Meta Pixel

Trabuco vê “gordura” na taxa de juros e Brasil pronto para novo ciclo

Presidente do conselho do Bradesco defende queda da Selic e diz que menor risco Brasil, dólar abaixo de R$ 5 e inflação comportada abrem espaço para reduzir o custo de capital.

Trabuco juros Brasil crescimento em imagem institucional do presidente do conselho do Bradesco

By Brazil Stock Guide – Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, defendeu que a taxa básica de juros no Brasil tem “gordura” para cair e afirmou que o país reúne fundamentos para entrar em um novo ciclo de crescimento com menor custo de capital. Em entrevista ao Times CNBC, o executivo disse que a combinação de inflação mais comportada, dólar abaixo de R$ 5 e risco Brasil em níveis baixos sinaliza espaço para uma política monetária menos restritiva.

A avaliação de Trabuco vem em um momento em que empresas, consumidores e bancos ainda sentem os efeitos de um ciclo prolongado de juros altos. Segundo ele, uma taxa básica excessivamente elevada não apenas encarece o crédito, mas também pode comprometer a solvência dos devedores. “Quando a taxa de juro é muito alta, corre-se o risco de não receber o principal”, afirmou, ao defender juros que caibam no bolso de quem toma crédito.

Custo do crédito

Trabuco afirmou que o sistema bancário brasileiro é sólido, competitivo e capaz de atender à demanda de crédito do país, mas ressaltou que o custo de capital segue elevado. Ele também criticou o peso da cunha tributária sobre a intermediação financeira, dizendo que impostos sobre empréstimos acabam encarecendo o financiamento de consumo, investimento e expansão empresarial.

Para o executivo, a política monetária apertada teve papel relevante no controle da inflação, mas agora já haveria espaço para reduzir parte desse aperto. Ele lembrou que a Selic saiu de níveis muito baixos para patamares próximos de 15% nos últimos anos, movimento que, em sua avaliação, “machucou” especialmente empresários que tomaram crédito para investir em projetos produtivos.

Fiscal e monetário

Um dos pontos centrais da entrevista foi a necessidade de maior alinhamento entre política fiscal e monetária. Trabuco comparou o desalinhamento entre uma política fiscal expansionista e uma política monetária restritiva a um carro em que uma parte pisa no acelerador e outra no freio. Para ele, essa combinação torna a condução econômica desconfortável e reduz a eficiência das duas políticas.

Apesar das ressalvas, o tom do executivo foi otimista. Trabuco disse que o Brasil está em uma fase interessante, com solvência externa, capacidade do Tesouro de colocar seus papéis e sinais de melhora percebidos pelo mercado. A dívida interna ainda preocupa as agências de rating, segundo ele, mas o país tem condições de mudar de patamar se atravessar bem o ano.

Novo ciclo

A leitura de Trabuco é que o Brasil pode se beneficiar de uma combinação rara: menor percepção de risco, câmbio mais favorável, inflação sob controle e um sistema financeiro robusto. Esse conjunto, em sua visão, permitiria reduzir o custo do capital sem abandonar a prudência macroeconômica.

O recado é relevante porque vem de um dos nomes mais influentes do sistema financeiro brasileiro. Ex-presidente do Bradesco entre 2009 e 2018 e hoje presidente do conselho do banco, Trabuco não defende uma guinada irresponsável na política monetária. Sua tese é mais sutil: o país já pagou um preço alto para estabilizar a inflação, e parte desse aperto pode agora ser devolvida à economia real.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo