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Exclusivo: Acionistas sentam à mesa em busca de saída negociada na Azzas

Assessores financeiros foram chamados para construir uma solução de mercado; foco agora é reduzir ruído societário e recolocar a criação de valor no centro da agenda da companhia.


By Brazil Stock Guide – Depois de semanas em que a discordância entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy contaminou a percepção dos investidores em relação à Azzas 2154, o conflito entra em uma nova fase, segundo apurou o Brazil Stock Guide. A prioridade agora é buscar uma solução negociada que reduza a incerteza societária e permita que o mercado volte a olhar para os ativos operacionais da companhia.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões, os dois lados trouxeram assessores financeiros para avaliar alternativas de mercado e deixar os atritos societários para trás. O BTG Pactual atua ao lado de Birman, CEO da Azzas e maior acionista individual da companhia. A G5 Partners assessora Jatahy, acionista relevante e fundador do antigo Grupo Soma.

A contratação dos bancos marca uma mudança de tom. A discordância, que chegou ao Judiciário e abriu uma discussão sobre governança, integração e poder dentro do grupo, começa a dar lugar a uma tentativa de encontrar uma saída capaz de alinhar interesses e preservar valor para todos os acionistas.

A Azzas 2154 foi criada em 2024 a partir da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Farm Rio, Animale, Maria Filó, Cris Barros, Reserva e Hering. A combinação criou o maior grupo de moda da América Latina e foi apresentada ao mercado como uma plataforma de escala, sinergias e expansão internacional.

Mas a integração também juntou culturas empresariais diferentes. De um lado, a lógica mais processual da Arezzo, que já passou por fases de profissionalização na sucessão de Anderson Birman para Alexandre Birman. De outro, há a lógica de atuação independente das marcas da Soma, cada uma com identidade própria e estruturas operacionais separadas.

As divergências entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy vieram a público em maio, quando surgiu pontos de atritos na gestão da Reserva que levou o fundador do antigo Grupo Soma à Justiça. Uma liminar bloqueou a movimentação da marca até que o tema fosse resolvido por arbitragem ou por decisão formal do conselho sobre a governança da unidade.

O episódio transformou uma divergência interna em um problema de mercado. Uma fusão vendida pela capacidade de capturar sinergias passou a ser avaliada também pelo risco de paralisia decisória dos acionistas.

É por isso que a nova fase é diferente, dizem as fontes.

Pelo acordo de acionistas, a arbitragem segue como caminho formal para tratar divergências entre as partes. Mas, segundo pessoas próximas às conversas, a busca por uma solução negociada ganhou força nos últimos dias. A avaliação é que prolongar o conflito pouco acrescenta à companhia e tende a manter o desconto de governança sobre a ação.

A entrada dos assessores financeiros muda a natureza da conversa. O debate passa a ser sobre alternativas de mercado: estruturas possíveis, rearranjos societários, destravamento de valor e caminhos para reduzir a incerteza. Uma resolução no curto prazo é considerada possível, segundo essas fontes. O desenho final ainda está em aberto, mas a direção das conversas indica que o mercado pode estar diante de uma solução de valor.

A ação da Azzas fechou nesta segunda-feira a R$ 18,38, queda de 3,21%.


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