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Executivos de 20 empresas do Ibovespa receberam R$1,35 bilhão em 2024

Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra alta de cerca de 17% na remuneração em relação a 2023. Itaú Unibanco, PRIO e Suzano lideram a lista.

Ibovespa executive pay 2024 ranking of Brazilian companies based on executive compensation

By Brazil Stock Guide – Os principais executivos das maiores empresas listadas na bolsa brasileira receberam cerca de R$1,35 bilhão em remuneração em 2024, um aumento de aproximadamente 17% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com base em informações divulgadas em documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O estudo considera os principais executivos de 20 empresas que integram o Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores brasileira, que reúne as companhias mais negociadas e de maior valor de mercado do país.

O avanço da remuneração reflete, em parte, o desempenho mais robusto de diversos setores da economia, mas também a crescente participação de bônus e incentivos de longo prazo atrelados a metas financeiras e ao desempenho das ações.

Itaú lidera ranking

O ranking de 2024 é liderado pelo Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, cujo principal executivo recebeu cerca de R$81,7 milhões em remuneração estimada.

Na sequência aparece a PRIO, produtora independente de petróleo com operações offshore no Brasil, com cerca de R$64,2 milhões. A Suzano, maior produtora mundial de celulose de fibra curta usada em papel e embalagens, ocupa a terceira posição, com aproximadamente R$56,5 milhões.

O grupo dos cinco maiores pacotes de remuneração executiva é completado pela Localiza, empresa líder em aluguel de veículos na América Latina, com cerca de R$52,6 milhões, e pela mineradora Vale, a maior exportadora de minério de ferro, com aproximadamente R$51,8 milhões.

O predomínio dessas empresas reflete o peso de companhias brasileiras com operações globais e grande escala de capital, setores nos quais os incentivos executivos tendem a ser mais elevados.

Bancos seguem dominantes

O setor bancário permanece entre os principais pagadores de remuneração executiva no país.

Além do Itaú, o ranking inclui Santander Brasil e Bradesco, duas das maiores instituições financeiras do país. A presença recorrente dessas instituições reflete a elevada rentabilidade e a forte concentração do setor bancário brasileiro, frequentemente citado como um dos mais lucrativos do mundo.

Em bancos, uma parcela significativa da remuneração costuma vir de bônus vinculados a resultados e programas de incentivo de longo prazo, que podem ampliar substancialmente a compensação total dos executivos.

Peso das commodities

Empresas ligadas a commodities e infraestrutura também aparecem com destaque na lista.

Companhias como Vale, Suzano, PRIO, Cosan, Ultrapar e Klabin atuam em setores diretamente conectados ao mercado global, como mineração, petróleo, distribuição de combustíveis e produção de celulose.

Em setores intensivos em capital e fortemente expostos ao ciclo internacional de preços, os pacotes de remuneração executiva frequentemente incluem incentivos ligados a resultados operacionais, preços de commodities e retorno ao acionista.

remuneração de executivos 2024
remuneração de executivos 2024

Aumentos expressivos

Algumas empresas registraram aumentos relevantes na remuneração de executivos entre 2023 e 2024.

Na PRIO, por exemplo, a remuneração estimada do principal executivo passou de cerca de R$40,6 milhões em 2023 para R$64,2 milhões em 2024, refletindo o crescimento acelerado da produção e da lucratividade da companhia no setor de petróleo offshore.

A Embraer também registrou um avanço expressivo. A remuneração executiva saltou de cerca de R$15 milhões em 2023 para aproximadamente R$40 milhões em 2024, após a melhora nas entregas de aeronaves e na geração de resultados financeiros depois dos anos mais difíceis durante a pandemia.

Empresas sob pressão

Nem todas as empresas do ranking, porém, atravessam um momento financeiro favorável.

A operadora de saúde Hapvida tem sido pressionada por investidores em razão de níveis elevados de endividamento e de resultados abaixo do esperado após a integração de aquisições que ampliaram significativamente sua operação.

A varejista GPA (Pão de Açúcar) também enfrenta dificuldades. Nesta semana, entrou em processo de reestruturação extrajudicial, mecanismo jurídico usado no Brasil para renegociar dívidas com credores fora do Judiciário.

O conglomerado Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do país, também passou a ser alvo de maior escrutínio do mercado em razão do seu alto endividamento. No ano passado, o grupo liderado pelo empresário Rubens Ometto recebeu aporte de capital de investidores (BTG Pactual e Perfin) em meio a pressões financeiras, obrigando-o a compartilhar o controle.

Crescimento gradual

O aumento da remuneração executiva ocorre em um momento de expansão moderada da economia brasileira.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu cerca de 3,4% em 2024, após expansão de 3,1% em 2023, prolongando a recuperação iniciada após a pandemia. Em 2025, cresceu estimados 2,3%.

Segundo o levantamento, os principais executivos das 20 empresas analisadas acumularam cerca de R$2,04 bilhões em remuneração estimada entre 2022 e 2024.

Em 2022, o total estimado foi de aproximadamente R$1,10 bilhão, subindo para cerca de R$1,16 bilhão em 2023 e alcançando R$1,35 bilhão em 2024, sugerindo uma trajetória de aumento gradual da remuneração executiva acompanhando a recuperação dos lucros corporativos.

Como os dados são calculados

O levantamento foi elaborado pela Elos Ayta com base em informações públicas divulgadas por companhias abertas brasileiras em Formulários de Referência enviados à CVM.

A regulamentação brasileira não exige que as empresas divulguem a remuneração individual exata de cada executivo. Em vez disso, as companhias informam dados agregados sobre a remuneração potencial de seus diretores estatutários.

Por isso, os valores apresentados no ranking representam estimativas baseadas na remuneração máxima potencial divulgada, que inclui salários fixos, bônus anuais e planos de incentivo de longo prazo.

De acordo com a consultoria, os valores não necessariamente correspondem ao montante efetivamente recebido por cada executivo, uma vez que os pagamentos finais podem variar conforme metas de desempenho, planos de remuneração em ações e mecanismos de pagamento diferido.


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