By Brazil Stock Guide – A possível oferta de ações da Compass chega a um mercado que ainda carrega a ressaca da última safra de IPOs no Brasil. A B3 não vê uma nova leva relevante de aberturas de capital desde 2021, quando juros baixos, liquidez global e apetite por crescimento levaram empresas como Smart Fit, CBA, Desktop, Raízen, Oncoclínicas, Kora Saúde, Vittia, Getnet e Wilson Sons ao mercado.
Cinco anos depois, parte dessa geração virou um alerta para investidores. A CBA teve o controle vendido pela Votorantim para uma joint venture formada por Chinalco e Rio Tinto. A Desktop acabou de ser comprada pela Claro. A Wilson Sons mudou de mãos com a venda do controle para a MSC. A Raízen, um dos maiores IPOs daquele ciclo, entrou em recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívida financeira. Oncoclínicas e Kora Saúde também passaram a conviver com forte pressão de balanço.
A ressaca de 2021
A lista mostra como a janela de 2021 envelheceu de forma desigual. Algumas companhias seguem operando normalmente, como Smart Fit, Brisanet, Armac, Unifique, ClearSale, Vittia e Multi. Mas o retrato agregado ficou menos favorável: várias empresas que chegaram à Bolsa vendendo crescimento, consolidação setorial e escala passaram a buscar compradores estratégicos, renegociar dívida ou enfrentar questionamentos sobre sustentabilidade financeira.
Não foi apenas uma correção de preço. Foi uma mudança de regime. O mercado que comprava expansão passou a exigir geração de caixa. O custo de capital subiu, os múltiplos caíram e a paciência com histórias de crescimento sem balanço forte diminuiu.
O teste da Compass
É nesse contexto que a Compass pode tentar reabrir a janela. A companhia de gás e energia da Cosan tem uma tese diferente da maioria dos IPOs de 2021. Seu principal ativo é a Comgás, distribuidora regulada de gás canalizado em São Paulo, com perfil mais defensivo, geração de caixa mais previsível e exposição a infraestrutura.
Isso ajuda a separar a Compass de boa parte da safra anterior. Mas não elimina o problema. O investidor não avaliará apenas o ativo. Avaliará também a memória recente da B3 — e essa memória ainda é marcada por promessas caras, liquidez curta e teses que tiveram de ser reescritas poucos anos depois.
Leia mais: Compass pode reabrir IPOs no Brasil com oferta de até R$ 4,6 bi








Deixe uma resposta