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CSN Troca Dívida por Juros de 11% Após Venda de Ativos Não Sair do Papel

Siderúrgica busca alongar até US$ 970 milhões em títulos, enquanto dívida líquida sobe para até R$ 44 bilhões e prejuízo aumenta no primeiro semestre.

CSN 4Q25 results steel mill operations as the company reports R$721 million loss and seeks debt reduction

By Brazil Stock Guide – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3; NYSE: SID) lançou uma operação para alongar parte de sua dívida no mercado internacional, após não conseguir concretizar, até agora, as vendas de ativos que apresentou no início do ano como principal caminho para reduzir seu endividamento.

O conselho de administração aprovou uma oferta de troca, ou exchange offer, por meio da CSN Inova Ventures. A subsidiária pretende substituir títulos com vencimento em 2028 e juros de 6,75% ao ano por novos papéis com vencimento em 2030 e remuneração de 11%, além de pagar até US$ 330 milhões em dinheiro aos investidores que aderirem. O principal dos novos títulos poderá alcançar US$ 970 milhões.

A operação será realizada em um momento no qual a estrutura de capital da CSN voltou a se deteriorar. Números preliminares indicam que a dívida líquida ajustada pode ter alcançado R$ 44 bilhões em junho, ante R$ 40,5 bilhões em março. A alavancagem também aumentou, embora a empresa estime que tenha permanecido abaixo de 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

Venda de ativos ainda não entregou a desalavancagem

Em janeiro, a CSN anunciou um amplo programa de desinvestimentos com o objetivo de reduzir seu endividamento entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. O plano incluía a venda do controle da CSN Cimentos e de uma participação relevante em uma nova holding que reuniria ativos de logística, como ferrovias, portos e transporte rodoviário.

A companhia chegou a receber propostas não vinculantes pela operação de cimento e disse, em maio, que esperava concluir essa venda no terceiro trimestre. O processo, porém, ainda não resultou em uma transação anunciada. A ausência desses recursos ajuda a explicar por que a empresa precisa recorrer novamente ao mercado de dívida para reforçar sua liquidez e empurrar vencimentos para a frente.

A diferença de custo é significativa. A CSN está propondo trocar dívida emitida a 6,75% por papéis que pagarão 11% ao ano. O cupom poderá cair para 10,5% caso a companhia reduza em pelo menos US$ 200 milhões o principal das novas notas antes de fevereiro de 2028. Ainda assim, a transação evidencia o preço elevado cobrado pelo mercado para financiar um grupo com dívida alta e um plano de desalavancagem ainda sem execução concreta.

Para cada US$ 1.000 em títulos antigos entregues, os investidores receberão US$ 746,15 em novos papéis e US$ 253,85 em dinheiro, além dos juros acumulados. A oferta depende da adesão de pelo menos 70% da emissão atual, equivalente a US$ 910 milhões, e tem liquidação prevista para 12 de agosto.

Prejuízo aumenta apesar do Ebitda estável

Os números preliminares divulgados junto com a oferta mostram que o desempenho operacional não foi suficiente para compensar a pressão financeira.

A CSN estima um Ebitda ajustado entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre, ligeiramente acima dos R$ 5,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A receita líquida deve ter ficado praticamente estável.

O prejuízo líquido, entretanto, deve ter aumentado para uma faixa entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, ante uma perda de R$ 861,9 milhões um ano antes. A dívida bruta pode ter chegado a R$ 54 bilhões, comparada a R$ 50,4 bilhões ao final do primeiro trimestre.

Por que isso importa

A oferta reduz o risco de refinanciamento em 2028, mas não resolve a origem do problema. A CSN ganha mais dois anos para pagar parte da dívida, ao custo de uma remuneração muito superior, enquanto continua esperando pelos recursos prometidos com a venda de ativos.

O ponto central para os investidores deixa de ser apenas a capacidade operacional da companhia. A questão é se a administração do grupo, controlado pelo empresário Benjamin Steinbruch, conseguirá transformar o programa de desinvestimentos em dinheiro efetivo antes que juros mais altos e uma dívida crescente consumam uma parcela ainda maior da geração de caixa. Sem a conclusão da venda da CSN Cimentos ou de participações em infraestrutura, a troca de bonds funciona sobretudo como uma ponte. Ela compra tempo, mas também torna mais cara a espera pela desalavancagem da empresa de Steinbruch.


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