Brazil Stock Guide — A Petrobras (NYSE: PBR; B3: PETR3, PETR4) bateu recordes de produção de petróleo e gás no segundo trimestre, período marcado pela guerra entre Estados Unidos e Irã e pela forte alta dos preços internacionais da commodity.
A produção total da estatal chegou a 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, avanço de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3,4% ante o primeiro trimestre. Já a produção operada, que inclui a parcela de sócios nos campos, atingiu o recorde de 4,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Os números colocaram a Petrobras em posição favorável para capturar parte da alta do petróleo provocada pelo conflito. A guerra afetou os fluxos globais de energia pelo Estreito de Ormuz e elevou o prêmio de risco embutido nas cotações. O Brent disparou durante a escalada das hostilidades, embora tenha devolvido parte dos ganhos após as tentativas de cessar-fogo em junho.
O impacto financeiro, no entanto, só será conhecido com a divulgação do balanço. Além da cotação internacional, o resultado dependerá dos preços efetivamente obtidos pela Petrobras, do momento de reconhecimento das exportações, dos custos de frete e da variação cambial.
A expansão da produção foi puxada pelo aumento das operações dos FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, além da entrada em funcionamento da P-79 no campo de Búzios. Segundo a companhia, os ganhos de eficiência operacional acrescentaram cerca de 70 mil barris por dia à produção na comparação anual.
A P-79 começou a produzir em 1º de maio, três meses antes da data prevista no Plano de Negócios 2026-2030 e cinco meses antes do cronograma estabelecido no planejamento anterior. O FPSO é o oitavo instalado em Búzios, tem capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia e elevou a capacidade instalada do campo para aproximadamente 1,33 milhão de barris diários.
No fim de junho, Búzios superou a marca de 1,2 milhão de barris por dia. O campo também registrou, pela primeira vez, produção média mensal acima de 1 milhão de barris diários.
A marca foi alcançada 8,2 anos após o início da produção comercial dos sistemas definitivos do campo. O desempenho superou o de Tupi, outro gigante do pré-sal, que levou 8,8 anos para atingir o mesmo patamar.
O FPSO Almirante Tamandaré, também em Búzios, produziu em média 253 mil barris por dia em junho e permaneceu como a plataforma de maior produção do Brasil. O campo de Mero, por sua vez, registrou produção média de aproximadamente 740 mil barris por dia no trimestre.
A produção própria de petróleo da Petrobras no pré-sal avançou 5% ante o primeiro trimestre, para 2,30 milhões de barris por dia. Considerando petróleo e líquidos de gás natural, o volume aumentou 15,2% em um ano, para 2,69 milhões de barris diários.
Exportações mais que dobram
O aumento da produção também impulsionou as exportações. Os embarques de petróleo cresceram 12,2% em relação ao primeiro trimestre e 44,3% na comparação anual, para 996 mil barris por dia.
As exportações líquidas de petróleo e derivados — diferença entre vendas e compras externas — chegaram a 1,08 milhão de barris por dia. O volume é mais que o dobro dos 526 mil barris diários registrados no segundo trimestre de 2025.
A distribuição dos embarques mudou de forma significativa. A China respondeu por 35% das exportações de petróleo da Petrobras, ante 62% no primeiro trimestre e 51% um ano antes. A participação da Índia subiu de 15% para 22%, enquanto a da Europa avançou de 8% para 18%.
A Petrobras atribuiu a redução das compras chinesas a medidas adotadas pelo país para conter as importações diante dos preços internacionais. A queda foi compensada por vendas maiores para Índia, Europa e outros países asiáticos.
A companhia também conquistou cinco novos clientes para seus petróleos: Formosa, de Taiwan; OQ Trading, de Omã; Orlen, da Polônia; Preem, da Suécia; e Sasol, da África do Sul.
Refinarias operam em nível recorde
O desempenho das refinarias ganhou importância adicional diante da instabilidade provocada pela guerra. A Petrobras elevou o fator de utilização de seu parque de refino para o recorde trimestral de 101,2%, ante 95% no primeiro trimestre e 91% um ano antes.
O indicador compara o volume processado com a carga máxima sustentável de referência definida para as unidades. Portanto, uma utilização superior a 100% não significa que as refinarias tenham operado acima dos limites regulatórios, ambientais ou de segurança.
A produção de derivados atingiu 1,92 milhão de barris por dia, alta de 5,6% no trimestre e de 10,9% em um ano. A produção de diesel S10 alcançou o recorde de 509 mil barris diários, enquanto a de querosene de aviação chegou à máxima de 109 mil barris por dia.
O aumento da produção própria reduziu a exposição da companhia às importações em meio ao risco geopolítico. As compras externas de diesel caíram 63,3% ante o primeiro trimestre, para 18 mil barris por dia. As importações de petróleo recuaram 43,3%, para 89 mil barris diários, o menor volume desde a pandemia.
No total, as importações diminuíram 41,8%, para 156 mil barris por dia.
As vendas de derivados no mercado interno ficaram praticamente estáveis em 1,74 milhão de barris por dia. As vendas de diesel cresceram 0,4% e as de gás de cozinha avançaram 8,3%, compensando a queda de 2,2% da gasolina, afetada pela maior competitividade do etanol em diferentes regiões do país.
As vendas de querosene de aviação recuaram 11,9%, refletindo principalmente a base mais forte do primeiro trimestre, período de férias e maior movimento nos aeroportos.
Emissões absolutas aumentam
A expansão das operações também elevou as emissões absolutas da Petrobras. As atividades de petróleo e gás emitiram 25 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no primeiro semestre, ante 23 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.
A companhia atribuiu o aumento à maior produção de petróleo e gás, à entrada de novas unidades e ao crescimento do volume processado nas refinarias.
A intensidade de emissões na exploração e produção, porém, caiu de 14,7 quilos de CO₂ equivalente por barril de óleo equivalente em 2025 para 14,4 quilos no primeiro semestre. Isso indica que a produção cresceu em ritmo superior ao das emissões.
No refino, a intensidade aumentou cerca de 1%. Segundo a Petrobras, a variação decorreu principalmente de uma mudança na metodologia de cálculo.
A Petrobras entra no segundo semestre com produção maior, utilização recorde das refinarias e uma posição externa mais favorável. O balanço mostrará quanto a companhia conseguiu transformar o aumento dos volumes e a alta do petróleo durante a guerra entre Estados Unidos e Irã em receita, geração de caixa e lucro.

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