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Mercadante manifesta apoio a CEO do Itaú após PF identificar suposto dossiê ligado a Vorcaro

Presidente do BNDES classificou como “grave e inaceitável” a coleta de informações pessoais e patrimoniais sobre Milton Maluhy.

Por Brazil Stock Guide – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, manifestou apoio ao CEO do Itaú Unibanco Holding SA, Milton Maluhy Filho, após investigadores da Polícia Federal encontrarem indícios de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, solicitou a elaboração de um dossiê com informações pessoais e patrimoniais sobre o executivo.

Em nota, Mercadante classificou como “grave e inaceitável” a tentativa de reunir informações sigilosas sobre Maluhy e afirmou que o uso de dados protegidos para pressionar ou intimidar pessoas é incompatível com as instituições democráticas. A informação foi publicada inicialmente pelo Brasil 247.

A manifestação acrescenta uma voz de peso do governo à crescente repercussão da nova fase das investigações sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central no ano passado. A Polícia Federal apura uma suposta operação de comunicação e influência destinada a defender o Master, atacar o Banco Central e enfraquecer pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Vorcaro.

Maluhy comanda o Itaú Unibanco (B3: ITUB4; NYSE: ITUB), maior banco privado da América Latina em ativos, desde 2021. Em abril, foi eleito presidente do Conselho Diretor da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban.

Segundo mensagens citadas em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Vorcaro pediu ao publicitário Thiago Miranda que fizesse um levantamento sobre Maluhy, afirmando que o CEO do Itaú estava “causando muito problema”. Posteriormente, Miranda teria informado a Vorcaro que o material estava pronto e sugerido que sua divulgação fosse feita por meio de outro veículo de comunicação.

Os investigadores encontraram um documento com informações pessoais e patrimoniais de Maluhy e de sua mulher, de acordo com a decisão judicial. O arquivo incluiria dados de identificação e referências a bens, além de utilizar a identidade visual de uma empresa ligada a Miranda.

Mendonça autorizou buscas em endereços associados ao publicitário no âmbito da mais recente fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, os indícios apontam que Miranda pode ter ajudado a recrutar influenciadores digitais para defender o Banco Master e criticar o Banco Central, além de participar de monitoramento ilegal, tentativas de obtenção de dados sigilosos e ações destinadas a intimidar jornalistas. Miranda havia sido tratado anteriormente como testemunha nas investigações sobre o Banco Master.

Mercadante relacionou o suposto monitoramento de Maluhy à atuação do executivo na defesa do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, mecanismo privado financiado pelas instituições financeiras para ressarcir clientes elegíveis em casos de intervenção ou liquidação de bancos.

Segundo o presidente do BNDES, o Itaú responde por cerca de 16% das contribuições ao fundo, o que confere ao banco interesse relevante na proteção do mecanismo contra perdas provocadas pela quebra de instituições financeiras. Mercadante elogiou o que classificou como uma atuação rigorosa de Maluhy na defesa de um instrumento central para a proteção dos investidores e para a estabilidade financeira.

As declarações evidenciam as tensões mais amplas geradas pelo colapso do Banco Master. O caso deixou de se limitar a questões relacionadas ao balanço da instituição e a suas operações financeiras e passou a envolver alegações de que pessoas ligadas ao banco teriam tentado influenciar o debate público, desacreditar órgãos reguladores e reunir informações sobre críticos.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao Banco Master. As alegações permanecem sob investigação.

Mercadante afirmou prestar solidariedade a Maluhy e a seus familiares e declarou confiar na atuação da Polícia Federal e da Justiça brasileira. Também classificou o caso Master como o maior escândalo financeiro da história do país, uma avaliação que reflete a gravidade política e institucional atribuída à investigação.


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