Meta Pixel

MPF Aciona Hospital Albert Einstein por Cotas na Residência Médica

Procuradores federais contestam a política de seleção da faculdade de medicina do hosítal, citando regras de ação afirmativa vinculadas ao SUS.

Albert Einstein Hospital

By Brazil Stock Guide – O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública para que o Hospital Israelita Albert Einstein, uma das instituições de saúde mais reconhecidas do Brasil, passe a adotar cotas em seus programas de residência médica. O caso leva para a Justiça uma discussão que vai além do processo seletivo de um hospital privado: quais obrigações uma instituição de excelência assume quando forma médicos em programas regulados pelo governo federal, atua no SUS e recebe benefícios fiscais.

A ação pede que a Justiça Federal em São Paulo determine a abertura de editais complementares para o processo seletivo de residência médica de 2026. A reserva de vagas deveria contemplar candidatos negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e pessoas trans, conforme os percentuais previstos em normas do Ministério da Saúde.

Procurado pelo Brazil Stock Guide, o Einstein informou que, até o momento, não foi formalmente citado sobre a ação e, por isso, não tem conhecimento sobre o conteúdo do processo.

No entendimento do MPF, a residência médica não pode ser tratada como uma atividade exclusivamente privada. No Brasil, a residência é uma etapa de pós-graduação em que médicos se especializam em áreas como cirurgia, pediatria, cardiologia e terapia intensiva. A formação combina aulas, prática supervisionada em hospitais e treinamento em serviço, sob regulação federal. Por isso, segundo os procuradores, mesmo programas oferecidos por instituições privadas devem observar diretrizes públicas quando estão ligados à estrutura nacional de formação em saúde.

Fronteira pública

O caso é sensível pelo peso institucional do Einstein. Fundado em São Paulo, o hospital é associado à medicina de alta complexidade, tecnologia, pesquisa e atendimento privado de excelência. Ao mesmo tempo, atua em educação médica e mantém parcerias com o setor público.

É esse duplo papel que sustenta a argumentação do MPF. A instituição possui o Cebas, certificação concedida a entidades beneficentes de assistência social, e participa do Proadi-SUS, programa federal por meio do qual hospitais sem fins lucrativos de excelência contribuem para o desenvolvimento do Sistema Único de Saúde.

Na prática, essas condições podem garantir benefícios fiscais relevantes, incluindo isenção de contribuições federais destinadas à seguridade social. Para o MPF, esse conjunto de fatores afasta a tese de que a residência médica do Einstein seria apenas uma decisão interna de gestão privada, sem sujeição a políticas públicas de inclusão.

Regra recente

A política brasileira de cotas na educação federal começou em 2012, com a lei que estabeleceu reserva de vagas em universidades federais e instituições federais de ensino técnico. No caso da residência médica, porém, a disputa atual está ligada a normas mais recentes do setor de saúde.

Em novembro de 2024, o Ministério da Saúde editou a Portaria nº 5.801, que criou um programa de ações afirmativas para iniciativas e parcerias da pasta. A norma prevê reserva de 30% das vagas para candidatos negros, 5% para indígenas, 5% para quilombolas, 10% para pessoas com deficiência e 5% para pessoas trans.

Esse entendimento foi reforçado em 2025 por uma norma conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação, que criou a Política Nacional de Residências em Saúde. Segundo o MPF, a regra deixou claro que instituições que oferecem programas de residência devem aplicar ações afirmativas em seus processos seletivos.

Em abril de 2026, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão já havia divulgado nota técnica afirmando que a adoção de cotas em seleções para residência médica não é uma escolha discricionária das instituições de ensino.

Disputa maior

Para o MPF, a política de cotas busca aproximar a formação médica da composição real da sociedade brasileira. O processo ainda não representa uma decisão da Justiça. O hospital poderá apresentar sua defesa e contestar a interpretação do MPF.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo