By Brazil Stock Guide – A XP Inc. (XP) reportou lucro líquido ajustado de R$1,318 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 7% sobre o mesmo período do ano anterior, em um resultado que combina crescimento de ativos, maior atividade em renda variável e sinais de pressão em captação e rentabilidade. A receita bruta subiu 8%, para R$4,9 bilhões, enquanto os ativos totais de clientes chegaram a R$1,529 trilhão, avanço de 15% em 12 meses.
A leitura é positiva, mas não linear. A captação líquida total caiu para R$14 bilhões no trimestre, queda de 39% em relação ao 1T25 e de 55% contra o 4T25. O take rate anualizado de varejo também recuou para 1,18%, 7 pontos-base abaixo tanto na comparação anual quanto trimestral. Para uma plataforma cujo valuation depende da combinação entre crescimento de base, monetização e eficiência, esses dois números impedem uma leitura excessivamente confortável.
Bolsa ajuda
O principal motor do varejo foi a recuperação da atividade em renda variável. A receita dessa linha cresceu 22% em relação ao 1T25 e 13% sobre o trimestre anterior, para R$1,167 bilhão. A média diária de negociações no varejo atingiu 2,7 milhões, alta de 23% em um ano. O desempenho compensou parte da fraqueza em renda fixa, cuja receita caiu 25% na comparação anual, para R$756 milhões.
A receita de varejo como um todo somou R$3,773 bilhões, alta de 10% em 12 meses, mas queda de 2% ante o 4T25. A XP também mostrou avanço em verticais adjacentes: previdência chegou a R$98 bilhões em ativos de clientes, cartões movimentaram R$13,3 bilhões e a carteira de crédito expandida somou R$74,3 bilhões, ainda 16% acima do 1T25, apesar da queda de 5% contra o trimestre anterior.
Atacado forte
O Banco de Atacado foi o destaque mais claro do resultado. A receita do segmento cresceu 26% na comparação anual, para R$1,146 bilhão, impulsionada por grandes empresas, mercado institucional e maior demanda por soluções de derivativos, câmbio e trading em um ambiente de volatilidade mais alta. A linha de grandes empresas avançou 78%, para R$498 milhões.
Esse crescimento ajuda a explicar a diversificação da XP para além da imagem original de corretora de investimentos. A companhia hoje carrega uma operação mais próxima de uma plataforma financeira completa, com varejo, atacado, crédito, cartões, previdência, seguros e mercado de capitais. A vantagem é ampliar fontes de receita.
A margem bruta ficou em 67,2%, praticamente estável contra 67,5% no 1T25. O EBT foi de R$1,418 bilhão, alta de 8% em 12 meses, mas queda de 14% na comparação trimestral. A margem EBT ficou em 30,0%, ligeiramente acima do ano anterior, porém 273 pontos-base abaixo do trimestre anterior.
O retorno também perdeu força. O ROAE ajustado caiu para 21,7%, contra 24,1% um ano antes, enquanto o ROTE ajustado recuou para 26,2%, ante 30,2% no 1T25. A XP atribuiu parte desse movimento à manutenção de um nível elevado de capitalização. O índice de Basileia ficou em 20,7%, acima do guidance de 16% a 19% para 2026, dando espaço para retorno de capital.
Capital de volta
A companhia executou cerca de R$200 milhões em recompras no trimestre, anunciou um novo programa de recompra de R$1 bilhão e aprovou dividendos de R$500 milhões, com pagamento previsto para 18 de junho.
A XP também anuncou a troca no comando financeiro. Victor Mansur deixa o cargo de CFO no fim de maio, após mais de 14 anos na companhia. O CEO Thiago Maffra assumirá interinamente a função até a chegada de Gustavo Alejo Viviani, ex-Santander, em agosto. O currículo de Alejo — crédito, varejo bancário, atacado, RI e finanças — sugere que a próxima fase da XP exigirá mais disciplina de banco maduro. A XP continua grande: R$1,5 trilhão em ativos de clientes, quase 4,8 milhões de clientes ativos e 18,3 mil assessores.






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