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Empresas listadas de saúde criam quase 80 mil empregos e ampliam quadro em 48% desde 2019

Levantamento mostra que dez empresas listadas do setor saíram de cerca de 166 mil para 245 mil funcionários; Hapvida e Rede D’Or lideram a expansão.

By Brazil Stock Guide — A consolidação da saúde privada brasileira produziu um efeito econômico que vai além dos balanços, dos múltiplos de Bolsa e das disputas por margem: geração de emprego em larga escala.

Dez companhias listadas do setor adicionaram quase 80 mil funcionários desde o pré-pandemia. Com base em uma amostragem do BTG Pactual, os dados mostram que o número de empregados saiu de 166 mil em 2019 para cerca de 245 mil em 2025, um crescimento de quase 48% no período.

O movimento foi puxado principalmente por Hapvida (HAPV3) e Rede D’Or (RDOR3), que se consolidaram como as maiores empregadoras do setor listado de saúde. A Hapvida saiu de cerca de 49,7 mil funcionários em 2019 para 77,7 mil em 2025, um acréscimo líquido de aproximadamente 28 mil pessoas. A Rede D’Or passou de 57,6 mil para 82,4 mil funcionários no mesmo intervalo, adicionando cerca de 24,8 mil postos.

Juntas, as duas companhias responderam por mais de 50 mil dos quase 80 mil empregos líquidos criados pela amostra desde 2019.

A fotografia mostra como a saúde privada se tornou uma das grandes plataformas de emprego formal no Brasil pós-pandemia. O setor cresceu em escala, se verticalizou, acessou o mercado de capitais e passou por uma onda de fusões e aquisições que redesenhou a estrutura competitiva da indústria.

A Hapvida incorporou a NotreDame Intermédica, em uma das maiores combinações empresariais da saúde brasileira. A Rede D’Or avançou também na compra de hospitais e também incorporou a operadora de saúde SulAmérica, ampliando sua presença para além da operação hospitalar tradicional. A Oncoclínicas (ONCO3) cresceu por meio de uma sequência de aquisições de clínicas, médicos e operações regionais. Mater Dei (MATD3), Blau (BLAU3), Viveo (VVEO3) e a própria Oncoclínicas ganharam visibilidade no ciclo de abertura de capital da década.

Essa combinação de IPOs, capital de mercado, consolidação e M&A produziu companhias maiores e muito mais intensivas em mão de obra. Capital humano e tecnologia são dois dos fatores mais intensivos no setor de saúde.

A expansão, porém, não foi distribuída de forma igual. O Fleury adicionou cerca de 7,5 mil funcionários desde 2019, chegando a aproximadamente 23 mil empregados em 2025. A Oncoclínicas mais que triplicou sua base, saindo de cerca de 2 mil para 7,3 mil funcionários, refletindo um modelo de crescimento baseado em consolidação de clínicas e serviços especializados. Mater Dei também mais que dobrou seu quadro, passando de 3,1 mil para 7,9 mil funcionários.

Viveo, Hypera, Dasa e Blau também ampliaram o número de empregados no período, ainda que com pesos diferentes na fotografia consolidada. No caso da Dasa, a leitura exige cuidado, porque o quadro foi afetado por reorganizações societárias e pela transferência de ativos hospitalares para a Rede Américas.

A Qualicorp é o principal contraponto. A companhia, que também tentou crescer por aquisições e movimentos de consolidação no passado, terminou 2025 com menos funcionários do que tinha em 2019. O quadro caiu de cerca de 2 mil para 1,2 mil pessoas, uma redução líquida próxima de 700 funcionários.

A leitura econômica é que a consolidação da saúde privada brasileira não foi apenas uma história de acionistas, valuations e integração de ativos. Ela também criou grandes empregadores nacionais em hospitais, clínicas, planos de saúde, laboratórios, medicamentos, distribuição e serviços especializados.

Ao mesmo tempo, o dado ajuda a explicar por que saúde é um setor complexo para investidores. A mesma intensidade de mão de obra que sustenta a geração de empregos também torna a gestão de custos mais sensível. Hospitais, operadoras, laboratórios e clínicas dependem de gente, escala e execução diária. Crescer nesse setor quase sempre significa contratar mais, integrar culturas diferentes e buscar produtividade em operações de alta complexidade.

O resultado é uma das marcas mais claras da mudança estrutural do setor: a saúde privada listada saiu da pandemia maior, mais consolidada e com uma força de trabalho muito mais numerosa do que tinha antes da Covid.

Para uma indústria frequentemente analisada apenas pela ótica de margem, sinistralidade, endividamento e valuation, o dado de emprego mostra uma faceta positiva da história. A consolidação da saúde privada também virou uma história macroeconômica – de capital, escala, formalização e criação de postos de trabalho.

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