By Brazil Stock Guide – O Fleury (FLRY3) e a Porto Seguro (PSSA3) decidiram encerrar as negociações envolvendo uma potencial operação com a Oncoclínicas (ONCO3), eliminando a principal alternativa de reestruturação via mercado da companhia.
A Porto informou nesta terça-feira que comunicou à Oncoclínicas, no dia anterior, sua decisão de encerrar as tratativas relacionadas à operação, liberando a companhia da cláusula de exclusividade prevista no term sheet firmado em 13 de março.
A confirmação ocorre após o Fleury anunciar, na noite de segunda-feira, que também deixaria as negociações, encerrando uma tentativa de acordo que durou menos de um mês.
O desfecho coincide com a adoção de medidas judiciais pela Oncoclínicas. A companhia informou que ajuizou, perante o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), um pedido de tutela cautelar para suspender cláusulas de vencimento antecipado de dívida e a exigibilidade de obrigações financeiras. Os pedidos liminares, no entanto, ainda estão pendentes de análise pelo juízo competente.
A empresa chega a esse estágio após deterioração relevante de seus indicadores financeiros. Ao fim de 2025, a dívida líquida financeira, incluindo aquisições a pagar, somava cerca de R$ 2,9 bilhões. A alavancagem atingiu 4,3 vezes o EBITDA na métrica contratual, acima dos limites estabelecidos, enquanto o índice de cobertura de juros ficou em 1,35, abaixo do mínimo exigido de 1,75.
As violações de covenant elevaram o risco de vencimento antecipado das dívidas e levaram à reclassificação de aproximadamente R$ 2,9 bilhões para o curto prazo, intensificando a pressão sobre a liquidez. Tentativas de obtenção de waiver não avançaram após assembleias de debenturistas no fim de março não atingirem quórum.
A operação discutida com Fleury e Porto previa a criação de uma nova entidade (NewCo), que concentraria ativos operacionais e até cerca de R$ 2,5 bilhões em passivos, além de aportes de capital e instrumentos conversíveis.
Paralelamente, a companhia mantinha negociações com credores e investidores financeiros, incluindo o fundo MAK Capital, em torno de alternativas para reorganização dos passivos.
Com a saída dos dois parceiros estratégicos, o processo de reestruturação tende a migrar para negociações diretas com credores, com a tutela cautelar funcionando como mecanismo para evitar a aceleração imediata das dívidas.
A Oncoclínicas afirmou que segue operando normalmente e mantém conversas com credores com o objetivo de alcançar um acordo.







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