By Brazil Stock Guide – A Rumo (RAIL3) vai inaugurar em 19 de junho a primeira fase da Ferrovia do Mato Grosso, marcando o início do comissionamento operacional do novo terminal da BR-070 e de um trecho ferroviário em uma das regiões agrícolas mais importantes do Brasil.
A companhia afirma que a Ferrovia do Mato Grosso é seu principal projeto de investimento e a maior obra ferroviária em execução no país. A primeira fase terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, reforçando a presença da Rumo no estado e contribuindo para o principal corredor de exportação do agronegócio brasileiro.
Projeto estratégico
O projeto foi desenhado para ampliar a eficiência logística em Mato Grosso, estado que ocupa posição central na produção e exportação de grãos no Brasil. Ao aproximar a infraestrutura ferroviária das áreas produtoras, a Rumo busca aumentar sua capacidade de transportar cargas do interior para as rotas de exportação.
A primeira fase inclui o terminal de transbordo da BR-070 e uma conexão ferroviária de cerca de 160 quilômetros até Rondonópolis, um dos principais polos logísticos do estado. Segundo o BTG Pactual, a utilização do terminal deve crescer de forma gradual, com potencial acréscimo de volumes de aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano ao longo dos próximos anos.
Contexto Cosan
A Rumo é controlada pela Cosan (CSAN3; CSAN), que afirmou seguir avaliando eventuais vendas de participações em suas investidas como parte de um esforço mais amplo de desalavancagem e simplificação de sua estrutura.
Em comunicado divulgado após notícias recentes na imprensa, a Cosan disse que não há, até o momento, qualquer definição que implique a venda de controle de qualquer empresa do grupo. A companhia também afirmou que não há discussão em seus órgãos de governança sobre o término ou dissolução da holding.
Antes do prazo
A inauguração em junho antecipa o cronograma anteriormente indicado ao mercado. O BTG Pactual lembrou que, em 2024, quando a Rumo revisou seu guidance de investimentos em termos reais para R$ 3,8 bilhões a R$ 4,3 bilhões, a administração ainda apontava a conclusão do projeto apenas para dezembro de 2026.
O início das operações em junho representa, portanto, uma entrega antecipada da primeira fase. Para a Rumo, o ativo adiciona capacidade em um momento em que o crescimento de volumes continua sendo um dos principais vetores de expansão do negócio logístico.
Foco em grãos
A Ferrovia do Mato Grosso faz parte da estratégia da Rumo de ampliar sua participação na logística agrícola brasileira. Segundo a companhia, a nova infraestrutura deve contribuir para o fortalecimento do principal corredor de exportação do agronegócio nacional.
O ativo combina a malha rodoviária existente ao longo da BR-070 com acesso ferroviário. Na prática, a carga pode ser levada por caminhão até o terminal e depois transferida para a ferrovia em trechos de maior distância, aumentando a eficiência do transporte.
Expansão futura
O BTG afirma que o projeto também preserva opcionalidade para futuras expansões por meio de módulos adicionais. Ainda assim, o banco destaca que a Rumo não deve comprometer capital adicional nas próximas fases do projeto em 2026.
O foco, por ora, é concluir a primeira etapa, iniciar o comissionamento operacional e elevar gradualmente a utilização dos novos ativos.
BTG mantém compra
O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a Rumo, com preço-alvo de R$ 23 por ação. O papel era negociado a R$ 13,72 em 29 de maio.
O banco estima receita de R$ 14,35 bilhões para a Rumo em 2026 e de R$ 15,25 bilhões em 2027. O Ebitda projetado é de R$ 8,31 bilhões em 2026 e R$ 9 bilhões em 2027. O lucro líquido deve avançar de R$ 960 milhões em 2025 para R$ 2,26 bilhões em 2026 e R$ 2,83 bilhões em 2027.
Segundo o BTG, a companhia negociava a 6,8 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026 e a 6,3 vezes o múltiplo projetado para 2027.








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