Meta Pixel

Petrobras Reativa Aposta em Gás de Urucu na Amazônia

Estatal planeja novos poços em sua província madura no Amazonas, com foco em gás natural, GLP e logística fluvial.

By Brazil Stock Guide – A Petrobras (PETR3; PETR4) e a Transpetro devem anunciar mais de R$2,8 bilhões em investimentos no Amazonas até 2030, em um movimento que recoloca a província petrolífera de Urucu no centro da estratégia energética da companhia para a região Norte. O anúncio está previsto para quarta-feira, 27 de maio, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

O núcleo do pacote é um novo ciclo de investimentos em Urucu, onde a Petrobras planeja destinar cerca de R$2,5 bilhões à perfuração de novos poços. A cerimônia será realizada no Estaleiro Bertolini, em Manaus, responsável pela construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro para melhorar a logística de combustíveis marítimos nos portos brasileiros.

Polo de gás

Urucu, localizado em Coari, a cerca de 650 quilômetros de Manaus, não é uma nova fronteira. É uma operação terrestre madura, em produção desde 1988. Ainda assim, segue como um dos ativos mais importantes da Petrobras na Amazônia e uma peça crítica para a segurança energética da região Norte.

O campo é mais relevante pelo gás do que pelo petróleo. A Petrobras já descreveu Urucu como o terceiro maior produtor de gás natural do Brasil, com produção média de cerca de 5,1 milhões de metros cúbicos por dia. Esse gás ajuda a abastecer aproximadamente 65% da geração elétrica de Manaus e de outros cinco municípios do Amazonas. O complexo também produz, em média, cerca de 80 mil botijões de GLP por dia, atendendo todos os estados da região Norte e parte do Nordeste.

Gás, não pré-sal

A tese de investimento de Urucu é estender a vida útil de campos maduros, compensar o declínio natural da produção e manter o fluxo de gás em uma região onde a infraestrutura é difícil e a logística energética é cara. A Petrobras planeja perfurar novos poços de desenvolvimento dentro de seu plano de negócios 2026–2030, ao mesmo tempo em que busca ampliar a comercialização de GNL em pequena escala no Amazonas. A companhia vê a iniciativa como uma forma de aumentar a oferta de gás, reduzir a dependência de combustíveis mais poluentes e atender consumidores regionais fora da malha tradicional de gasodutos.

Risco amazônico

O problema é que Urucu está dentro da Amazônia, o que torna qualquer expansão de petróleo e gás mais sensível do ponto de vista ambiental e reputacional. A Petrobras costuma apresentar Urucu como uma operação terrestre controlada, com áreas preservadas, programas de reflorestamento e décadas de experiência técnica na floresta. Mas o risco básico permanece: perfuração, dutos, transporte fluvial e logística de combustíveis em um dos biomas mais sensíveis do mundo.

Esse risco é diferente do debate offshore em torno da Margem Equatorial, mas não é irrelevante. Em Urucu, a preocupação não está tanto em um grande vazamento marítimo, e sim na disciplina operacional dentro da floresta — vazamentos, acidentes no transporte pelos rios, gestão de resíduos, emissões e a crescente vulnerabilidade da logística amazônica a secas extremas.

Logística dos rios

As 18 barcaças encomendadas ao Estaleiro Bertolini fazem parte dessa equação mais ampla. O programa de renovação de frota da Transpetro busca fortalecer a logística de combustíveis, reduzir a dependência de embarcações afretadas e ampliar a flexibilidade no transporte de GLP e outros produtos pelo sistema portuário e fluvial brasileiro.

Isso importa porque o sistema energético da região Norte é profundamente dependente dos rios. Quando o nível das águas cai, a logística fica mais cara e mais frágil. Em períodos de seca severa, transportar combustíveis, GLP e petróleo pela bacia amazônica deixa de ser apenas uma questão de custo e passa a ser um problema de segurança energética.

Capital político

A presença de Lula dá ao anúncio uma dimensão política evidente. A Petrobras está vinculando o pacote à indústria naval, ao desenvolvimento regional e à segurança energética no Norte — temas que se encaixam na agenda de política industrial do governo.

Urucu não muda a escala da Petrobras, ainda dominada pelo pré-sal. Mas pode ajudar a preservar a oferta de gás, sustentar a produção de GLP e reduzir o estresse logístico em uma região onde a infraestrutura energética é difícil de construir e ainda mais difícil de operar.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo