilizar sua biorrefinaria de combustíveis renováveis na Bahia, segundo documentos entregues pela companhia à CVM. O valor resulta da soma de diferentes instrumentos financeiros ligados ao projeto, incluindo dívida de longo prazo, debêntures locais, cartas de crédito e linhas de suporte de liquidez.

A parte principal da estrutura soma US$830 milhões em financiamento de longo prazo, sendo US$520 milhões com bancos de desenvolvimento — IDB Invest, IFC, FinDev Canada, AIIB e BNDES — e US$310 milhões com bancos comerciais por meio da Acelen Offshore. A esse montante se somam uma emissão local de debêntures de até R$422,6 milhões, cartas de crédito de até US$100 milhões e uma linha de suporte de liquidez de até US$150 milhões, levando o pacote ampliado para cerca de US$1,15 bilhão.

SAF na Bahia

O projeto será instalado em São Francisco do Conde, no complexo ligado à Refinaria de Mataripe, antiga RLAM, e terá capacidade para processar 20 mil barris por dia de óleo vegetal para conversão em SAF, o combustível sustentável de aviação, e diesel renovável. A escritura da debênture da Acelen Industrial, datada de 13 de maio de 2026, define que os recursos serão destinados ao desenvolvimento, construção, implantação, comissionamento, operação e manutenção da biorrefinaria e de suas instalações acessórias.

A emissão local foi estruturada em 13 séries, com garantia real, prazo de 57 meses e remuneração equivalente a 100% do DI mais spread de 1,92% ao ano. A operação reforça a arquitetura típica de project finance: dívida de longo prazo, garantias robustas, contas vinculadas, contratos do projeto, instrumentos de hedge e proteção para credores.

Mataripe como base

A transação aprofunda a tentativa da Acelen, controlada pelo Mubadala Capital, de transformar Mataripe em uma plataforma mais ampla de energia e transição energética. A refinaria que pertencia à Petrobras é descrita pela companhia como a segunda maior do Brasil, com capacidade de processamento superior a 300 mil barris por dia, 201 tanques, quatro terminais e cerca de 679 km de oleodutos conectando a planta a terminais portuários.

A base operacional ajuda a explicar o apetite dos financiadores. Em 2025, a Refinaria de Mataripe reportou EBITDA de R$2,7 bilhões, lucro líquido de R$719 milhões e receita líquida de R$45,3 bilhões, revertendo o prejuízo de R$1,9 bilhão registrado em 2024. Em dólares, o EBITDA ficou em US$504 milhões, ante US$450 milhões no ano anterior.

A companhia também encerrou 2025 com R$2 bilhões em caixa consolidado e diz ter investido cerca de R$4 bilhões na modernização da planta desde 2021. No ano passado, a produção média anual atingiu 259 mil barris por dia, 6% acima de 2024 e 25% superior ao nível anterior à atual gestão, segundo o relatório da administração da refinaria.

O pacote mostra que a transição energética no refino brasileiro não depende apenas de ambição ambiental. Ela exige escala industrial, contratos de longo prazo, credores internacionais e engenharia financeira pesada. Para a Acelen, o projeto é uma forma de usar a infraestrutura existente de Mataripe para avançar além do refino tradicional, colocando na vanguarda da corrida pela SAF e diesel renovável.


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