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Amil e Bradesco Avançam em Planos de Saúde; Hapvida Segue Perdendo Vidas

Dados da ANS mostram que o setor cresceu apenas 8 mil vidas em abril, enquanto a líder de mercado registrou mais um mês de queda na carteira.

Por Brazil Stock Guide – O mercado brasileiro de planos de saúde praticamente ficou estagnado em abril. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados pelo BTG Pactual mostram que o setor adicionou apenas 8,1 mil beneficiários líquidos no mês, insuficientes para reverter a perda acumulada de 29,7 mil vidas registrada desde o início do ano.  

Mais do que um número fraco para o mês, os dados sugerem um mercado que passou a depender da capacidade das operadoras de conquistar clientes dos concorrentes. Em um universo de mais de 53 milhões de beneficiários, o saldo de apenas 8 mil novas vidas mostra um setor praticamente sem crescimento orgânico.  

A Hapvida voltou a liderar as perdas do setor. A companhia encerrou abril com redução líquida de 48,3 mil beneficiários, elevando para 67,4 mil o saldo negativo acumulado em 2026. O desempenho marcou mais um mês consecutivo de retração da carteira e teve como principal foco o estado de São Paulo, onde a operadora perdeu cerca de 24 mil vidas no período.  

Os números indicam que a estabilização comercial ainda não apareceu de forma consistente nos dados da ANS. Após anos de forte expansão por aquisições e da integração com a NotreDame Intermédica, investidores aguardavam sinais mais claros de recuperação da base de clientes. Até agora, porém, a companhia líder continua cedendo espaço para concorrentes.

A SulAmérica também registrou queda relevante, com perda líquida de 29,2 mil beneficiários. Segundo o BTG, entretanto, parte desse movimento foi influenciada por contratos ASO (Administrative Services Only), modalidade na qual a operadora administra planos corporativos sem assumir diretamente o risco assistencial. Excluindo esse segmento, a companhia teria registrado ganho líquido de aproximadamente 20 mil vidas no mês.  

Na outra ponta, a Amil foi a principal vencedora de abril. A operadora adicionou 45,1 mil beneficiários no mês, acumulando crescimento de 91,1 mil vidas em 2026. O avanço foi puxado principalmente pelo mercado paulista, responsável por cerca de 30 mil das novas adesões.  

O desempenho sugere que a companhia segue sua estratégia comercial agressiva após anos de reestruturação. A Amil foi responsável sozinha por mais de cinco vezes o crescimento líquido de todo o setor em abril, evidenciando sua capacidade de capturar participação de mercado em um ambiente de baixo crescimento.

A Bradesco Saúde também apresentou desempenho robusto, com ganho líquido de 37,7 mil beneficiários em abril e 82,2 mil no acumulado do ano. O BTG continua vendo a companhia como uma das exposições mais atrativas do setor, apoiada pelo amadurecimento dos ativos hospitalares, novas iniciativas de crescimento e potencial de valorização.  

Outras operadoras também ganharam espaço. A Unimed Seguros adicionou 20,2 mil vidas no mês e acumula alta de 41,4 mil beneficiários em 2026. A Porto Saúde registrou ganho líquido de 13 mil vidas em abril e de 44,7 mil no acumulado do ano. Embora menores em termos absolutos, ambas vêm apresentando crescimento consistente e acima da média da indústria.  

A Porto, em particular, aparece como uma das histórias mais interessantes do setor. Com uma base significativamente menor do que a de líderes como Hapvida, SulAmérica ou Bradesco Saúde, a companhia vem registrando uma das melhores taxas de crescimento proporcional da carteira, sinalizando ganho gradual de relevância no mercado corporativo.  

Já a Central Unimed seguiu em trajetória oposta, com perda de 3,6 mil beneficiários em abril e queda acumulada de 37,2 mil vidas no ano.  

No segmento odontológico, a OdontoPrev perdeu cerca de 7 mil beneficiários em abril, embora ainda mantenha saldo positivo de 214 mil vidas no acumulado do ano. O mercado de planos odontológicos encerrou o mês com aproximadamente 36 milhões de beneficiários, apoiado pelo crescimento de operadoras como Amil, MetLife, SulAmérica e Porto.  

O BTG mantém preferência por exposição à Rede D’Or (controladora da SulAmerica) e à Bradesco Saúde, citando execução consistente, melhora de rentabilidade e múltiplas avenidas de crescimento. Em um mercado que já não cresce como antes, a capacidade de ganhar participação passou a ser um dos principais diferenciais competitivos do setor.  

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