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JBS Vende US$21,6 Bi, Mas Ciclo do Boi nos EUA Derruba Lucro

Receita cresceu em todas as unidades, mas margens mais fracas na América do Norte, Pilgrim’s Pride pressionada e queima de caixa de $1,5 bilhão expuseram o custo de um ciclo mais duro em proteínas.

JBS resultados 4T25 mostram lucro de US$ 415 milhões e pressão de margens nos Estados Unidos

By Brazil Stock Guide – A JBS N.V. (NYSE: JBS; B3: JBSS32) entregou crescimento de vendas no primeiro trimestre em seu império global de proteínas. Mas o resultado veio com uma mensagem menos confortável para investidores: a maior empresa de carnes do mundo continua exposta à economia dura da oferta de gado, à volatilidade do frango e aos ciclos de capital de giro.

A receita líquida subiu 11% em relação ao ano anterior, para US$21,6 bilhões. O Ebitda ajustado em IFRS caiu 26%, para US$1,13 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado em US GAAP recuou 30%, para US$916 milhões. O lucro líquido atribuível aos acionistas da JBS caiu para US$221 milhões, ante US$500 milhões um ano antes. O lucro por ação recuou 56%, para $0,21.

Escala Encontra Ciclo

O trimestre mostrou tanto o valor quanto os limites do modelo multiproteína e multigeografia da JBS. A companhia consegue absorver choques melhor do que uma processadora concentrada em um único mercado. Mas não consegue evitá-los por completo.

Duas unidades explicaram boa parte da pressão. A Beef North America foi atingida por um ciclo apertado do gado, com os preços do boi vivo subindo mais rápido do que os valores de venda da carne. A Pilgrim’s Pride sofreu com eventos climáticos, paradas planejadas de plantas e fundamentos mais fracos em commodities.

Essa combinação importa porque a JBS não é apenas uma empresa brasileira de carne bovina. É uma plataforma global de proteínas, com exposição a carne bovina, frango, suínos, alimentos preparados, aquicultura e produtos de maior valor agregado. Em ciclos favoráveis, essa diversificação suaviza resultados. No primeiro trimestre de 2026, ela amorteceu o choque, mas não impediu uma contração relevante de margem.

Pressão nos EUA

A Beef North America registrou vendas recordes para um primeiro trimestre, com receita de US$7,17 bilhões, alta de 11,6%. Mas a rentabilidade caminhou na direção oposta. O Ebitda ajustado foi negativo em US$267 milhões em IFRS, ante perda de US$100 milhões um ano antes. A margem caiu para -3,7%.

O problema não foi demanda. Segundo a JBS, o consumo nos EUA permaneceu resiliente e os preços da carne processada seguiram em patamares historicamente elevados. O problema foi oferta. A baixa disponibilidade de gado empurrou os preços do boi vivo para cima e comprimiu os spreads da indústria, especialmente em janeiro e fevereiro.

A companhia também citou a continuidade das restrições às importações de gado vivo do México, o que limitou ainda mais a oferta no mercado americano. Para investidores, esse é o ponto desconfortável: mesmo vendas recordes podem destruir margem quando os custos de insumo sobem mais rápido do que os preços do produto final.

Frango Perde Força

A Pilgrim’s Pride foi o segundo ponto fraco. A receita líquida subiu apenas 1,6%, para US$4,53 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 31,9%, para US$450 milhões em IFRS. A margem recuou para 9,9%, ante 14,8% um ano antes.

Em US GAAP, a queda foi ainda mais forte. O Ebitda ajustado caiu 42,2%, para US$308 milhões, com margem de 6,8%.

A administração tratou parte da fraqueza como temporária. A Pilgrim’s Pride executou projetos operacionais, paradas planejadas e iniciativas de eficiência que devem sustentar o crescimento futuro. Mas, para o trimestre, o mercado tende a focar na perda de rentabilidade em uma unidade que normalmente ajuda a equilibrar a volatilidade de outras áreas do grupo.

Brasil Resiste Melhor

A operação brasileira de carne bovina teve desempenho mais resiliente. A JBS Brazil registrou receita líquida de US$3,79 bilhões, alta de 19,5%, sustentada por preços mais altos e forte demanda externa. O Ebitda ajustado subiu 27,9%, para US$168 milhões em IFRS, com margem de 4,4%.

A melhora veio apesar dos custos mais altos do gado. A JBS informou que o preço médio do boi gordo no Brasil ficou em cerca de R$338 por arroba no trimestre, alta de 6% em relação ao ano anterior, com base em dados do CEPEA-ESALQ.

Isso faz do Brasil um contraponto parcial à história dos EUA. Demanda externa, diversificação geográfica e produtos de maior valor agregado ajudaram receita e rentabilidade. Mas a unidade ainda operou em um ambiente de custos que limitou o benefício integral das vendas mais fortes.

Seara Ainda Forte

A Seara continuou sendo um dos estabilizadores mais importantes da companhia. A receita subiu 10,6%, para US$2,38 bilhões, e a unidade entregou uma margem Ebitda ajustada forte, de 15,5%.

Mesmo assim, a Seara não ficou imune à pressão de margem. O Ebitda ajustado caiu 13,3%, para US$369 milhões em IFRS, e a margem recuou ante os 19,8% registrados um ano antes. A companhia citou um ambiente mais difícil em alguns mercados de exportação, incluindo efeitos ligados ao conflito no Oriente Médio, enquanto continuou investindo em produtos de maior valor agregado, capacidade de processamento e força de marca.

Suínos Ajudam

A JBS USA Pork foi um dos destaques positivos. A receita líquida subiu 1,5%, para US$2,03 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 10,8%, para US$274 milhões em IFRS. A margem melhorou para 13,5%, ante 12,4%.

A unidade se beneficiou da demanda doméstica sólida, à medida que consumidores americanos buscaram opções de proteína mais acessíveis. Isso ajudou a carne suína a funcionar como uma proteção parcial contra o ciclo mais fraco da carne bovina.

A Austrália também cresceu fortemente em receita, com alta de 32,3%, para US$2,15 bilhões. Mas o Ebitda ajustado caiu 17,2%, para US$133 milhões em IFRS. A JBS afirmou que os resultados em dólares australianos ficaram estáveis, mas a conversão para dólares americanos prejudicou os números reportados. Os custos do gado na Austrália subiram cerca de 30% em relação ao ano anterior.

Queima de Caixa

O número mais sensível do release foi o fluxo de caixa. A JBS registrou fluxo de caixa livre negativo de US$1,47 bilhão no primeiro trimestre, ante consumo de US$917,5 milhões um ano antes.

Parte disso é sazonal. O primeiro trimestre costuma consumir caixa por causa da concentração de pagamentos a fornecedores de gado e suínos. Mas a deterioração também refletiu cerca de US$400 milhões a menos em Ebitda ajustado em relação ao ano anterior e aproximadamente US$300 milhões a mais em capex, principalmente investimentos de crescimento.

A dívida líquida chegou a US$17,86 bilhões, acima dos US$14,75 bilhões de um ano antes. A alavancagem líquida encerrou o trimestre em 2,77 vezes o Ebitda ajustado, ante 1,99 vez no primeiro trimestre de 2025.

A administração afirmou que a alavancagem segue dentro da meta financeira de longo prazo da companhia. Pode ser. Mas a direção dos números ainda importa: menor rentabilidade, capex mais alto e fluxo de caixa livre negativo deixam menos margem de segurança caso o mercado de gado continue apertado por mais tempo.

O CEO global Gilberto Tomazoni disse que o trimestre refletiu a força da plataforma multiproteína e multigeografia da JBS, com crescimento de vendas em todas as unidades. Ele também destacou retorno sobre o patrimônio de 22%, retorno sobre o capital investido de 15% e alavancagem dentro da meta de longo prazo da companhia.

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