Meta Pixel

Lucas Kallas, da Cedro, concentra aposta em minério em meio a indiciamento da PF

Empresário vinha simplificando portfólio e direcionando capital para mineração; defesa diz que caso envolve fatos antigos já investigados e arquivados.

By Brazil Stock Guide — O empresário Lucas Kallas, controlador da Cedro Participações, vinha conduzindo nos últimos meses uma reorganização de portfólio para concentrar capital, gestão e execução em mineração e logística integrada quando passou a enfrentar um novo capítulo jurídico ligado a fatos antigos.

A Cedro anunciou recentemente a venda de sua participação de 33,33% na Latache Capital e de sua fatia de 8% na Biomm (BIOM3), em movimentos apresentados pela companhia como parte de uma estratégia para reduzir investimentos financeiros fora de seu eixo operacional e reforçar o foco em minério de ferro, infraestrutura própria e logística de exportação.

O plano industrial da Cedro prevê investimentos de cerca de R$ 5 bilhões até 2030 em projetos como a expansão da mina em Mariana, em Minas Gerais, a construção do Porto do Meio, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, e a ferrovia Shortline, na região de Serra Azul. A meta é atingir 20 milhões de toneladas anuais de minério de ferro até o fim da década, com foco em pellet feed, insumo de maior qualidade demandado pela siderurgia global em processos de menor emissão.

Esse reposicionamento, porém, passou a dividir espaço com o indiciamento de Kallas pela Polícia Federal em uma investigação sobre suspeitas de corrupção e pagamento de propina. O caso, cuja atenção envolve diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM), ainda depende da avaliação do Ministério Público, que decidirá se oferece ou não denúncia à Justiça.

A acusação de mineração ilegal já foi arquivada pela Justiça em uma investigação anterior, segundo a defesa. O ponto levantado pela PF envolve suspeita de pagamento de vantagem indevida a um ex-servidor da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.

A defesa contesta a conexão entre os fatos e afirma ser “um absurdo relacionar a doação de um título de sócio torcedor do Cruzeiro Esporte Clube em 2020, avaliada em não mais do que R$ 8 mil, a um suposto favorecimento ocorrido em 2015”.

Em Minas Gerais, a relação entre grandes empresários e clubes de futebol costuma ser mais orgânica do que em outros centros. Atlético e Cruzeiro têm, em suas estruturas recentes, presença direta ou indireta de empresários locais de grande porte – caso de Rubens Menin, fundador da MRV, no Atlético, e de Pedro Lourenço, controlador do Supermercados BH, no Cruzeiro. E Kallas é um cruzeirense benemérito. Para a defesa, esse contexto ajuda a afastar a leitura de que a contribuição ao clube, isoladamente, indicaria contrapartida indevida.

Em nota, a defesa, representada pelo escritório Grimaldi & Rodrigues Advogados, afirmou ter “plena confiança na demonstração de inocência de Lucas Kallas” e disse que o indiciamento “requenta fatos antigos, já investigados e arquivados pela Justiça”. Segundo a defesa, Kallas não tem relação com a empresa investigada – a Empabra – desde 2017 e, antes disso, havia sido apenas investidor. A Cedro foi fundada em 2019.

A principal questão para investidores, parceiros e credores é se o episódio terá algum efeito sobre a execução do plano de mineração da Cedro. Até aqui, a tese empresarial apresentada pela companhia tem sido de simplificação: sair de participações financeiras e ativos não estratégicos para concentrar recursos em uma plataforma industrial integrada, com mina, ferrovia e porto.

A saída da Latache e da Biomm ajudou a reforçar essa narrativa. Na Latache, gestora brasileira de special situations fundada em 2015 por Renato Azevedo, a fatia da Cedro foi comprada pelos demais sócios, que voltaram a deter 100% do capital. Na Biomm, a venda seguiu a mesma lógica de desalocação de capital de setores fora do núcleo operacional da holding.

Para a Cedro, o desafio agora não é apenas jurídico. É também de credibilidade. O plano de R$ 5 bilhões em mineração e logística exige capital intensivo, licenciamento, execução operacional e confiança de financiadores. O indiciamento não atinge diretamente a tese industrial apresentada pela companhia, segundo a defesa, mas obriga Kallas a apresentar sua defesa e a convencer parceiros de que o passado investigado não interferirá na execução da nova fase.

A empresa, por sua vez, segue tentando posicionar sua nova etapa como uma aposta concentrada em minério de ferro de alta qualidade e infraestrutura própria de exportação.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading