By Brazil Stock Guide – O avanço das fintechs no sistema financeiro brasileiro segue ganhando velocidade, enquanto os grandes bancos tradicionais mostram estabilidade. Ranking divulgado pelo Banco Central do Brasil com os 20 maiores players por número de clientes revela que Nubank e Mercado Pago lideram o crescimento entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, enquanto a Stone registra a queda mais relevante da lista.
O Nubank adicionou cerca de 2,7 milhões de clientes no período, atingindo aproximadamente 114,7 milhões e consolidando sua posição como segundo maior banco do país por este critério. O ritmo de crescimento mantém a fintech como principal vetor de expansão da base no Brasil, sustentado por um modelo de aquisição de baixa fricção e forte penetração em serviços financeiros básicos.
O Mercado Pago seguiu trajetória semelhante, com alta de cerca de 2,5 milhões de clientes, alcançando 71,3 milhões. O avanço aproxima a plataforma do grupo dos grandes bancos tradicionais em clientes e reforça o papel das soluções de pagamento como porta de entrada para o sistema financeiro, especialmente entre usuários com menor acesso ao crédito bancário clássico.
Na outra ponta, a queda da Stone — de aproximadamente 1,9 milhão de clientes — destoa do comportamento do setor. Em um segmento historicamente marcado por expansão acelerada, a retração sugere aumento da competição, ajustes na base ou mudanças na dinâmica de adquirência, onde a disputa por escala permanece intensa.

No topo, a Caixa Econômica Federal segue líder isolada, com cerca de 158 milhões de clientes. A base cresce pouco, refletindo maturidade e o peso estrutural de programas sociais e operações de governo.
Entre os privados, o Bradesco teve leve queda, enquanto Itaú Unibanco e Santander Brasil cresceram de forma moderada, reforçando um cenário mais focado em rentabilidade do que em expansão de base. O Banco do Brasil foi o destaque positivo, com ganho relevante de clientes.
Logo abaixo, as fintechs seguem ganhando escala. PicPay e Inter crescem mais rápido que os bancões, consolidando presença nacional. Já C6 Bank e PagBank mostram desaceleração após ciclos mais fortes de expansão.
Na faixa intermediária, o crescimento reflete modelos distintos. BTG Pactual (com Banco Pan) avança com base em crédito e distribuição, enquanto 99Pay e Neon seguem ampliando base com foco em pagamentos, ainda com menor profundidade.
Entre os destaques, a CloudWalk cresce rapidamente, indicando ganho de participação na adquirência. O RecargaPay mantém expansão consistente, embora com menor ticket médio e uso de crédito.
Na base, Banco do Nordeste e Sicredi avançam de forma gradual, sustentados por atuação regional. O ranking também traz distorções relevantes. A presença da Celcoin, uma empresa de infraestrutura, mostra como o indicador inclui relações indiretas, misturando clientes finais com usuários que sequer conhecem a instituição.
Métrica
A métrica utilizada pelo Banco Central combina dados de CCS e SCR, registrando vínculos financeiros e operações de crédito no sistema. Isso significa que o indicador não mede necessariamente clientes ativos ou rentáveis, mas qualquer relacionamento registrado entre uma pessoa e uma instituição.
Na prática, isso inclui desde clientes que utilizam serviços regularmente até usuários que apenas abriram uma conta e nunca movimentaram recursos. Esse efeito tende a ser mais forte em fintechs, cujo modelo de aquisição permite abertura rápida e sem custo, ampliando a base de forma acelerada.
A diferença entre fintechs e bancos tradicionais vai além do número de clientes. Enquanto plataformas digitais crescem com foco em volume e acesso, instituições tradicionais concentram relações mais completas, com maior uso de crédito, investimentos e seguros. Esse modelo garante maior monetização por cliente e explica por que os bancos tradicionais ainda concentram a maior parte dos fluxos financeiros do sistema, mesmo sem liderar o crescimento da base.






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