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JBS busca R$ 400 milhões para reembolsar investimentos com biodiesel e porto

Boa parte dos investimentos já foi realizada. Os recursos das debêntures de dez anos reembolsarão despesas elegíveis com três fábricas de biodiesel e o terminal portuário de Itajaí.

Brazil Stock Guide — A JBS (NYSE: JBS; B3: JBSS32) lançou uma oferta de R$ 400 milhões em debêntures incentivadas de infraestrutura para reembolsar gastos já realizados em três fábricas de biodiesel e em seu terminal no Porto de Itajaí, em Santa Catarina.

Boa parte dos investimentos já foi executada, embora os projetos permaneçam em andamento. Os recursos da emissão, portanto, não representam R$ 400 milhões em investimentos adicionais.

As debêntures serão emitidas pela JBS S.A., subsidiária brasileira da JBS N.V., com sede na Holanda, que prestará garantia integral à operação. Os títulos terão prazo de dez anos, serão corrigidos pelo IPCA e pagarão juros anualmente.

A definição da remuneração está prevista para 24 de julho. A taxa será limitada ao rendimento da NTN-B com vencimento em maio de 2035, acrescido de 0,15 ponto percentual ao ano.

O Itaú BBA coordena a oferta, destinada exclusivamente a investidores profissionais. A liquidação está prevista para 28 de julho.

Biodiesel recebe 62% dos recursos

Do total, R$ 249,1 milhões reembolsarão despesas com projetos de biodiesel operados pela Biopower, subsidiária da JBS, em Campo Verde, no Mato Grosso; Lins, em São Paulo; e Mafra, em Santa Catarina.

Os projetos elevarão em 36% a capacidade conjunta das fábricas, de 1.995 metros cúbicos para 2.714 metros cúbicos por dia. A capacidade adicional equivale a cerca de 262 milhões de litros de biodiesel por ano, considerando operação contínua a plena capacidade.

Em Mafra, a capacidade aumentará 34%, de 1.025 metros cúbicos para 1.370 metros cúbicos por dia. O projeto responde por R$ 65,8 milhões dos recursos.

Em Campo Verde, a capacidade subirá 46%, de 410 metros cúbicos para 600 metros cúbicos por dia. O projeto de R$ 94 milhões inclui uma nova caldeira, reatores, centrífugas, colunas de destilação, bombas e trocadores de calor.

Lins responde por outros R$ 89,3 milhões. A capacidade da unidade aumentará 33%, de 560 metros cúbicos para 744 metros cúbicos por dia.

As três fábricas substituirão catalisadores químicos convencionais por enzimas de alta eficiência. Segundo a JBS, o processo permitirá trabalhar com diferentes matérias-primas, aumentar a eficiência e ampliar o aproveitamento de resíduos e subprodutos agroindustriais.

Os projetos também poderão gerar Créditos de Descarbonização, os CBIOs, no âmbito do RenovaBio. Campo Verde e Lins possuem o Selo Biocombustível Social, que vincula parte da produção à compra de matérias-primas da agricultura familiar.

JBS antecipa aumento da demanda por biodiesel

A expansão ocorre enquanto o Brasil avalia elevar a proporção obrigatória de biodiesel no diesel. A mistura permanece em 15%, o chamado B15, enquanto o B16 ainda passa por validação técnica.

A Lei do Combustível do Futuro prevê aumentos graduais, mas condiciona as misturas superiores ao B15 a testes de desempenho e durabilidade dos motores.

Para a JBS, os projetos criam capacidade antes de um possível aumento da demanda regulatória. Também aprofundam a integração vertical do grupo ao transformar subprodutos de suas operações de proteínas em combustível, receita e créditos ambientais.

Os investimentos nas fábricas começaram em julho de 2022, e uma parcela relevante dos desembolsos previstos já foi realizada.

Itajaí responde por R$ 150,9 milhões

Os R$ 150,9 milhões restantes, equivalentes a 37,7% da oferta, reembolsarão despesas com a modernização da unidade da JBS Terminais no Porto de Itajaí.

O projeto inclui obras civis, pavimentação, drenagem, redes elétricas e hidráulicas, sistemas de combate a incêndio, automação, controle de acesso, scanners e equipamentos para movimentação de cargas.

A JBS Terminais opera a instalação desde dezembro de 2023, por meio de um contrato de arrendamento transitório firmado com a União. Os investimentos começaram em maio de 2024, e o programa de modernização deverá ser concluído até setembro de 2027. Um novo edital para o terminal deverá ser lançado ainda este ano.

A modernização pretende aumentar a produtividade, reduzir os tempos de espera e dar à JBS maior controle sobre uma etapa crítica de sua cadeia de exportação.


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