Por Brazil Stock Guide — O Banco Central passou a divulgar mensalmente indicadores de reajustes salariais negociados no setor privado formal, dando maior visibilidade a uma variável que ganhou importância na leitura da inflação em um mercado de trabalho ainda aquecido.
As novas séries mostram que os reajustes pactuados em convenções coletivas mantêm forte relação com a inflação passada, medida pelo INPC, e que aumentos reais de salário se tornam mais frequentes em períodos de desemprego baixo. A combinação é relevante para a política monetária porque pode sustentar a renda, o consumo e, sobretudo, a inflação de serviços.
Os indicadores foram construídos a partir das informações registradas no Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho, o Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego. A base reúne dados sobre reajustes nominais e reais, participação de convenções com aumentos acima, abaixo ou iguais à inflação e número de instrumentos coletivos considerados.

O histórico divulgado pelo BC mostra que reajustes médios e medianos acompanham de perto o comportamento do INPC. A relação, no entanto, muda conforme a temperatura do mercado de trabalho: entre 2012 e 2014 e novamente a partir de 2023, períodos de desemprego relativamente baixo, aumentou a proporção de acordos com ganhos superiores à inflação.
O movimento recente chama atenção porque os reajustes voltaram a permanecer acima do INPC com maior frequência. No fim da série, em 2026, reajustes médios e medianos continuam rodando acima da inflação acumulada usada como referência nas negociações, indicando manutenção de ganhos reais para parte relevante dos trabalhadores cobertos por convenções coletivas.
Para o BC, o comportamento dos salários é uma das peças importantes para avaliar a persistência da inflação doméstica. Salários reais em alta sustentam o poder de compra das famílias, mas também podem elevar custos em setores intensivos em mão de obra e dificultar uma desaceleração mais rápida dos preços de serviços.
“A inflação passada continua sendo uma referência importante nas negociações”, afirmou Ricardo Sabbadini, chefe do Departamento Econômico do BC. Segundo ele, os novos indicadores permitem avaliar de forma mais ampla como as condições do mercado de trabalho influenciam a dinâmica salarial.
A criação das séries também oferece ao mercado uma nova ferramenta para acompanhar possíveis sinais de pressão inflacionária antes das decisões do Comitê de Política Monetária. Quanto mais disseminados forem os reajustes acima da inflação em um ambiente de desemprego baixo, maior tende a ser a atenção sobre a capacidade de a inflação de serviços convergir para a meta.
As estatísticas passam a ser disponibilizadas regularmente no Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central e abrangem convenções coletivas de todas as regiões do país.













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