By Brazil Stock Guide – O setor de planos de saúde no Brasil começou 2026 em terreno negativo. As operadoras perderam cerca de 91 mil beneficiários em janeiro, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) analisados pelo BTG Pactual.
A queda representa a primeira retração mensal desde fevereiro de 2025 e reflete a sazonalidade típica do início do ano, quando demissões e ajustes em planos corporativos costumam gerar cancelamentos de contratos empresariais.
Apesar da contração no total do mercado, o ranking mensal revelou vencedores claros entre as maiores operadoras.
Bradesco Saúde lidera crescimento
A Bradesco Saúde registrou o melhor desempenho do mês, com a adição de cerca de 20 mil beneficiários à sua base.
Recentemente, o Bradesco (B3: BBDC4) anunciou uma reorganização de seus ativos de saúde, consolidando as operações em uma nova estrutura chamada BradSaúde, com o objetivo de fortalecer sua presença no setor e integrar iniciativas de planos de saúde e dental, laboratórios e hospitais.
A Amil, controlada pelo empresário José Seripieri Junior, ficou em segundo lugar, com cerca de 12 mil novos beneficiários, enquanto a Unimed Seguros ampliou sua base em aproximadamente 9 mil membros.
A Amil também vem reposicionando seu portfólio com o lançamento do Amil Black, marca premium criada para unificar sua linha de planos de alto padrão e atrair consumidores de maior renda.
A Porto Saúde, divisão da Porto (B3: PSSA3), também registrou crescimento, com cerca de 7 mil novos beneficiários, reforçando a relevância do segmento de saúde dentro da estratégia da seguradora.
A SulAmérica, por sua vez, apresentou desempenho praticamente estável, com uma leve perda próxima de 1 mil beneficiários, movimento considerado neutro para os padrões do setor.
Hapvida lidera perdas
No lado negativo, a Hapvida (B3: HAPV3) registrou a maior queda do mês, com uma perda de cerca de 27 mil beneficiários.
A retração reflete a continuidade do churn após a integração entre Hapvida e NotreDame Intermédica, além de pressões competitivas em mercados relevantes como São Paulo e Minas Gerais.
A companhia também enfrenta desafios operacionais mais amplos. Recentemente, a Hapvida anunciou que seu CEO deixará o cargo, embora ainda não tenha informado quando ocorrerá a transição de liderança. Analistas avaliam que a mudança adiciona incerteza em um momento em que a operadora busca estabilizar sua base de clientes e recuperar margens.
Outras operadoras também registraram quedas no mês. A Central Unimed (CNU) perdeu cerca de 15 mil beneficiários, enquanto seguradoras menores, como Athena Saúde e Assim Saúde, também apresentaram retração.
Mercado ainda gigante
Apesar da volatilidade de curto prazo, o mercado brasileiro de saúde suplementar continua entre os maiores do mundo. O setor ainda cobre cerca de 53 milhões de beneficiários em todo o país.
A Hapvida permanece como líder do setor, com aproximadamente 8,7 milhões de clientes, seguida pela Bradesco Saúde, com pouco mais de 4 milhões, e pela Amil, com cerca de 3,4 milhões de beneficiários.
Para analistas, os dados mensais da ANS funcionam como um importante termômetro competitivo, indicando quais operadoras estão conquistando novos contratos corporativos e quais enfrentam maior rotatividade de clientes.
As recentes movimentações estratégicas — incluindo a reorganização do Bradesco no setor de saúde, o reposicionamento premium da Amil e a incerteza de liderança na Hapvida — sugerem que a dinâmica competitiva do setor pode mudar nos próximos trimestres.

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