By Brazil Stock Guide – A MBRF (B3: MBRF3; OTC: MBRFY) registrou lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 69 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 19,5% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do crescimento da receita e do resultado operacional.
A receita líquida alcançou o recorde de R$ 40,72 bilhões, avanço de 4,9% em 12 meses. O EBITDA ajustado cresceu 5,4%, para R$ 3,20 bilhões, enquanto a margem ficou praticamente estável em 7,9%, ante 7,8% no segundo trimestre de 2025.
O ganho operacional, no entanto, teve baixa conversão em lucro. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,78 bilhão, deterioração de 23%, refletindo principalmente o aumento dos juros. Os juros líquidos provisionados cresceram 22,7%, para R$ 1,42 bilhão.
Antes dos impostos, a MBRF registrou prejuízo de R$ 382 milhões, frente a resultado negativo de R$ 308 milhões um ano antes. Uma linha positiva de R$ 423 milhões em imposto de renda e contribuição social permitiu que a companhia encerrasse o trimestre no azul.
O volume vendido cresceu 1,5%, para 1,97 milhão de toneladas, recorde para um segundo trimestre. As vendas ao mercado externo avançaram 10,8%, enquanto o volume doméstico recuou 3,1%.
A receita externa aumentou 16,5%, para R$ 12,71 bilhões, e compensou a alta de apenas 0,4% no mercado interno. Negócios denominados em dólar responderam por 72% da receita consolidada, com os Estados Unidos representando 45% das vendas e o Brasil, 23%.
Custos crescem mais do que a receita
O custo dos produtos vendidos aumentou 5,5%, acima do crescimento da receita, pressionado pelo encarecimento do gado nas Américas, pela inflação e por despesas logísticas maiores, incluindo a alta do diesel no Brasil e a mudança de rotas provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Com isso, o lucro bruto avançou apenas 1,1%, para R$ 4,87 bilhões, e a margem bruta caiu de 12,4% para 12%.
Parte dessa pressão foi compensada pelos programas de eficiência. O MBRF+ capturou R$ 328 milhões no trimestre, enquanto as sinergias relacionadas à integração entre Marfrig e BRF somaram R$ 158 milhões. A companhia informou ter alcançado 47% do montante de sinergias previsto para 2026.
As despesas com vendas, gerais e administrativas permaneceram praticamente estáveis em R$ 3,58 bilhões. Como proporção da receita, recuaram 0,4 ponto percentual, para 8,8%. As despesas administrativas caíram 13%.
BRF sustenta o resultado
A operação da BRF continuou sendo o principal suporte da rentabilidade consolidada, respondendo por 79% do EBITDA ajustado da MBRF.
A receita da divisão cresceu 1,1%, para R$ 15,43 bilhões, e o EBITDA ajustado avançou 3,8%, para R$ 2,60 bilhões. A margem EBITDA subiu de 16,4% para 16,8%.
No mercado brasileiro, o volume da BRF ainda caiu 6,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, mas cresceu 4,6% frente aos três primeiros meses deste ano. As exportações aumentaram 9,3% em 12 meses.
A Sadia Halal alcançou rentabilidade recorde. Em números gerenciais não auditados, a unidade registrou EBITDA ajustado de US$ 95 milhões, mais que o dobro dos US$ 46 milhões de um ano antes. A margem subiu de 9,2% para 16,1%, com receita de US$ 590 milhões.
América do Norte cresce, mas ainda opera com margem mínima
Na América do Norte, a receita em dólares avançou 14,9%, para US$ 3,75 bilhões, sustentada pelos preços elevados da carne bovina e pelo crescimento de 2% no volume vendido.
A maior receita, contudo, praticamente não chegou ao EBITDA. O resultado ajustado da divisão cresceu apenas 1,7%, para US$ 26 milhões, com margem de 0,7%, ante 0,8% um ano antes.
O custo de referência para a compra de gado aumentou 15,9%, refletindo a redução do rebanho e da disponibilidade de animais nos Estados Unidos. A operação norte-americana respondeu por 46% da receita consolidada da MBRF, mas por apenas 4% do EBITDA ajustado.
Na América do Sul, a receita cresceu 26,4%, para R$ 6,39 bilhões, impulsionada pelo aumento de 8,8% no volume e pela melhora dos preços. O EBITDA avançou 22,1%, para R$ 570 milhões, embora a margem tenha recuado de 9,2% para 8,9%.
Dívida líquida chega a R$ 45 bilhões
A geração de caixa permaneceu como um dos pontos mais frágeis do trimestre. O fluxo de caixa operacional somou R$ 2,17 bilhões, mas não foi suficiente para cobrir os R$ 1,41 bilhão investidos e os R$ 1,62 bilhão em despesas financeiras. O resultado foi um consumo de caixa de R$ 864 milhões.
A companhia atribuiu parte da pressão ao aumento dos estoques da BRF em trânsito para o Oriente Médio, à ocupação dos confinamentos de bovinos, à formação dos estoques para campanhas comemorativas e a ajustes nos prazos de pagamento a fornecedores.
A dívida líquida encerrou junho em R$ 45,01 bilhões, alta de 2,4% frente ao primeiro trimestre e de 19,7% em 12 meses. A alavancagem subiu para 3,41 vezes o EBITDA ajustado, ante 3,37 vezes em março e 2,74 vezes um ano antes.
A dívida bruta alcançou R$ 68,12 bilhões, aumento anual de 12,3%. A parcela de curto prazo cresceu 73,7%, para R$ 14,68 bilhões, enquanto o caixa e as aplicações financeiras somavam R$ 23,11 bilhões. Mesmo com o consumo de caixa, a MBRF recomprou R$ 261,6 milhões em ações durante o trimestre.
O balanço mostra uma companhia com operações mais integradas, ganhos de eficiência e crescimento nos principais mercados, mas ainda com dificuldade para transformar o EBITDA em lucro e caixa. A BRF compensa a baixa rentabilidade do ciclo bovino nos Estados Unidos, enquanto juros elevados, capital de giro e endividamento continuam limitando a melhora do resultado final.











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