By Brazil Stock Guide – A Vale (NYSE: VALE; B3: VALE3) decidiu levar aos acionistas a destituição de Marcelo Gasparino da Silva do Conselho de Administração, poucas horas depois de ele perder a disputa pela presidência do colegiado.
O conselho aprovou a convocação de uma nova assembleia geral extraordinária para deliberar sobre a saída de Gasparino após uma investigação conduzida por escritório externo independente concluir que ele vazou informações confidenciais relacionadas à reunião de 19 de junho.
A Vale não informou qual conteúdo teria sido divulgado, quem recebeu as informações nem por qual meio ocorreu o vazamento. Segundo a companhia, as conclusões da investigação foram acompanhadas pelo Comitê de Auditoria e Riscos e pela Diretoria de Auditoria e Conformidade.
A decisão representa uma reviravolta incomum na governança de uma das maiores empresas brasileiras. Gasparino começou o dia como candidato à presidência do conselho e terminou enfrentando um processo para ser retirado do próprio colegiado.
Na assembleia realizada nesta quarta-feira, os acionistas elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do conselho. Ele recebeu apoio de 56,4% das ações representadas, enquanto Gasparino obteve 30,4%.
O resultado havia sido inicialmente interpretado como uma vitória parcial da Previ. O fundo de pensão apoiou Ollie, mas não conseguiu eleger José Maurício Pereira Coelho para a vaga deixada por Daniel Stieler. A executiva independente Ieda Gomes Yell venceu a disputa com 68,4% dos votos, ante 17,9% de Pereira Coelho.
O comunicado divulgado posteriormente pela Vale, porém, eclipsou o resultado da assembleia.
Gasparino é vice-presidente do Conselho de Administração desde 2023 e conselheiro titular desde 2020, após períodos anteriores como suplente. Também coordenava o Comitê de Pessoas e Remuneração e integrava o Comitê de Indicação e Governança, duas das instâncias mais sensíveis da estrutura decisória da companhia.
Ele foi afastado dos dois comitês enquanto os acionistas não decidem sobre sua permanência no conselho.
O episódio ganha peso adicional pelo perfil de Gasparino. Advogado e um dos conselheiros profissionais mais conhecidos do mercado brasileiro, ele construiu a carreira em torno de governança corporativa, independência de conselhos e defesa dos direitos de acionistas minoritários.
Nos últimos 15 anos, acumulou mais de 36 mandatos em conselhos de administração e fiscais. Atualmente, também integra os conselhos da Petrobras e da Metalfrio e participa de comitês de auditoria e remuneração do Banco do Brasil.
Gasparino já ocupou posições na Eletrobras, Cemig, Eternit e Oncoclínicas e presidiu os conselhos da Usiminas, Eternit e Oncoclínicas. Também participou de disputas consideradas marcos do ativismo acionário na Vale, Petrobras e Eletrobras.
Esse histórico torna a acusação especialmente sensível. Na prática, a Vale busca destituir um dos principais especialistas brasileiros em governança por uma suposta violação de um dos deveres mais básicos de um conselheiro: preservar a confidencialidade das deliberações do colegiado.
A reunião de 19 de junho estava no centro da disputa pelo comando do conselho. Foi naquele contexto que a Previ avançou para substituir Daniel Stieler e que diferentes candidaturas à presidência começaram a se consolidar.
A candidatura de Gasparino surgiu desse processo. O suposto vazamento, portanto, envolve informações relacionadas à mesma disputa sucessória da qual ele participava diretamente.
A destituição não é automática. Caberá aos acionistas decidir, em nova assembleia, se Gasparino permanecerá no conselho. A data da reunião ainda não foi divulgada.
O caso transforma uma disputa interna pelo comando da Vale em um teste mais amplo de integridade, confidencialidade e funcionamento do sistema de governança da mineradora.
Gasparino não foi localizado imediatamente para comentar. O espaço permanece aberto para sua manifestação.

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