Meta Pixel

Beleza algorítmica que ameaça Natura e Boticário

Marca ligada à Shein leva maquiagem das redes sociais ao varejo físico brasileiro e aumenta a pressão sobre players locais.

A Sheglam, marca de cosméticos ligada ao ecossistema da chinesa Shein, chega ao varejo físico brasileiro em junho com cerca de 150 produtos, preços a partir de R$29,90 e uma promessa incômoda para o setor: transformar maquiagem viral das influencers nas redes sociais em venda recorrente na prateleira. A marca quer atingir 2 mil pontos de venda em seis meses e até 3 mil no primeiro ano, em farmácias, perfumarias e lojas de departamento. A meta de faturamento aparece em diferentes leituras entre R$50 milhões e até R$100 milhões no primeiro ano, dependendo do recorte usado. O número exato importa menos que o sinal: o algoritmo quer espaço no balcão.

Para Natura, Avon e Grupo Boticário, o risco não é apenas uma marca chinesa com preço baixo. É uma concorrente nascida em 2019, moldada pela velocidade da Shein e treinada para transformar tendências digitais em produtos rapidamente colocados à venda. Converter tendência em SKU significa pegar aquilo que viraliza — uma cor, uma textura, uma embalagem, um efeito de maquiagem ou uma collab de cultura pop — e transformar isso em item comercial antes que o interesse da consumidora desapareça. Blush líquido, primer hidratante, lip plumper, bases de alta cobertura, produtos multifuncionais e “skinification” não são só categorias. São pequenos veículos de viralização.

O timing também é desconfortável. A XP já vinha alertando investidores para o risco competitivo de social commerce, marcas digital-native e players de influenciadores enquanto a chegada da Sheglam ao varejo físico brasileiro adiciona uma camada de preocupação com marcas asiáticas e comércio cross-border. Ao mesmo tempo, o Grupo Boticário parece mais focado em rentabilidade, com ajustes em frete, sacolas e programa de pontos; a Natura tenta estimular consultoras com campanhas temáticas e menor pedido mínimo em categorias de uso diário; e a Avon busca reconstruir relevância após seu relançamento. O setor está defendendo margem e frequência justamente quando uma rival barata, importada e digital-native tenta capturar desejo.

O contraponto é que viralizar não é o mesmo que construir marca no Brasil. A Sheglam dependerá de uma distribuidora nacional, de reposição eficiente, margem para lojistas, adaptação de tons, controle de estoque e recompra. Sem planos de fabricação local, a operação também fica exposta a câmbio, logística, importação e ao tipo de sensibilidade tributária que já ficou conhecida, em outro mercado, como a “taxa das blusinhas”. Ainda assim, a ameaça não precisa ser devastadora para ser relevante. Basta roubar parte do gasto incremental da consumidora jovem. Em beleza, a fidelidade pesa. Mas novidade, preço e pertencimento também. Sheglam planeja vender seus produtos antes mesmo de chegar à loja.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo