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Farm pode superar US$ 1 bi e bater recorde na moda latino-americana

Marca da Azzas 2154 que rivaliza com a moda premium global atrai atenção de investidores e pode se tornar a maior transação já feita no setor na região.

By Brazil Stock Guide – A possível venda da Farm pela Azzas 2154 pode se tornar a maior transação da história da moda latino-americana e servir como uma das principais alternativas para revelar valor – e, potencialmente, contribuir para a resolução da disputa entre os controladores do grupo.

Conversas iniciais com potenciais compradores indicam que a marca pode ser avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, com possibilidade de superar esse patamar. O valor colocaria a Farm próxima de transações globais relevantes no setor, como a aquisição da Versace pela Prada, anunciada por cerca de US$ 1,4 bilhão.

A Azzas contratou recentemente o Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas para a Farm, incluindo uma possível venda ou abertura de capital nos Estados Unidos. A companhia, porém, afirma que não há decisão tomada, proposta formal, estrutura definida ou operação aprovada.

A companhia também esclareceu nesta quinta-feira, dia 25, que a Hering não está à venda e que não há tratativas ou negociações envolvendo a marca ou ativos relacionados. A família Hering, que vendeu o ativo, contratou a BR Partners numa tentativa de reaver o negócio.

A Azzas nasceu da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em agosto de 2024, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Reserva, Hering e Farm. A combinação criou o maior grupo de moda da América Latina, mas também juntou culturas empresariais distintas – uma mais centralizada, ligada à Arezzo, e outra mais descentralizada, herdada do Soma.

A Farm é amplamente considerada um grande ativo da Azzas. Fundada no Rio de Janeiro em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos, a marca foi a base sobre a qual o Grupo Soma construiu sua expansão e hoje concentra as maiores ambições internacionais do conglomerado.

Loja da Farm em Dubai reforça ambição global da marca da Azzas 2154

Desde a abertura de sua primeira flagship store em Nova York, em 2019, a Farm expandiu sua presença nos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio por meio de lojas próprias, parcerias de atacado e colaborações estratégicas. A marca já opera em mercados como Estados Unidos, França, Reino Unido e Dubai, preservando uma identidade brasileira diferenciada em um segmento próximo ao luxo acessível.

Os números ajudam a explicar o interesse. A divisão de vestuário feminino, liderada pela Farm, registrou receita de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Segundo estimativas do BTG Pactual, a marca gerou aproximadamente R$ 3,3 bilhões em receita em 2025, dos quais mais de R$ 1 bilhão veio das operações internacionais.

A assimetria é o ponto central da tese. Embora represente cerca de um quarto da receita consolidada da Azzas, a Farm concentra uma parcela desproporcional do crescimento, da rentabilidade e do potencial de expansão internacional do grupo.

Um valuation superior a US$ 1 bilhão implicaria um múltiplo próximo de 1,5 vez a receita de 2025. Considerando uma margem Ebitda estimada entre 15% e 20%, o múltiplo implícito ficaria entre 7,7 vezes e 10,3 vezes Ebitda. Para o BTG Pactual, esse patamar ainda está mais próximo de empresas maduras de vestuário do que de marcas premium globais de maior crescimento. Companhias como Ralph Lauren e Tapestry negociam em torno de 2,0 a 2,5 vezes receita, enquanto nomes como Moncler chegaram a múltiplos próximos de quatro vezes receita.

As conversas em torno da Farm ocorrem em meio à disputa entre Alexandre Birman, CEO da Azzas e maior acionista individual da companhia, e Roberto Jatahy, acionista relevante e fundador do antigo Grupo Soma. O impasse ganhou força depois que Jatahy recorreu à Justiça para tratar de uma questão interna de governança. Pelo acordo de acionistas, a saída prevista seria uma arbitragem, que chegou a ser solicitada, mas hoje aparece em segundo plano diante da tentativa de uma solução negociada.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões, os dois lados passaram a contar com assessores financeiros — BTG Pactual pelo lado de Birman e G5 Partners pelo lado de Jatahy — para buscar uma saída de mercado. As conversas avançaram nos últimos dias, e uma solução no curto prazo é considerada possível.

Em qualquer cenário, a Farm deixa de ser apenas a principal marca da Azzas. Torna-se um novo benchmark para marcas latino-americanas de consumo com relevância global.

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